JEAN, MENSAGEIRO DA LUZ.

 

Mensagens de Jean, ensinamentos e orações

 

     Traduzido para o português no Brasil, pelo Movimento Salvai Almas, com autorização e o desejo do gentil casal Yvette e Robert Carayon, pais de Jean. A pedido também e com a autorização de Nossa Senhora, através do Cláudio, segue, pela graça de Deus.

 

 

PRÓLOGO DA EDIÇÃO BRASILEIRA

 

     Há poucos dias atrás, instados por dona Isabel Koscianky, do Paraná, fomos contatados pelo casal francês Robert e Yvette que procuravam editor no Brasil, para o livro de mensagens recebidas por eles – os pais de Jean – em locução interior. Na França e em diversos países, também no Céu, ele é conhecido como: Jean de La Lumiére.

    

     Entretanto, as coisas não são tão simples assim, porque tudo requer programação e atrai custos. Além disso, nosso Movimento não dá um passo sequer sem a ordem ou a autorização de Nossa Senhora.

 

     Assim, tendo já recebido os originais do primeiro livro via internet e também por CD, a primeira coisa que fiz foi deixar isso em oração junto ao Cláudio. E interessante: ele já sabia que isso iria acontecer, tanto que, mal lhe mencionei o nome, imediatamente São Miguel lhe explicou tratar-se de Jean, Mensager de la Lumiére : Jean, mensageiro da luz.

 

     E a ordem para trabalhar o livro veio de imediato, coisa que nos pegou até de surpresa porque não somos tradutores oficiais, embora tenhamos recebido os originais do mesmo em espanhol, o que torna mais fácil. Bem, para encurtar, numa semana estava pronto, com a graça inefável de nosso Bom Deus.

 

     De que trata o livro? Em síntese, do início ao fim o sentido principal é explicar a Comunhão dos Santos, uma das verdades básicas de nossa fé que mencionamos no nosso Credo: creio na Comunhão dos Santos... creio na Vida Eterna! Amém! No geral, o incentivo constante de rezar pelas almas do Purgatório, e também corrigir a própria vida, para que não se precise ir para lá. Aqui, sofrer é fácil, lá um horror!

 

     Eu diria que o livro não é somente bom, mas fantástico, porque aborda detalhes de nossa vida, sobre o sentido do sofrimento, e de como devemos fazer para ganhar o céu, coisas que nunca sequer eu havia imaginado. Além disso, descreve imagens da realidade do Céu, que nos fascinam e nos fazem arder de desejo de ir para lá. 

 

     Na realidade trata-se de uma coletânea de mensagens, agrupadas por assunto, mas todas ligadas ao fulcro principal: o imenso, o indescritível, o fabuloso e o fantástico intercâmbio de graças e bênçãos, que acontece entre as almas: entre a Igreja Padecente do Purgatório, a Igreja Glorificada que está no Céu e a Igreja Militante, nós, os que ainda labutamos neste vale de lágrimas.

    

     Maravilhosa e extraordinária esta arquitetura de salvação que aqui vem muito bem explicado. Na realidade ela complementa – de certa forma – toda a mensagem sobre as almas do purgatório, passadas ao Cláudio aqui no Brasil. Também a resume, mas acima de tudo a reafirma, mostrando que também em outros locais, Deus age em favor dos padecentes através de seus profetas.

    Dos telefonemas que recebemos do simpático casal francês e dos e-mails que trocamos se pode notar neles um amoroso coração, totalmente voltado para Deus. Eles aprenderam a serem assim com seu filho Jean, já no Céu, que pela graça de Deus veio a lhes falar por meio de locução interior. Isso está sucintamente explicado abaixo.

 

     Temos certeza de que este livro servirá para o crescimento espiritual de muita gente. Cada parágrafo é uma verdadeira escola de vida, tudo no sentido doce, mas obstinado, de levar as almas para Deus. Encaminhar os vivos para a vida eterna, remir as almas que se encontram penando, embora às portas do Céu. Sem dúvida, o leitor gostará do livro.

 

     Vejam: as mensagens são dirigidas aos pais, ora um, ora outro, mas isso não importa. O que sugerimos ao leitor, é que se coloque a si mesmo – cada um – no lugar dos pais, e imagine que este Jean seja um ente querido seu, já falecido, ou seu pai, sua mãe, seu amigo, e que do Céu lhe traga estas maravilhosas instruções. Com qual deles, que já partiu, você gostaria de falar? Imagine-se assim... e participe ativamente! Bom proveito!

 

     Vale lembrar que o carisma de Jean, e do Cláudio começaram ao mesmo tempo, no segundo semestre de 1997. O caso dele é acompanhado por três bispos amigos, também por diretor espiritual, na pessoa de um abade. Inclusive temos uma carta dele, confirmando o carisma do Cláudio. Já um padre português traduz suas mensagens para a língua francesa. Ou seja, de lá também acompanham nosso trabalho. Afinal, a causa é a mesma: a Libertação do Purgatório e a instauração do Novo Reino!

 

     Tenho plena certeza que, agindo assim o leitor se sentirá como parte da história, uma extraordinária escola de vida, uma fantástica e bem elaborada instrução de ganhar o Céu.  Para si e para os seus  amados. E quando terminar o livro, eu tenho certeza plena de que pensará diferente, será outra pessoa. Amará mais a Deus, amará mais aos irmãos, e amará mais às almas do Purgatório. Que o Espírito Santo o ilumine!

 

Arnaldo Haas

 

      Em 10 de janeiro de 1983, em mensagem à vidente Mirjana, em Medjugorge, a Santa Virgem falava assim sobre o purgatório:

 

      “Existem diferentes níveis, os mais baixos estão próximos do inferno e os mais altos se acercam gradualmente do Céu. Não é no dia de Finados, mas sim no Natal, quando em maior número as almas saem do Purgatório. No Purgatório as almas rezam a Deus ardentemente, porque não têm, nenhum parente ou amigo, que reze por elas na terra! Então Deus lhes permite beneficiar-se das orações de outras pessoas”.

 

      “Ocorre também que Deus lhes permite manifestar-se em diferentes formas aos homens aqui na terra, para lhes recordar da existência do Purgatório e solicitar a eles suas orações diante de Deus, que é Justo e Bom”. “A maior parte dos seres humanos vai ao purgatório antes, alguns vão ao inferno, e poucos diretamente ao Céu”.

 

 

     Extrato de uma mensagem do saudoso Papa João Paulo II ao Monsenhor Séguy, Bispo de Autun, Chalon e Macon, abade de Cluny, por ocasião da celebração do milênio da comemoração aos fiéis defuntos instituída por Santo Odilon, quinto abade de Cluny:

 

       O Senhor se enternece com as súplicas de seus filhos, pois é um Deus dos vivos. Insisto, portanto, a todos os católicos que rezem fervorosamente pelos falecidos, pelos membros de suas famílias e pelos irmãos e irmãos falecidos, para que obtenham o perdão de seus pecados e possam escutar o chamado do Senhor

 

      Estendo, com muito prazer, minha bênção a todos aqueles que, no correr deste ano do milênio, rezem na intenção das almas do Purgatório, que participem da Eucaristia e que ofereçam sacrifícios pelas almas benditas” Vaticano, 2 de junho de 1998.

                                                                      

 

 

                                               PRÓLOGO DA EDIÇÃO FRANCESA

 

      Este livro contém passagens e as mensagens – reagrupadas de acordo com o tema – com que foram brindados a partir do Céu por Jean, seus pais, Robert e Yvette.

 

      O desaparecimento brutal de seu filho tão amado deixou os pais em uma enorme aflição, que suportavam em silêncio. A partir de um dia, quando sem a menor iniciativa de sua parte, eles tiveram a graça de comunicar-se com seu filho falecido. Então a dor da perda que sentiam deixou de existir e assim puderam penetrar em uma grande paz interior, com uma nova esperança venturosa, mantida por uma intensa vida de orações.   

 

     É necessário sublinhar que não foram, nem Robert, nem Yvette que expressaram este desejo inicialmente, mas que foi o próprio Jean – por intermédio de uma de suas amigas, a senhora Colette – quem mais insistiu nesta solicitação do Céu.

 

     As mensagens recebidas por locução interior, se intensificaram, na medida em que também Jean foi evoluindo no caminho do Céu, pois tudo começou quando ele ainda estava no Purgatório. Nelas Jean convidava os pais a escreverem um livro, por meio do qual dariam testemunho, por todos os lugares onde fossem chamados.

 

     Na realidade, as nossas vidas estão demasiado centradas sobre as preocupações terrenas, e por isso nos esquecemos da presença ativa das almas dos falecidos. E dentro deste contexto, Deus, desgraçadamente é um grande ausente.

 

     Jean afirma que nossos falecidos têm grande necessidade das nossas orações, para apressarem sua entrada no Céu, e que, como reconhecimento, nós atrairemos para nós uma vida melhor, com fé mais sincera, em conformidade com as exigências de nosso batismo.

           

     Jean era um bom cristão, e explica que ficou neste “átrio do Céu” – o Purgatório – durante um ano, antes de entrar no Paraíso no Natal de 1997.

 

     Quando rezamos, estamos falando com Deus e igualmente poderíamos falar também com nossos falecidos, com nossos entes queridos, para pedir-lhes perdão quanto ao que fizemos de mal a eles em vida, e confiar-lhes  as nossas preocupações.

 

     Quando nossos amigos vivos manifestam sua tristeza pelos que partiram, poderíamos fazer-lhes participar de nossa intimidade com os seres que vivem mais Além, e convidá-los a rezar conosco por todas as almas, e assim apressar sua chegada na Glória do Senhor.

 

     Porque privar-nos da alegria de sermos recebidos por Deus, em Seu Reino de amor e felicidade? Ao apresentar este testemunho de seu filho, Robert e Yvette respondem a um pedido expresso da parte dele, dirigido a todas as pessoas de boa vontade.

 

     Eles que antes eram cristãos “comuns & correntes”, a partir de então tomaram consciência de que haviam recebido uma missão produtiva dentro do marco da comunhão dos santos. Em vez de se ocultar, aceitaram a missão com responsabilidade e destemor.

 

     O que Jean dirá a seus pais, é o que em outros lugares as almas falam também a outros profetas. Jean é apenas seu interprete, e nos indica como podemos sentir nossos falecidos perto de nós, como devemos ter mais dedicação e como devemos rezar por eles, livrando-os das penas dos seus pecados.

 

     Dirá que devemos converter-nos e fazermos penitência para abreviar nosso tempo de Purgatório. Esta convicção nos encherá de alegria e nos dará força de vontade para nos movermos através do amor, maravilhados com esta manifestação da misericórdia de Deus.

 

     Dirá enfim, que Deus nos criou por amor, para uma vida de santidade. Que Jesus, Filho de Deus, que nos salvou graças a grandes sofrimentos, e que o Espírito Santo que reza e ama dentro de nós, com a intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, nos dêem a graça de escutar o chamado de nossos irmãos que já entraram na eternidade bem-aventurada. Com apoio de um sacerdote e diretor espiritual

 

Robert e Yvette.

 

 

COMO SITUAR AS MENSAGENS DE JEAN

NA FÉ E NA IGREJA?

 

     O homem foi criado para amar, honrar e servir a Deus Nosso Senhor, e por este meio salvar sua alma.

 

     Todas as outras coisas, na terra, foram criadas para o homem, para ajudá-lo a buscar o fim para o qual Deus o criou. Deve o homem, portanto, saber o bom uso que deve fazer das coisas. Das que o ajudam a conseguir sua meta, e das que deve abandonar por que o desviam do caminho do bem. Deve desejar e usar unicamente a aquilo que o conduz a alcançar o fim para o qual todos os homens foram criados: a salvação eterna! Para amar a Deus.

 

     Santo Inácio de Loyola nos dá este ensinamento em seus “Exercícios Espirituais”, marcando o que é o “Princípio e o Fundamento”, e o que deve orientar nossas vidas, se queremos salvar nossa alma.

 

     As mensagens de Jean não têm outra razão, que não seja a de guiar-nos nesta forma de vida, onde possamos salvar nossa alma. A coerência das mensagens, com a fé da Igreja, é evidente. As mensagens conduzem a servir a Deus, mediante uma vida em cristalina união aos mandamentos de Deus e os ensinamentos da Igreja Católica.

Não se trata de polêmica, nem de fazer funcionar inutilmente o nosso intelecto, e sim seguir a orientações e praticar as mensagens. Podemos assim provar a força substancial delas.

 

     Ademais, podemos levar um grande alivio às almas do Purgatório, e evitar numerosos pecados conseguindo com isso mais graças para diminuir nosso próprio Purgatório. A vida na terra, e através da multiplicação dos grupos de oração se alia a um desejo do Céu. As condições poderiam mudar, e o reino de Satanás vir a ocupar o Reino de Jesus.

 

     Posto que Deus é amor, devemos demonstrar-lhe que queremos amá-lO. Entretanto, Sua Justiça exige uma purificação neste mundo e no Purgatório, e por isso teremos que fazer sacrifícios por nossos próprios pecados, pelos pecadores de todo mundo, e pelas almas do Purgatório.

 

     Jesus nos salvou por Seus sofrimentos na Cruz! Portanto, devemos comungar Suas dores e voltar resolutamente a nossa espada contra o mal. E porque Jesus é Deus, a oferenda que Ele fez de Si mesmo ao seu Pai tem um mérito infinito, devido à santidade de Deus.

 

     A este oferecimento, unimo-nos todos a Ele: em cada Santa Missa , pela nossa oração, pela nossa ação, alegria ou dores, e assim adquirimos o mesmo poder de reparação, adoração e intercessão, por este mundo em perdição.

 

     Logo chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino de Deus ao Pai, depois de haver destruído todo o principado, toda a potestade e toda a dominação. Porque é necessário que Ele reine, até que ponha todos os inimigos ao escabelo de seus pés. O último inimigo a ser derrotado será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo de seus pés. E quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem a Aquele que Lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo, em todos”. (I Coríntios. 15, 24-25-26-28)

 

     E nós, mediante nossa comunhão com os sofrimentos de Jesus, poderemos contribuir para que Ele salve tantas almas. Com isso, também compartilhamos de Sua Glória por toda a eternidade, em comunhão com os anjos e os santos.

 

     Com este objetivo, Deus nos criou e resgatou nossos pecados. As mensagens deste livro, nossas orações pela conversão dos pecadores e pelas almas do Purgatório, não têm outra meta que dar Glórias a Deus, que será também nossa glória por toda a eternidade.

           

            Um sacerdote, diretor espiritual de Robert e Ivette

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Como tudo começou?

 

 

     Robert, o que fazes está certo: tu deves dar exemplo. Com tua esposa deverão rezar o Rosário todos os dias. Isso tu te imporás. Seja tolerante com teus filhos, que meu Filho se encarrega deles. Sobretudo, dá exemplo e suporta a angústia que habita nas pessoas. Este é teu dever

 

     Estas quatro frases, Robert, o pai de Jean as escutou no dia 26 de junho de 1996. Eram 10:30h da manhã, em uma igreja do rito sírio-grego, situada próximo de Medjugorie, na Bósnia-Herzegovina, onde acontecem as aparições de Nossa Senhora, há quase 25 anos.

 

     A igreja estava totalmente cheia e o Padre Jozo celebrava a Santa Missa, com grande fervor, neste santuário. Ele falava em italiano, com sua voz quente e penetrante. Um intérprete o ajudava a transmitir suas palavras.

 

     Ao escutar esta voz feminina, que o chamava pelo nome, sem nenhuma presença visível, Robert se surpreendeu a tal ponto que saiu para o fundo da igreja. Muito comovido, experimentou um enorme prazer em escutá-la. Tinha um timbre de voz indefinível, e de uma intensidade especial. Como ela falava de seu Filho, não podia ser ninguém mais que a Santíssima Virgem Maria.

 

     De imediato Robert falou com sua esposa, porém com a firme intenção de não falar nada sobre isso com os outros peregrinos, nem sequer aos sacerdotes.

 

     No caminho de regresso, porém, cada um dava seu testemunho. Um peregrino inclusive pôs em dúvida a autenticidade das aparições o que muito entristeceu a Robert.

 

     Para surpresa de todos e com grande paixão, Robert deu seu testemunho com a finalidade de reduzir a nada o mau testemunho do outro peregrino. Maria e Jesus haviam decidido que Robert devia brindá-los com seu testemunho.

 

           

SOBRE JEAN

 

     Jean era ainda solteiro, aos quarenta e três anos de idade. Através de orações e com a imposição de mãos ele realizava curas. Vivia pobremente, e tinha boas relações com o padre da paróquia. Depois de uma hemorragia interna, morreu tragicamente no dia 13 de dezembro de 1996.

 

     Uma enfermeira – a quem Jean havia curado de câncer – recebeu no dia 23 de fevereiro de 1997 uma locução interior da parte de Jean, que lhe pedia para consolar e tranqüilizar seus pais, e lhes propunha receber certas mensagens que ele lhes enviaria.

           

     E Jean lhe afirmava: Sim, a mensagem vinha de Maria: era preciso que seus pais se preparassem para sua partida; e a Santa Virgem queria fazer-lhes saber isso, pois elege a aqueles que a amam. 

 

AS MENSAGENS

 

     Estou no Amor e em toda a felicidade do Céu, e a ti Colette, te agradeceria se fosses tu, a mensageira das minhas palavras aos meus pais, e a aqueles que têm me amado. Eu sou Jean, estou presente e te falo. Tu também vives na alegria da fé e tens sido eleita por Jesus.

     É permitido a certas almas se comunicarem com o Além, porém é necessário estar preparado para fazê-lo. Deve-se ter uma grande fé, e um grande amor a Deus e a Maria. Eu estou aqui para ajudá-los, e por amá-los muito.

    Confuso, e surpreso, o pai sentiu muita dificuldade em comprometer-se com este tipo de comunicação. Mas Jean insistiu muito com ele e finalmente consentiram: primeiro sua mãe, depois seu pai.

 

    (10.04.97) (1) Papai, por que tenho te encorajado a escrever? Entendes bem o porquê esta ação é primordial na terra?

     Se um escreve, se um fala com as almas do purgatório, as pessoas se darão conta de que o além está muito perto deles, e desta maneira poderão se salvar.

      Teu espírito rechaçava instintivamente a idéia de receber as mensagens, não obstante, esta ser a única forma com a qual nós poderemos realizar a comunhão dos santos. Esta união é necessária para dar mais rapidamente, um lugar privilegiado a todas aquelas almas que, no purgatório, esperam subir ao paraíso.

     Então, todas as manhãs tu deves dedicar-me uma hora e meia do teu tempo e através da escrita direta, terei a oportunidade de ditar-te as instruções do Altíssimo.

      (1) (Esta data indicará sempre o dia em que a mensagem foi recebida, ou pelo pai, ou pela mãe de Jean. Mas isso não importa e sim o conteúdo)

 

     (09.03.98) Sim, neste momento irás compreender tu mesmo que eu sou o instrumento que te trás esta carta do Céu, para a qual sou autorizado, e pela qual posso expressar-te todo meu amor.  Não se trata somente de minha vontade e sim da vontade de todos os irmãos do Céu. Somos uma legião e estamos às tuas ordens para indicar o caminho que os homens da terra devem tomar.

 

     (11.04.97) Faça um esforço e oferece teus sofrimentos! Reconhece que a felicidade do Céu é muito mais grandiosa que todas as tuas penas na terra. Todos os santos estão conosco para levar-te a Maria e a Jesus, e para levar-te diante do Pai

     Neste final de século, por razões bem mais comerciais do que espirituais, devem florescer os bons livros. Porém o teu será de uma importância enorme, que te tranqüilizará e indicará o caminho a seguir.

 

      (10.02.98) Simplesmente, com toda a sensatez, faça-te a seguinte pergunta: que proveitos me trazem, todas estas comunicações matinais? Papai, é pelos frutos que se conhece a árvore! Isso te dará uma grande serenidade, uma vida de orações, uma vida de bom cristão, mediante o estudo da Bíblia e também te dará uma abertura espiritual mais elevada.

     Acaso tinhas idéia de manter este contato comigo? Não! Jamais o pensaste! Este contato é vontade de Deus. A pessoa que me abriu esta possibilidade foi a senhora Colette. Tanto na terra, como no Céu, ela esteve e está muito perto de mim, e isso explica suas mensagens. Foi ela quem melhor me compreendeu.

 

     (04.03.98) Antes de minha morte vocês eram muito tíbios em sua fé. Porém, todas as desditas que vocês têm sofrido enquanto eu vivia e, sobretudo, depois de minha morte e também com o fato de receber as minhas comunicações interiores, guiados pelo Espírito Santo, lhes têm feito descobrir o incomensurável amor de Deus e de Maria.

     Vocês têm sido obedientes, pelo que me foi permitido, como a vocês, responder às demandas do Céu.

     Para chegar à santidade, não é suficiente seguir os conselhos generosos que são válidos para todos: é necessário discernir o que Deus nos pede em particular. Vocês têm compreendido bem isso, através das mensagens do Céu, e pelos fatos de suas vidas.  

 

                                                           ***

     Nesta ação do Céu, pelas almas do Purgatório, tanto um sacerdote como um monge beneditino, têm dado aos pais de Jean, um apoio incondicional.

 

                                                           ***

   Jean, com suas comunicações, pede com muita insistência a edição de um livro, partindo dos testemunhos e da criação de um grupo de oração. Tudo para instar aos seres humanos a rezar em favor das almas do Purgatório e para sensibilizá-los contra a influência do demônio, particularmente hoje, nestes tempos tão revoltos.

 

 

     Todos nós somos obra de Deus. Sempre somos Sua obra. E compreender que somos a obra de Deus é muito fácil. Sem dúvida, a crucificação de um Deus foi obra nossa, e isso sim, é realmente incompreensível. O santo cura d’ Ars

 

 

Capítulo 1

 

QUEM É JEAN?

 

     Jean nasceu em 1953 e teve uma infância e uma juventude feliz, sempre ao redor dos padres de sua vila, que fica nos arredores de Tolousse, na França. Freqüentou uma escola católica e seus estudos foram bastante breves. Não obstante, ele foi considerado um aluno estudioso, particularmente no ensino religioso.

 

    Na idade de 12 anos, depois de sua Primeira Comunhão, mui solene, participou de um retiro em uma abadia, a de Santa Maria do Deserto. Dado ao seu bom comportamento, comparado com o dos outros, e ao seu misticismo, o sacerdote encarregado sugeriu aos seus pais que o inscrevessem em um pequeno seminário.

Por diversas razões, seus pais não julgaram útil dar seguimento a esta sugestão. Aos 17 anos ele contraiu uma hepatite viral, que o deixou com uma série de seqüelas, que o perseguiram por toda sua vida, com grandes sofrimentos, tanto físicos como morais.

 

     Começou seu caminho de curas – ele tinha este dom – com a cura de seu chefe de serviço. Fora de seu trabalho, fazia curas gratuitamente e tratava de ser paciente e constante, atravessando por todo tipo de provas, tanto interiores como exteriores, espirituais e corporais.            

 

     Tudo isso ele aceitava como proveniente de Deus, e se punha ao serviço dos demais, por amá-los, para consolá-los e curá-los. Obteve então, da empresa que o empregava, a permissão para estar disponível a todas as pessoas que o requisitavam, as quais se tornaram cada vez mais numerosas.

 

     Evidentemente que todas as suas curas eram gratuitas; se alguém lhe dava alguma soma em dinheiro, ele aproveitava para dá-la a uma pessoa necessitada. Sua vida foi de oração. Rezava pelos seus amigos, aconselhando-os a recorrer aos sacerdotes em confissão. E assim tirava o mal dos outros em nome de Jesus e exclusivamente por Jesus.

 

     Não viveu mais que 43 anos. Passou rapidamente por esta vida, sempre fazendo o bem, de uma maneira desinteressada e deixando assim, muitos amigos atrás de si. Dentro de sua missão de curas, ele evitava, sobretudo, que os amigos o venerassem. Foi todo amor, a serviço do próximo.   

           

TESTEMUNHO DE UMA AMIGA

 

     Uma de suas amigas, fala de Jean:

     Por muitos anos e até sua morte, conheci muito bem a Jean Cara. A mão de Deus estava ali, no dia em que o fui ver, por recomendação de uma pessoa. Eu tinha câncer em um seio e não sabia disso.

     Sem problemas o senhor Jean – assim o chamava – já o sabia, e seus primeiros socorros pararam já esta cruel enfermidade, fato que alguns meses mais tarde foi reconhecido pelos médicos.

     Depois da operação e do tratamento o senhor Jean me foi curando sem parar, devolvendo-me a saúde, sobretudo a esperança, e dando-me uma grande força moral. Esta força moral resultou do amor de Deus e de Maria, que ele me comunicava sem cessar, tanto através de suas palavras, como dos seus atos. Seu carisma era mui intenso e minha alma se elevava sempre mais ao Senhor, nosso Mestre.

     Deus estava presente nele e este amor que ele compartilhava com os outros, provinha de um resplendor interior muito profundo. Deus havia lhe conferido estes dons, e aqueles que dele se acercavam recebiam assim os favores e os benefícios de sua obra.

      Era humilde, discreto, falava pouco, porém sempre estava atento e consciente dos problemas dos demais. Não escolhia hora para curar o corpo e a alma de seu próximo. Trabalhava de dia e de noite, dormindo poucas horas. Muitas pessoas vinham vê-lo, tanto para aliviar-lhes a alma como o corpo.

     Meu respeito, reconhecimento e amizade por ele foram um todo, enquanto convivi com ele. Que a boa semente plantada com a ajuda de Deus aqui na terra, brinde com uma colheita frutuosa cada um de nós.

 

***

 

     Marcos 16, 17-18: 17Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, 18manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.

 

***

 

     E nosso filho, ele mesmo, confirma o que era na terra: Curava, impunha as mãos rezando a Deus, Jesus e Maria, com todo meu coração. Assim, não era nada mais que um simples intermediário, o que me permitia dar igualmente conselhos sobre o que deviam fazer as pessoas que me procuravam. Comumente elas estavam cheias de dúvidas; algumas sofriam inclusive a influência de espíritos malignos.

     É por este motivo que, para livrá-los do mal, eu passava horas inteiras incluindo dias inteiros rezando. Depois, orientava-os a procurar um sacerdote, em particular o Padre B.

 

     (07.0.98) Depois de minha partida, que foi que encontraram entre meus bens? Somente orações e livros religiosos!

 

     Não chorem mais! Ser-lhes-ei mais útil depois de minha morte e poderei ajudá-los mais eficazmente que quando estava viva.

                                                                                  Santa Teresa de Lisieux

 

     Qualquer obra, por pequena que seja, se realiza em segredo, e com o desejo de que permaneça desconhecida. Isso é mais agradável a Deus que mil obras que se faz, com o desejo de que elas sejam conhecidas dos homens... E Deus, não deixará de corresponder aos mesmos serviços, com a mesma alegria e pureza de amor. Sor Juana Inés de la Cruz

 

 

                                                           Capítulo 2

 

                                               COMO SE CHEGA À ETERNIDADE

 

A chegada ao Céu:

 

     2 Corintios 4, 16É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia. 17A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas.

 

     Sabedoria 3, 1 Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. 2Aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos: seu desenlace é julgado como uma desgraça. 3E sua morte como uma destruição, quando na verdade estão na paz!

 

***

 

     (06.09.97)  É preciso partir do princípio de que a morte é na realidade a mais bela graça de Deus, posto que somente isso nos permite voltar a encontrar a verdadeira vida.

 

     (19. 07.97) Quando uma pessoa deixa a terra, tudo é tão surpreendente que ela mesma nem se pergunta o que acontece; eu tampouco me dei conta quando parti deste mundo. Quando a alma abandona o corpo não se dá conta de que já está no além

 

    (17.03.98) Depois de haver deixado este mundo, no instante exato de minha partida, se pronunciou o julgamento de Deus. Poderia dizer que a alma recebe o julgamento, posto que de imediato vê desfilar diante de si toda sua vida terrena.

     Desta forma, como se fosse um filme, se poderá ver como em um espelho, tudo claramente como nunca visto: tudo o que se fez, tanto de bem como de mal, todo sofrimento que se provocou nos outros, mesmo sem se ter dado conta disso, às vezes por simples palavras.

     Todo este conjunto, do bem e do mal, dura na medida da estada no Purgatório para assim lavar tudo aquilo que fizemos de negativo. Para podermos nos apresentar diante de Deus, ante o Senhor e Nosso Pai, é indispensável que a alma seja totalmente limpa.

 

     (19.07.97) Eu já não estava com vocês, entretanto pude presenciar claramente meu enterro. É muito triste assistir as próprias exéquias, e ver toda a família constatar que o corpo está em um ataúde.

     E observar o próprio funeral é muito triste, sobretudo quando se vê tanta gente a chorar e particularmente minha mãezinha e meu pai, que estavam totalmente infelizes.

     Nossa Mãe do Céu, tão doce e amável, depois de nosso exame de consciência, nos brinda com indulgências e cuidados. Ela me ama muito, e também, graças aos Rosários diários, me encontro já nas portas do Céu. Os santos são os que me ajudam em minhas orações para minha purificação, e me têm encarregado da missão de ajudar as almas.

 

     (26.04.97) Maria não recebe a todas as almas: somente as que têm alcançado um grau bastante elevado. Os anjos e santos estão lá para fazê-lo.

 

     (21.03.97) Depois de haver deixado meu corpo, minha alma se sentiu atraída por uma luz muito forte, e eu estava desfrutando de uma profunda alegria. Trata-se de um canto e felicidade. Sentia um amor ardente, mil vezes mais forte que o da terra. Não existem palavras suficientes para explicar tudo isso. Tudo é tão belo...

 

     (21.04.97) Passamos em seguida por um túnel e encontramos uma grande luz, flores, e anjos que nos acompanhavam. Tivemos uma imensa alegria – e grande felicidade igualmente – de sermos recebidos por todos os membros de nossa família. Alguns de nós nos reconhecemos como os que nos acompanhavam na terra, mas outros, de gerações anteriores, eram inumeráveis.

     Todos cantavam e bailavam com os anjos, nos fizeram uma festa, como a celebração de umas bodas. Estavam felizes porque nos podiam ajudar a subir até à grande Luz.

     Depois da festa, um grande número deles se uniu às pequenas luzes – situadas na entrada da porta do Céu – e isso é sumamente triste para eles.

 

     (16. 04.97) Minha maior recompensa foi ter encontrado todos os membros de minha família. Isso é maravilhoso. Libertos dos vínculos da matéria e do pecado, nós não tínhamos porque nos preocupar como mais nada e isso nos dava uma maior liberdade.

 

    (05.07.97) Sobre a terra, vocês se utilizam as coisas que Deus lhes põe à disposição, entretanto, no Além nós mesmos criamos o nosso entorno, que é real. Pode-se dizer que reagimos unicamente com o pensamento. 

     (13.12.97) Faz um ano que meus despojos, para dizer, minha vestimenta terrena, se uniram aos elementos da terra, enquanto minha alma voava em busca da verdadeira vida, a vida que toda alma é chamada a conhecer.

 

     (22.07.98) As almas nem sempre fazem o que teriam de fazer na terra e esta é a razão pela qual são tão abandonadas (1). É-nos pedido sustentá-las, ajudá-las a rezar, sobretudo se seus familiares na terra às têm esquecido. De acordo com seus pecados e segundo sua vida espiritual na terra, seu tempo de purgatório pode ser muito grande.

     Na realidade, evoluímos na medida em que os guias eclesiásticos nos instruem, para penetrar sempre mais na Luz de Deus. Como já havia dito, mãezinha, sou “guia da luz” e estou muito contente de poder ajudar e formar outras almas, destinadas a converter-se em guias espirituais.

     Faço-te lembrar que fomos escolhidos por Deus, e isso é um grande favor. Estou muito feliz de ter a possibilidade de poder cumular-te de amor, com todos os seus perfumes celestiais. Não podes compreender, porquanto estás na terra. Mas tu o entenderás, mais tarde, minha querida mamãe a quem tanto amo.

     Evoluímos rapidamente. Nosso espírito se desprende da matéria e nos permite compreender tudo, com maior alegria do que quando estávamos na terra.

      Nossa alma é liberta e nosso corpo espiritual é rápido como uma mariposa. Desta forma, vivemos na glória de Deus, em permanente comunhão com Jesus e Maria, com todos os santos e anjos.

     Tudo é de uma beleza celestial, mãezinha. Queria que visses este amor celestial que temos entre nós, os irmãos do Céu.

      No Céu nada se perde e, portanto, temos possibilidade de nos instruirmos, e aqui nos damos conta do que não podíamos fazer na terra. Amiúde se diz na terra: Tenho desperdiçado minha vida! Isso é falso, nada se perde, a vida continua no Céu.

      (1) Notem a gentileza com que ele se refere às almas do Purgatório, evitando fazer qualquer tipo de acusação, ou julgamento, sequer mencionando que cometeram pecados.

 

     (25.07.98) Pois está escrito: Presta a atenção à tua conduta e aos teus ensinamentos; e neles persevera. Ao agir assim, obterás tua própria salvação e a salvação daqueles que te escutam.

     Mãezinha: eu estou muito perto de ti. Há pouco falavas com papai sobre a minha missão como guia da luz. No presente eu me instruo, para poder ensinar aos outros guias, que estão no Purgatório, e que ajudam as almas que sofrem dificuldades.

     Minha ação consiste igualmente, em ajudar as pessoas na terra, que rezam e que curam por intermédio da oração. Sim, para ser guia da luz, é preciso que se tenha evoluído no campo espiritual. Sempre tratei de entender melhor as Santas Escrituras, e isso tem contado a meu favor, desde o momento em que deixei a terra.

 

     (24.08.98) No Céu, continuamos o que fazíamos na terra. Eu ajudava, aconselhava, de quando em vez compreendia, porém isso tudo fazia para levar as pessoas ao bom caminho. Não era missão fácil, posto que o maligno tratava de neutralizar minhas ações. Volta e meia ele me arrojava no chão, e custava muito me levantar; mas era então quando eu continuava combatendo-o com maior determinação.

     Como na terra, de alguma forma, eu fui um guia; eu continuo sendo-o no Céu. Por este motivo tenho muitas atividades, porém, estas são segredos do Céu, que por múltiplas razões não deves ainda conhecer.

 

 

Toda alma deve estar persuadida de que, se Deus não acolhe imediatamente suas orações, socorrendo-a em suas necessidades, não deixará de socorrê-la no momento oportuno, contanto que não deixe de invocá-lO. (Sor Juana Inês da Cruz)

                                                          

 

 

Capítulo 3