Ninguém é capaz de imaginar os esforços que o Céu
tem feito, em especial nas últimas décadas, para alertar esta pobre humanidade
sobre aquilo que está para acontecer, caso não volte rápido a Ele pela
conversão profunda.
Ninguém poderá também, fazer nem mesmo uma pequena idéia do
sofrimento a que têm sido submetidos certos profetas, deste tempo de trevas em
que vivemos, para cumprirem a missão que Deus deles solicitou.
Em alguns casos, a perseguição a que eles têm sido submetidos, seja da
parte do clero seja dos leigos, chega a persistir até a morte do próprio
profeta e continuar depois dela. De fato, alguns casos há, em que a mensagem só
se torna conhecida quando morto o profeta. Mas a verdade sempre prevalece. Deus
sempre vence!
Este é por certo o caminho da Cruz, o que salva! O próprio Jesus só
teve a sua mensagem entendida após a morte, e “o discípulo não é maior
que o mestre”. Aqui você verá um caso pungente de perseguição.
Verdadeira Cruz, que, inclusive, continua até depois da morte do profeta.
Neste livreto, uma pequena mostra desta profecia sofrida. Ela é a nosso
ver e sentir completamente verdadeira, e sobre ela damos fé. Nós tivemos a graça
de conhecer pessoalmente a vidente e pudemos constatar sua grande piedade e a
sua enorme fé. Especialmente sua humildade e aceitação da Divina Vontade.
Leia este pequeno resumo das mensagens e se compenetre da sua grande
importância para o nosso tempo.
Padre
Nicolau Martinowsky
PRÓLOGO DA 2ª EDIÇÃO
Nos arcanos da Divina Providência, o Brasil foi escolhido – e
privilegiado – nas visitas de Maria Santíssima.
Transcorridos tantos anos das aparições dela – 1944 a 1988 –
naquele bosque situado na rodovia Erechim a Aratiba – Km 20 – na região
chamada Lajeado Paca – RS – são poucas as pessoas que ainda duvidam da
veracidade das aparições, à vidente Dorothea Faria e a seu filho Geraldo como
Nossa Senhora da Santa Cruz.
Já muito antes, a 19 de setembro de 1846, nas vésperas da festa de
Nossa Senhora das Dores, Maria Santíssima apareceu a Maximino – 11 anos – e
a Melânia – 13 anos – dois adolescentes que tangiam as vacas dos patrões
no alto dos Alpes franceses, região próxima à localidade de
Naquela ocasião, Maria se apresentou sentada numa pedra, chorando, com o
rosto entre as mãos. Trazia no peito um Crucifixo – do qual pendia Jesus –
parecendo vivo. Nos braços da Cruz, à direita um martelo, a esquerda uma torquês,
símbolos do martírio.
Já naquele tempo a Mãe denunciava a profanação do dia do Senhor –
Domingo – e também as blasfêmias, a falta de oração e de penitência.
Predizia calamidades, como pragas na lavoura, a morte das crianças no colo de
quem delas cuidava, preconizava doenças vindas dos animais, e a morte dos
adultos pela fome.
E hoje as estatísticas confirmam, ano após anos, um crescendo constante
destes eventos. Mais de um milhão de adultos morreram de fome, naquela época,
na Europa. E hoje, as mortes continuam. E as doenças e pragas estão aumentando
dia a dia! Inclusive as doenças vindas dos animais, como a Sars, ebola, e agora
a tal de gripe do frango. E que ficaram piores, porque o povo não escuta.
Aqui, em Erechim, no Lajeado Paca, Maria também se apresentou com o
Filho Jesus, crucificado em seu peito. Com uma diferença: não havia crucifixo
no seu pescoço como
“Uma espada de dor, vai te atravessar o coração!” (Lc 2,35) Eis ai
o coração de Maria transfixado entre a Cruz e seu Filho, Jesus!
“Vós que passais, parai e olhai se existe dor igual a minha dor!” Onde estariam as maiores dores de Maria? No Calvário? Presenciando as torturas de Seu Filho? Ou no mundo atual, vendo a perdição de tantas pessoas que ela adotou como filhos? Que não ouvem e não vêem?
Não será este o seu Calvário? A sua Cruz? Querer salva-los a qualquer
custo? Ter que voltar a terra tantas vezes, durante 44 anos naquele mesmo local?
Insistindo! Suplicando! Tendo que ver as maiores autoridades locais, as civis e
as religiosas, censurando, proibindo a divulgação de suas mensagens! Seqüestrando,
torturando e ameaçando de excomunhão a quem as desobedecesse!?
Há gente esperando que estas aparições sejam cientificamente provadas
para só então crer. Que mérito haverá nisto? São os que preferem ser
sepultados pelas águas do novo dilúvio que vem, porque não ouvem os avisos, não
observam os sinais de Deus. Estes, de fato, negam até ao próprio Deus, pois
negam Seu Poder!
Para a Igreja local, Nossa Senhora da Santa Cruz pedia: Oração! Penitência!
Conversão! Já houve inúmeras conversões! A igreja que ela pediu está
construída e o povo – milhares de romeiros – rezam lá. Penitência? Muitos
se deslocam de enormes distâncias, em cansativas romarias todos os anos! Que
mais querem?
Querem sinais! Sempre mais sinais, nunca estão contentes com os que já
têm! Acaso, em 60 anos, alguém conseguiu destruir aquela Cruz no chão? Tudo
foi tentado, entretanto ela se formava novamente, como aviso aos que insistem em
negar os sinais de Deus, ou os querem eliminar! Querem apagar a Luz de Deus?
Mais sinais? A Cruz que aparecia no peito de Dorothea, as marcas dos
cravos nas mãos e nos pés que sangravam na semana da Paixão, a submissão da
confidente à Igreja, sua humildade, sua grande força de oração, sua
capacidade de perdão e acima de tudo o miraculoso efeito de aceitar a Cruz sem
reclamar jamais!
Quem não quer ver, nem ouvir, jamais se satisfará com sinal algum! Os
fariseus, afinal, exigiam de Jesus sempre a mesma coisa: Sinais! E quando Jesus
fazia um milagre, ressuscitava um morto, diziam que era pelo poder do demônio.
Pois eu lhes digo,
Sim, embora tudo, as autoridades religiosas já aceitaram celebrar a
Missa no local, mas elas não aceitam, ainda, o título de Nossa Senhora de
Santa Cruz. Falam da Cruz e falam de Nossa Senhora, mas não ligam uma a outra,
quando Jesus e sua Mãe, estão eternamente unidos no Amor. Também unidos na
Cruz!
As aparições de Lajeado Paca são a continuação da mensagem de
Todos são livres, sim, para não ouvir, mas depois que a hecatombe vier,
ninguém poderá alegar que não foi avisado!
Penitência! Penitência! Penitência pelos pecadores! Quando os homens
irão escutar este apelo urgente? Ouçam um pouco mais desta incrível história!
Padre
Nicolau Martinovsky!
NOTA SOBRE ESTA EDIÇÃO
Recentemente
recebemos a incumbência da parte de Nossa querida Mãe do Céu, de
reformularmos este livro, dando as indicações de como ela gostaria que fosse
feito.
Imediatamente o Padre Nicolau se pôs a campo, para arrumar novas matérias
sobre esta aparição de Nossa Senhora, que o demônio tenta de todas as formas
sufocar. Hoje, de posse destas anotações, estamos começando a nova tarefa,
com o mesmo ardor de sempre, em submissão àquela que nos comanda.
Para esta nova edição, nos foi pedido ampliar as revelações e melhor
explicar os fatos, mudando a capa externa do livro para a foto aceita pela
maioria, mas mantendo a mensagem anterior.
Quanto às matérias, temos preciosas anotações do Irmão Pedro Luiz,
entretanto, por serem mais completas, vamos utilizar o texto melhor formulado
que achamos entre todos, escrito por Antonio Rambo, do qual pedimos e obtivemos
a inteira permissão para usar tudo, de acordo com suas palavras “por amor à
Nossa Senhora!”.
O essencial entre todas as anotações é que as mensagens passadas à
vidente, em si, não diferem, prova de que foram redigidas com fidelidade.
Quanto às observações particulares, eles sempre divergirão de pessoa a
pessoa, sendo impossível agradar a todos. Com Jesus aconteceu a mesma coisa!
Assim, os novos textos desta edição, são aproveitados e adaptados de
seus escritos, guardando-se a maior fidelidade possível.
SETE OU OITO MESES DE VIDA
São estes resumidamente os fatos que antecederam às aparições de Nossa Senhora, na localidade de Lajeado Paca, município de Erechim no Rio Grande do Sul.
Estamos em 1938. Há mais tempo, Dorothea Menegon Farina, casada com
Artibano Farina, se encontra adoentada. Na esperança de melhora, dirige-se ao
consultório do Dr. Caleffi,
Dr. Barbieri dá o caso por perdido e se nega a cuidar dela. Dr. Zanin a
trata por cinco ou seis anos. Também, sem resultado positivo. Trata-se –
dizem – de um tronco no estômago. Desenganada, mais uma vez, dona Dorothea
volta para casa com este diagnóstico: Restam-lhe seis ou sete meses de vida.
MORTA POR 24 HORAS
Dorothea é
mulher de fé e não se entrega fácil. Ela faz novenas e mais novenas pensando
nos cinco filhos que, na época, vão dos quatro meses aos treze anos. À oração
junta romarias e longas caminhadas penitenciais, pedindo a sua cura. Reza e
confia. Confia e reza!
Mesmo com os poucos recursos de que dispõem ajuda muito à Pia Obra das
vocações Sacerdotais e outras Obras de Caridade.
Um dia, o inesperado surpreende a família: Dorothea está sem sentidos.
Sem respiração. Sentiram que ela estava morta.
Puseram-lhe um crucifixo na mão e uma vela na outra. A vela queimou,
mesmo no interior da mão, sem queimar os dedos. Caixão, túmulo, tudo foi
providenciado para o enterro.
Os filhos choram, desconsolados. Familiares e parentes chegam de longe e
se juntam aos vizinhos, na dor do velório. Dorothea ouve tudo o que se passa ao
seu redor, mas não consegue dar o mínimo sinal de que está viva, o que só
ela sabe. Neste estado ficou por 24 horas.
A CURA REPENTINA
Depois de 24 horas – tida como morta – subitamente, Dorothea levanta
por três vezes o crucifixo que lhe puseram na mão. Com voz clara se dirige aos
filhos, dizendo: “Não chorem, filhos, que eu continuarei a cuidar de vocês”!
Atônitos,
sem entender o que estaria acontecendo, perguntam: “A senhora nos conhece?”
E
Dorothea foi dizendo o nome de todos, um por um, e lhes recomendou que rezassem.
Depois, sem ajuda de ninguém, sentou-se na cama. Pediu umas roupas para se
vestir e alguma coisa para comer e beber. Desde então estava curada e não
tomou mais remédio algum.
O calendário marcava
17 de dezembro, quando se deu a repentina cura de Dorothea. Os médicos se negam
a fornecer o atestado da cura milagrosa. Diziam que eles a curaram. Dorothea
lhes diz em tom categórico: “Não preciso de seu atestado. Eu sei donde veio
a minha cura e todos esses prodígios. Deus mesmo vai manifestar tudo para
confusão de vocês e lhes provará o milagre que agora vocês negam”.
A família havia gastado uma fortuna com a doença, sem resultado. E
diante da cura, assim repentina, o Dr. Caleffi e Dr. Zanin ficam desconcertados.
Examinaram-na ao “Raio-X” por duas horas, sem encontrarem mais vestígio
algum da doença. Por via de dúvidas, porém, receitam-lhe vários remédios.
Em 24 horas ou dentro de um ano, sentenciam, a doença pode voltar! Como a ciência
tem o coração duro!
OS
SEGREDOS DA CRUZ
Dorothea não se preocupou, nem com as 24 horas, nem com o ano de vida
que lhe deram. Muito menos com os remédios, que envelheceram na prateleira.
Sabia que estava curada. Sabia Quem a curou. Isto lhe bastava e agradecia a
Deus.
Depois de curada, Dorothea teve ainda outros filhos, para a alegria do
seu lar. Nunca, em toda a sua doença, teve ela alguma exclamação de queixa,
desânimo ou impaciência. Sempre levou sua cruz com resignação. A cruz que
levará no peito depois será, talvez sinal, ou quem sabe recompensa por sua
entrega de amor ao crucificado.
A cruz é, sem dúvida, o melhor prêmio com que Jesus retribuiu a quem O
ama. Essa cruz, escândalo para uns e loucura para outros (l Cor 1, 23) é, na
verdade, alegria para poucos, embora esteja presente na vida de todos. E a todos
é oferecida como sinal de amor por Aquele que mais nos ama.
Somente a quem se abre ao amor, um dia Deus revelará os segredos da
felicidade, nela escondidos. Isto explica a impressionante história que esta
Cruz escreveu: no chão e no coração do Lajeado Paca.
A
“MULHER DA CRUZ”
No dia 18 de
dezembro, um dia depois da cura, outro fato começa a marcar a pessoa e a vida
de Dorothea. Em seu peito se formou uma faixa cor de sangue bem nítida que
depois cresceu, se avolumou e deixou um cordão duro e palpável, em forma de
cruz. É por isso que, a partir daí, ela se tornou conhecida na região como
“a mulher da cruz”.
Começa assim, também no Lajeado Paca, o que tantas vezes se repete,
quando Deus visita o seu povo: a luta do bem contra o mal, do sim contra o não,
do Céu contra os poderes do inferno. Como Jesus um dia, também “a mulher da
cruz” inicia sua via sacra, que vai de Anás até Caifás, de Herodes a
Pilatos, da cruz ao Calvário, com o peso redobrado pela perseguição, pela
descrença e pela rejeição. Esta a saga do verdadeiro profeta, que contra nada
disso se revolta, antes segue confiado em Deus e na Sua infinita misericórdia.
Profetas lamuriantes, não vêm de Deus! Dorothea, como Jesus, também não foi
bem aceita em sua terra!
“TUA GRANDE FÉ TE CUROU...”
Na vida difícil daquela época, com as crianças pequenas e sem
empregada, é fácil encontrar a mãe de família no tanque ao lado da casa,
ocupada com um cesto de roupas a lavar. É precisamente neste afã que a Mãe do
Céu vem se encontrar com Dorothea pela primeira vez. Havia algo mais, bem mais
importante que a roupa, a ser lavado: a alma! Alma da região, a alma do povo,
que necessitava de urgente limpeza.
Como Moisés diante da sarça que ardia, Dorothea se vê surpreendida por
duas faixas luminosas, como relâmpagos, que lhe passam pela frente. A água no
tanque borbulha e parece ferver. Enquanto isso, uma doce voz assim se manifesta:
“Minha filha, foi a tua grande fé que te curou e te salvou da morte. Fé
em mim e em meu divino Filho. Penitência, penitência, penitência pelos
pecadores. Dize ao meu povo de pouca fé, que no peito tu trazes a sombra do
Deus crucificado, e que não há salvação sem confissão. A parte feminina tem
30% que fazem comunhões sacrílegas. Se meu povo não se converter, grandes
castigos hão de vir. O homem de hoje está esquecido de meu Filho. Não pensa
que Ele morreu na Cruz pelos pecados. Quantas mulheres, que comungam
sacrilegamente, só pensam na vida terrena e não cumprem com os deveres do
matrimônio. Não pensam nos milhares de crimes que cometem. Propaga a reunião
das crianças. Não temas os falsos profetas que te perseguem. Vai, e revela
isso a todos”.
Diante do incompreensível que vê e ouve, Dorothea se assusta, num
primeiro momento. Não entende o que está acontecendo. Mas, o que ela ouve é
de uma ordem e de uma urgência muito grande: “Penitência, penitência, penitência
pelos pecadores”!
A CURA PELA FÉ...
Duas coisas existem, na mensagem, que muitos custam a entender, apesar de
terem sido depois esclarecidas pela própria Virgem: 1)Dorothea foi curada graças
a sua fé em Deus e em Maria; 2) A cruz no peito lhe foi dada como sinal para
que o “povo de pouca fé” cresse naquela cura. Mas, como acontece em todas
as aparições, cumpre-se também na Santa Cruz o que depois será dito algures:
“Para quem crê nenhuma prova é necessária. Para quem não crê nenhuma
prova será suficiente”.
Mesmo assim, Dorothea insiste: “Dá-me uma prova, para que os padres
acreditem”! Ao que a Senhora responde: “A prova darei, mas hão de acreditar
por meio de castigos. Não cessarão os castigos, enquanto não atenderem ao meu
pedido”!
AS PORTAS DO CORAÇÃO!
As portas do coração humano só têm uma chave. E esta porta, só se
abre por dentro. Foi diante desta realidade que Dorothea começou sua dura e difícil
missão. Um grupo de leigos, testemunhas dos fatos, a apóia e acompanha. Outros
– a grande maioria – no início a condenam e levantam calúnias contra ela.
Frente ao que ouve de muitos e não entendendo bem se é mesmo do Céu o
que ouviu da voz invisível, Dorothea fica um pouco confusa. Asperge-se com água
benta, reza e pede para que também outros vejam, ouçam e creiam. Reza vários
terços por dia, jejua, faz novenas e outras penitências.
Diariamente, enfrentando frio, calor, chuva, ou seja, qual for a intempérie,
é sempre vista de joelhos sobre a dura pedra ao lado do tanque, onde reza o Rosário
completo.
Eis ai mais uma virtude necessária ao profeta: rezar muito, e rezar de
joelhos! Horas e horas seguidas de joelhos, sem reclamar! Assim fazia Dorothea.
Pedem sinais? Este é um!
ESTRANHO PRESSENTIMENTO
O
que se passou naquele tanque foi grandioso demais. Não poderia, de forma
alguma, ser entendido por quem não foi de fato envolvido pela esfera divinal. Não
era fácil, por isso, confidenciá-lo a alguém, por mais amigo e íntimo que
fosse. Aquela voz, tão meiga e doce, falou mais à alma que aos sentidos. Não
há palavras que a possam explicar.
No
dia 4 de março de 1944, uma sexta-feira, Dorothea havia terminado sua primeira
novena. Desde cedo se sentia envolvida por um estranho pressentimento. Está
pensativa e preocupada. Algo está para acontecer, e ela o sente no coração.
Mas, como sempre, termina seus afazeres caseiros, para depois varrer o pátio. O
dia está lindo e o sol comanda um céu sem nuvens.
De
repente, como nove dias atrás, as mesmas faixas luminosas lhe passam para
frente. E aquela voz, meiga e doce, volta a repetir a mesma mensagem ouvida no
tanque, nos mesmos termos.
A
CRUZ NA GRAMA
Ante
o mistério daquilo tudo, ante a urgência daquelas palavras, ante a necessidade
de confidenciar a alguém o que lhe vem acontecendo, Dorothea sente o coração
explodindo.
Somente
à noite, um supremo esforço, consegue abrir-se com o esposo e lhe conta o
ocorrido. Mas, o dia seguinte se abre um nova surpresa, um novo “mistério”,
para o casal Farina: a grama, em frente a casa, está secando em forma de cruz,
medindo 2,20m por 1,40m e 12cm de largura. Começa a se escrever, no chão do
Lajeado Paca, uma história que levará muito tempo para ser concluída.
SINAL
DE CONTRADIÇÃO
Quando
da sua apresentação, no Templo, Jesus foi revelado por Simeão como “um
sinal de contradição” (Lc 2,34), isto é, de queda para uns e de
soerguimento para outros. Terá esta cruz que se forma aí, na grama, a sina de
ser, também ela, sinal de contradição, como aquele Menino que veio em função
dela?
Na
sua história de conversões, também descrenças e destruições que hoje, 50
anos depois, conhecemos, forçoso nos é concluir pelo sim. Nesta sua história
de meio século, uns nela encontraram um trampolim para uma vida melhor,
enquanto outros nela tropeçaram, se feriram e caíram. Foi ao mesmo tempo uma
história de fé, de dúvidas, descrenças e testes. Foi, e continua sendo como
sinal!
Logo
que soube do fato, um padre de Erexim capinou tudo e plantou outra grama. Mas a
cruz venceu a prova. Fora dela a grama cresceu verde e bonita. Dentro da cruz,
porém secou novamente. O mesmo aconteceu outras vezes quando a terra foi
trocada, quando no local o trigo foi plantado e exames na terra foram
realizados. Até guardas colocaram para que ninguém tocasse ali.
Suspeitava-se
que a vidente a provocasse colocando soda ou sal. Os exames, porém, nada
acusaram e a cruz voltou sempre, como Dorothea havia dito desde o começo:
“Padre, o senhor pode fazer o que quiser, mas esta cruz vai voltar de novo”!
A última tentativa de destruição que a cruz sofreu foi em 1993. Um
enorme buraco, um verdadeiro poço, foi cavado sobre ela uma semana antes do seu
grande dia, a Festa de Exaltação da Santa Cruz, que a Igreja celebra a 14 de
setembro. Mais uma vez, porém, a cruz venceu e a palavra da vidente se cumpriu.
Para confusão de seus opositores e descrentes, a cruz voltou, como da outras
vezes, e lá ainda pode ser vista hoje. Querem mais sinais?
UM
CALOR ESTRANHO NO PEITO
Março
e abril são os meses que, geralmente, nos introduzem no tempo quaresmal. Tempo
em que também o povo se abre mais facilmente aos mistérios da fé. Nos anos
40, quando tudo começou no Lajeado Paca, as capelas do interior não eram
numerosas como hoje. As que existiam, não contavam com a presença da
Eucaristia, nem com acólitos ou ministros instituídos. A piedade quaresmal,
porém, reunia o povo para a Via Sacra. E foi a Sagrada Via que levou dona
Dorothea à Capela São Paulo do Rio Paca, naquela Sexta-feira, 7 de abril de
1944.
Durante
a reza ela começou a sentir um calor estranho na cruz que se formara no peito.
Disfarçadamente ela examina e percebe que a cruz está sangrando. Nela ensopa o
lenço que traz consigo e mais outros tantos que as vizinhas emprestam.
O
sangue continuou saindo toda aquela Sexta-feira, todo Sábado Santo e Domingo da
Ressurreição, até pelas 6 horas da manhã. Depois se estancou por si e não
deixou vestígios nem na camisa, nem no vestido. Só nos lenços e nuns panos
com que ela se secou ao chegar em casa.
TUDO
SE ESCLARECE
Finalmente,
no dia 14.09.44, um fato novo surge e esclarece à Dorothea todos os momentos de
angústia e do incompreensível, vivido até aqui. Estava ela de saída para a
roça quando viu por cima da cruz no chão, uma linda nuvem, branca como a neve.
Uma força irresistível a faz se aproximar. A nuvem se abre e uma claridade,
mais forte que o sol, aparece. Apesar de muito forte, não cansa a vista. Do
meio da claridade surge uma linda e incomparável Senhora de olhos azuis,
trazendo no peito uma cruz luminosa de palmo e meio, com contornos amarelos. Os
cravos da cruz lançam raios de luz em todas as direções. Por cima da cruz, o
martelo e a torquês, instrumentos da crucificação.
A
data é significativa para esta aparição. Neste dia a igreja celebra a Festa
de Exaltação da Santa Cruz. É o dia escolhido pela Mãe do Redentor para
colocar os alicerces do que virá. Os alicerces dum compromisso. Compromisso, não
só para Dorothea, mas, para todo o povo. Compromisso que, bem ou mal assumido,
será, mais uma vez, “queda ou soerguimento para muitos” (Lc 2,34).
QUERO UMA IGREJA
Se
vier da parte de Deus, uma aparição nunca acontece para trazer novidades ou
para alimentar manchetes de jornais e revistas. Acontece unicamente e sempre,
para recordar e reafirmar o que já está dito por Jesus nos Evangelhos.
Se
vier da parte de Deus, também, uma aparição não vem endereçada a um
vidente, mas é apelo e um compromisso para toda a humanidade.
Já
no início da sua pregação, Jesus abriu assim o seu projeto: O tempo se
cumpriu e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e creiam no evangelho! (Mc
1,15). E por estarmos em dívida com este projeto, o mundo e a Região do Alto
Uruguai estão necessitados, ainda, de conversão. É por isto que Nossa Senhora
da Santa Cruz, como mais adiante se chamará, desde logo começa pedindo um
lugar, um espaço físico de oração e conversão, uma igreja:
“Dize
ao meu povo que aqui eu quero uma igreja que será chamada Igreja da Santa Cruz.
Por meio desta aparição e desta igreja, muitos se hão de converter”.
O
recado é curto, mas traz em si o cerne do mistério de Cristo, o mistério da
Cruz. E prosseguiu: “Minha filha,
não chores! Vim consolar-te. Tu não eras possessa de espírito maligno. Foi
tua grande fé que te curou e te salvou da morte, fé em mim e
Estas
palavras de conforto foram, sem dúvida, um bálsamo para as feridas da vidente.
A cruz não marcava somente a grama do seu pátio. Nem a cevava apenas no peito.
Até ali, a cruz da dúvida e da incerteza marcava cada passo do seu dia-a-dia.
E continuará marcando, até o fim de sua vida, e depois dela!
“NÃO
EXTINGAM O ESPÍRITO”
Sempre
que o Céu nos dá suas mensagens, o inimigo se encarrega do contrário. A messe
do Senhor sempre conta com o joio (Mt 13,26). Onde Deus põe sua verdade, o demônio
introduz suas mentiras. Na Santa Cruz, primeiro foram os médicos que
intermediaram os enganos dos representantes da Igreja.
“Mas
foram, enganados pelo demônio”, disse Nossa Senhora.
Aos
encarregados da ceifa parece ter faltado desde o início a sabedoria de Paulo:
“Não extingam o Espírito, não desprezem as profecias. Examinem tudo e
fiquem com o que é bom” (l Tes 5,19-21). Apesar das falhas no “examinar
tudo”, porém, a Mãe do céu prossegue na tarefa da boa semente: Ela não
veio em função do prestígio da vidente fazendo-a “rica e poderosa”, mas,
em função da conversão de todos à oração e ao encontro com Deus.
Está
no coração desta pequena mensagem a chave para a solução dos grandes
problemas do homem e do mundo: Oração e mudança de vida. A oração é o
primeiro passo. Ela, depois, fará o resto. Porque tentar outras soluções que
nos levarão, fatalmente, ao fracasso, aplaudidos por Satanás? Muitos fazem
assim!
“OS CAMINHOS DE DEUS”
Uma
coisa que custamos a entender é a escolha das pessoas que Deus faz, para a sua
obra. Entre uma fofoca e outra, muitos não conseguiam admitir que Deus chamasse
uma “colona” do Lajeado Paca para as suas mensagens. Foi difícil terem
presente, que “os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos e suas
escolhas divergem das nossas” (Is 55,8).
Seja
onde for, uma coisa é certa: Deus não escolhe pessoas perfeitas para
envia-las. Nem prefere o mais sábio ou o mais falador. Prefere, sim, aqueles
que são capazes de admitir o seu “nada”, pois, somente nestes, Ele pode
revelar o Seu “TUDO”. Prefere, sim, os que se encontram munidos de
fidelidade, obediência e disposição para assumir a tarefa. Prefere, sim, os
“pequenos” que erram, para confusão dos “sábios” que nunca erram. Como
existem destes!
Deus
escolhe as pessoas como elas são. No convite e no envio, depois, Ele as vai
aperfeiçoando com sua pedagogia própria. Se Deus dependesse dos perfeitos para
agir no meio de nós, jamais haveria videntes, porque só Ele é perfeito (Dt
32,4) e só Ele conhece o íntimo de todos (Sl 139).
Talvez
seja, nos videntes, onde mais transparece a ação transformadora de Deus. Como
o barro nas mãos do oleiro (Jr 18,6) eles se deixam moldar docilmente. À
medida que se aperfeiçoam, eles próprios vão entendendo melhor a sua missão
e o jeito de nela andar. Assim, quando Dorothea um dia pergunta sobre o
significado de sua cruz no peito, a Senhora, lhe revela o chamado e o sentido na
missão: “Tu hás de levar a cruz do teu Senhor, por teu amor crucificado”.
Dorothea
quis avançar um pouco mais, e pergunta: “E
a cruz, na grama, o que significa”? Ao que a virgem lhe esclarece: “Este é
o sinal que tu pediste por meio de tua oração e de tua penitência”. “Mas
– pergunta ela ainda – por que me odeiam e caluniam tanto assim”? A
resposta, simplesmente, foi esta:
“Quando não puderes mais agüentar as calúnias recorre a mim que te
consolarei”! Foi andando que Dorothea aprendeu melhor o jeito de caminhar. E
foi neste jeito de caminhar que se lhe formaram no corpo também as chagas do
Redentor.
Se pelos frutos conhecemos a árvore (Mt 12,33), creio que Dorothea foi
um pomar suficientemente fértil de transformação evangélica. Suficientemente
fértil para revelar um vaso de barro moldado segundo Deus.
OUTROS SINAIS
Muitas
vezes Dorothea havia pedido um sinal para que também outros enxergassem e
acreditassem. Além da fonte, da cruz na grama e dos estigmas, a Virgem a
brindou ainda com estes exemplos:
Pascoal
Maffini, hoje residente em Cascavel, no Paraná, confirma, emocionado, que ouviu
distintamente a voz da Senhora revelando o seu nome à Dorothea.
Assunta
Rovani, da Capela S. Paulo, também acompanhou os fatos muito de perto, desde o
início. Como testemunha de primeira mão, portanto, lembra o dia em que se
sentiu envolta por estranha esfera apocalíptica, e uma enorme serpente, símbolo
do mal, se aproximava, ameaçadora. Estes dois fatos se deram enquanto Dorothea
tinha sua habitual aparição.
Pascoal
e Assunta são hoje parte de muitos frutos nascidos no pomar da Santa Cruz, pela
vida de oração e testemunho cristão que levam. Mesmo morando distante, hoje,
Pascoal sempre marca a sua presença fiel todos os anos na Romaria da Santa
Cruz, dia 14 de setembro.
AS
GRANDES PREOCUPAÇÕES.
Desde
as primeiras aparições, Nossa Senhora se mostra muito preocupada com as famílias
e com as crianças. Insiste na reza do Terço e na catequese
Na
visita de 09.12.44 ela volta a carga: “Minha filha, dize aos meus Ministros
que façam Associações de crianças. Que façam rezar estes inocentes que
poderão salvar o Brasil, o Santo Padre o Papa, seus ministros e os
religiosos”.
À
Dorothea, por duas vezes, ela pergunta: “Tu ensinas o Catecismo aos teus
filhos”? E ela responde: “Oração eu ensino muitas, mas o Catecismo às
vezes escapa”.
“Não,
- Responde Nossa Senhora, em tom firme – todos os dias tu deves ensinar o
Catecismo aos teus filhos. Os pais têm obrigação de fazer isto. É lá que as
crianças aprendem o caminho da salvação. Meu Filho dá sempre as luzes necessárias
pelo menos a um membro da família, para desempenhar esta missão”.
Dizendo
isto, Nossa Senhora chorou copiosamente. Sem dúvida, a força dos inocentes,
acionada diante de Deus, pela oração, tem um grande poder. E este deveria ser
um dos objetivos da nossa Catequese. Até que ponto acontece isto, na realidade?
Catequeses cada vez mais vazias, mas frias, mais falando em ecologia que em
Maria, mais falando em “cidadania” que em Jesus! Onde vamos parar?
Frente
a esta mensagem da Mãe do Céu, forçoso nos é perguntar, a quantas anda a
catequese nas famílias, hoje? É urgente que, pelo menos um membro da família
retome o que, infelizmente, a televisão lhes tirou das mãos.
O PORQUÊ DAS GUERRAS
No
mundo dos homens sem Deus, desentendimentos e guerras são uma presença
constante. Como, porém, as guerras geralmente acontecem longe de nós, em
outros paises, raramente nos questionamos sobre o motivo de tanto sangue
derramado estupidamente.
Como
fez em Fátima, também na Santa Cruz, Nossa Senhora lança uma luz sobre o
problema: “Não têm culpa os governantes, nem os exércitos, mas as artes
femininas. Dize às mães de família, que não chorem por aqueles que morrem na
guerra, de peste ou de qualquer outro modo. Que chorem sobre aqueles que elas
matam por própria culpa, sem o batismo. O número que elas matam é muito
superior aos que morrem na guerra ou de peste, no mundo inteiro. Lança-te aos
seus pés e pede-lhes, em meu nome, a vida dessas crianças que foram destinadas
a ser o sal da terra. Minha filha, o Senhor, teu Deus, foi crucificado pelo
pecado mortal. Quantas mulheres que comungam sacrilegamente, 30% só pensam na
vida terrena e não cumprem com o dever do Matrimônio”.
Dizendo
isto, mais uma vez, a Senhora chorou muito. Suas lágrimas caíam dos olhos,
mas, não chegavam até o chão. Desapareciam antes. Ela mesma nos deu este
alerta: “Se uma lágrima minha cair na terra brasileira, rios de sangue haverão
de correr”!
Foi
esta a primeira vez, e, com palavras muito sérias, que Nossa Senhora falou
muito claramente contra o crime do aborto, responsável por sangrentas guerras
pelo mundo afora. Ai dos países que aprovaram estas leis! Muitos deles irão
desaparecer da face da terra por causa deste crime hediondo! Podem ter certeza
disto! Que aguardem!
CHAMO-ME: NOSSA SENHORA DA SANTA CRUZ
É
comum Nossa Senhora se dar o nome do lugar onde aparece. Temos assim a Senha de
Fátima, de
Da
Santa Cruz, por quê? Com certeza, a Mãe do Céu quer recuperar um tesouro
perdido. O Brasil nasceu como TERRA
DA SANTA CRUZ.
Cedo demais, porém, outros interesses dominaram os recém chegados
aventureiros, fascinados com a madeira preciosa e seu valor lá fora. Cedo
demais, a Santa Cruz perdeu o espaço para o “Pau-brasil”. E depois, para o
futebol e para o carnaval... Queira Deus que nossa amada Pátria volte às suas
origens e seja de novo a TERRA
DE SANTA CRUZ.
E, quanto a nós, Nossa Senhora diz: “O Brasil é de nome católico, mas,
falta-lhe a fé. São mais numerosos e falsos que os justos”.
Foi
esta a denúncia deixada a nós pela padroeira deste nosso país.
Explica-se, pois, a insistência na oração e na penitência, junto com
o pedido de uma igreja – uma capela – para a fé e a conversão.
A
PODEROSA ARMA
A
01.06.45 Dorothea recebeu esta incumbência: “Dize ao meu povo que reze o Rosário
nas famílias. É a arma mais poderosa que Deus deixou na terra”.
Em
setembro, dia 14, a Mãe lhe passou um recado, repetido, depois, a 06 de janeiro
do ano seguinte: “Meu Filho
Onipotente está prestes a descarregar o justo e severo castigo sobre os homens
culpados na terra”.
Perguntada
sobre o que fazer para evitar isso, respondeu: “Devem jejuar nas
Sextas-feiras, respeitar o dia do Senhor e santificar a Sexta-feira Santa. Põem
meu divino Filho no sepulcro por moda e não para ser adorado. Somente alguma
velha idosa vai beija-lO com respeito e derrama lágrimas sinceras de
arrependimento. O resto dos homens fica fora do templo a profanar a religião”.
“Comunica
a todos os pequenos que rezem cinco Ave Marias, cada dia, em honra as cinco
Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela conversão dos pecadores. Os adultos
rezem todos os dias cinco Pai Nossos, na mesma intenção”.
Ainda
nesta aparição Nossa Senhora volta a insistir na organização das crianças
em associações, e lhe dá esta tarefa: “Façam uma cruz do tamanho daquela
da grama e na primeira Romaria que fizerem, seja ela levada até o morro, em
romaria, pelas crianças inocentes. Nem que sejam necessárias cem crianças
para carrega-la. Lá no morro seja ela erguida. Seja adorada, amada e respeitada
por todos os homens, e não desprezada como nos nossos dias. É por meio da cruz
salvadora que obterão o perdão e a salvação”.
“Mão
divina jamais será enganada”
Se
todos os começos são difíceis, os primeiros anos foram especialmente penosos
para Nossa Senhora e sua escolhida, no Lajeado Paca. Ataques de toda ordem,
boatos, perseguições, difamações, falsos testemunhos contra Dorothea,
inclusive atentados houve, para sufocar a obra de Deus. Não só a cruz sofreu
tentativas de destruição. Também a vida do casal Farina e a sua casa foram
alvos do fogo e até do revolver. Somente uma proteção especial de Deus
explica o fato de várias vezes terem saído ilesos de tudo.
Foi
a 06 de janeiro de 1946 que a Virgem deu à Dorothea esta consoladora segurança:
“Nem que as calúnias sejam tão numerosas como os grãos de areia no fundo
dos oceanos, não vencerão. Tudo pode ser enganado no mundo, mas a mão divina
nunca será enganada por ninguém”.
Como
o joio no meio do trigo, muitos são os desvios que o demônio consegue semear
em nossas famílias para atrapalhar e sufocar a presença de Deus. Dentre eles,
Nossa Senhora chama especial atenção para as crendices e superstições,
infelizmente, muito em voga no meio de nós.
“Se
querem a paz e a mansidão no mundo – diz ela – devem afastar as superstições
porque é pelo poder de satanás que elas existem”. A qualquer cristão, um
pouco atento à falta de paz aos desentendimentos entre os homens, não é difícil
perceber a relação disso com esses desvios da fé que Nossa Senhora nos
aponta.
Se
nós queremos a paz e o entendimento entre os povos, a condição única é
jogarmos pela janela todos esses nossos livros “científicos”, seja qual for
seu nome, para nos ligarmos e vivermos a Palavra de Deus, A Bíblia, servindo
unicamente ao Senhor, nosso Deus. Só Ele gera “paz e segurança”, vida e
liberdade para todos.
Nossa
Senhora, na mesma mensagem, prossegue: “De mil curas obtidas pelas superstições,
talvez uma seja cura real, mas mesmo esta não fica de consciência tranqüila,
porque sente que não foi pelo poder de Deus, mas sim pela busca de satanás”.
Sobre
certas diversões, Nossa Senhora também deu o seu recado: “Quantas mães de
família estão em mau lugar no inferno, por terem mal educado os seus filhos e
filhas. Quantos pecados e crimes vergonhosos se cometem nos salões de baile”!
CONFIGURADA COM CRISTO
Chamada
por Deus, Dorothea mergulhou fundo em sua união com Cristo. Ele não a brindou
apenas com Sua Cruz, com Suas Chagas. Associou-a também, vivamente, à sua Paixão,
à sua Morte, à sua Ressurreição. Fotos da época guardam os sinais das
amarras dos pés de Jesus presentes nos pés da vidente. Além disso,
testemunhas confirmam que ouviram as batidas da flagelação, a que ela
respondia apenas com gemidos de dor. Nela, como os outros escolhidos pelo mundo,
Jesus quis que tomássemos consciência dos sofrimentos que Lhe impuseram os
nossos pecados.
Nela
também, Ele nos quer chamar todos à conversão e à reparação. Explica-se,
assim este pedido da Virgem feito a 24.03.45, no qual ela nos convida a todos a
nos identificarmos com seu Filho Jesus: “Minha filha, penitência, penitência,
penitência pelos pecadores. Procura com todo o teu coração e força da alma
ter sempre presente Cristo crucificado. Jamais esqueças de te apoderar cada vez
mais dos tormentos e dores que na Cruz padeceu o meu divino Filho e o que nela
praticou e começou a sofrer com paciência. Nela acharás a tua glória eterna.
Quero que desde hoje vivas crucificada com Cristo e só vivas para os efeitos da
graça divina e que ensines ao meu povo amar a Jesus crucificado”.
“Que
sinal é esta cruz’? – pergunta Dorothea. E a Senhora lhe responde: “Não
vês que a cruz é o estandarte da salvação? Rezem pelos bispos, pelos padres
e por todos os religiosos e religiosas. Virá o dia em que vão ser perseguidos.
Muitos serão mortos, e muitos, encarnados, pelos maus. O Santo Padre o Papa
sofrerá muito por causa de tantas perseguições à Igreja e aos cristãos, por
ver tantas vítimas na guerra, fome e miséria. Esta guerra vai terminar, mas,
se não fizerem penitência, virá outra pior. A paz virá somente quando o meu
povo voltar a Deus. Tu hás de sofrer muito, primeiro a perseguição do povo,
depois, dos padres e do bispo. Mas, oferece tudo pela conversão dos pecadores
que tanto precisam. Não temas. Revela isso a todos”!
Profundamente
associada aos sofrimentos do seu crucificado, Dorothea teve todos os anos
reproduzidos em seu próprio corpo a Sagrada Paixão, Morte e Ressurreição de
Jesus. Pelas 15 horas da Sexta-feira Santa, a cruz no peito e as chagas começavam
a sangrar. Sangravam todo o Sábado até Domingo da Páscoa, pelas seis horas da
manhã. Depois o sangue parava por si e não deixava vestígios. Apenas a cruz e
as chagas permaneciam. Dia e noite, lençóis e mais lençóis iam sendo
trocados e lavados, banhados em sangue.
Cumpre
registrar que, mandado por adversários da vidente, alguém ensopou um lenço
neste sangue da vidente, para depois ser examinado
CRUZ E VIDENTE SE IDENTIFICAM
A
cruz e a vidente se identificam no Lajeado Paca. E tudo se desenrola de acordo
com a previsão da Virgem: “Tu hás de sofrer muito, primeiro, a perseguição
do povo. Depois, dos padres e do bispo. Mas, oferece tudo pela conversão dos
pobres pecadores que tanto precisam. Não tenhas medo”!
Na
cruz da grama, o único possível era tentar arrancá-la dali, mas, não houve
como. Todas as tentativas deram
A
“perseguição do povo” iniciou com a não aceitação das aparições.
Seguiram-na a calúnia, a difamação, a fofoca e os falsos testemunhos. A
“perseguição dos padres e do bispo” foi o segundo passo. Proibições e
ameaças de toda ordem lhe foram impostas. Acusações de insanidade mental e
esquizofrenia a levaram a fazer vários exames, que nada comprovaram. Pelo contrário,
deram à vidente o aval de pessoa lúcida e completamente normal.
A
última e mais dura pena imposta a ela e aos devotos de Santa Cruz foi a
excomunhão. Uma Circular foi expedida pela Cúria Diocesana contra Dorothea,
contra as aparições e contra todos aqueles que ainda freqüentassem o local
das aparições. Sobre o fato, registramos aqui o alerta dado por Nossa Senhora
à vidente, na aparição de 01.02.56: “Penitência, penitência, penitência
pelos pecadores. Rezai pelos sacerdotes de Deus, porque entre elas há muitos
que ferem meu coração e o de meu Divino Filho. Há muitos que não se importam
com a sua missão, com o catecismo das crianças e também dos adultos. Eles
necessitam da Catequese. É por meio dela que eles aprenderão a melhor servir a
Deus”.
Dorothea
volta a insistir numa prova: “Mãe querida, dá uma prova para os padres
acreditarem”. “Eles agora são confundidos pelos falsos, pelos lobos em
peles de ovelha. Provas haveria muitas, mas, os padres não querem provas. Minha
Filha aproxima-se o tempo em que o teu Pároco e o de Aratiba vão levar informações
ao bispo. Este enviará uma Circular que será lida em todas as igrejas,
proibindo os fiéis de visitar este lugar, e lançará a excomunhão. Mas isto não
é aceito pelo meu Divino Filho. Eles não podem tirar a fé de meu povo. Eles têm
que pensar no que fez meu Divino Filho na Quinta-feira Santa. Ele se deu em
alimento e os padres proibindo, um dia hão de dar contas à justiça divina por
todas as comunhões dos fiéis, que comungavam em sufrágio das almas, pela
conversão dos pecadores e por suas famílias que tanto precisam. Os padres não
podem prejudicar a fé de meu povo”.
“Muitos farão comunhões espirituais, e isto será aceito por meu
divino Filho. Ele, na sua paixão, suportou tudo pela salvação de todos e hoje
está no Sacrário dia e noite. E quantos católicos passam na frente da igreja,
lá está meu divino Filho e Salvador, e não têm tempo de Lhe fazer uma
visita, dizer-Lhe, nem que seja uma só palavra de amigo, fazer o Sinal da Cruz.
Nem ao menos levantam o chapéu ao saber quanto Ele sofreu por vós. Pensai e
meditai na Paixão de meu divino Filho, e jamais pecareis”!
O SEQÜESTRO
A
história das aparições de Nossa Senhora registra vários seqüestros dos
videntes, pelo mundo. Fátima, Garabandal e Medjugorje são talvez, os mais
conhecidos. Não é de se estranhar, por isso, o seqüestro de que foi vítima
também, a “colona” Dorothea do Lajeado Paca. Faz parte da anunciada
“perseguição dos padres e do bispo”. É por isso que Dorothea reagia a
tudo com muita calma, com admirável serenidade. Sabia onde colocar tudo. E
resignada, aguardava que tudo se realizasse.
Foi
assim que um dia, foi levada de sua casa pelas autoridades religiosas, sem que
alguém soubesse para que e para onde. Dias depois, ela foi localizada pelo
povo, num hospital da região. Ali ela havia sido submetida a maus tratos e nem
mesmo uma terrível injeção de 25 centímetros de éter a reduziu ao silêncio.
E quando a cruz no peito e as chagas começaram a florescer, engessaram-na dos pés
à cabeça para ver no que daria. Como satanás, pode usar e enganar as pessoas!
Para
espanto do todos, numa aparição que ali teve, portas e janelas se abriram por
si, revelando sua presença ao povo que a procurava em toda parte. Em nenhum
momento teve Dorothea algum sentimento de revolta contra os seus agressores. A
pedido da Virgem, rezava por eles e recomendava que todos fizessem o mesmo.
O
seguinte fato ilustra bem esta sua atitude: Estando um dia a tratar os animais
na estrebaria, foi inesperadamente atacada por uma vizinha. Um filho que estava
por perto percebeu o ataque e veio em socorro da mãe. Quando a agressora se pôs
em fuga um estrepe a feriu na perna. Dorothea a socorreu, limpou o ferimento e
enfaixou a perna com o avental que usava e lhe disse: “Agora, vai para casa.
Um dia você virá aqui para rezar”!
Não
demorou muito, a agressora voltou em lágrimas e se juntou ao povo em oração,
diante da cruz.
INCERTEZAS E INSEGURANÇAS
O
que talvez mais caracteriza o final do século em que vivemos é a incerteza e a
falta de segurança. O povo não tem paz nem segurança. Nem mesmo, na própria
casa. Os recursos e os bens da vida, cada vez mais se concentram e se fecham em
poucas mãos. As possibilidades de emprego se tornam dia por dia mais remotas,
com as máquinas disputando o espaço do homem.
As
ruas, com seu vai e vem, desenfreado e delirante, com seus assaltos e seqüestros,
já não podem fornecer a ninguém a certeza do regresso ao lar. E quem põe sua
segurança à arma que leva, acaba armando mais um delinqüente para os crimes
de amanhã.
A
única segurança, provinda da proteção divina, se tornou distante, quase
impossível, porque já não acreditamos em Deus e não O invocamos. A segurança
e a paz que assim procuramos, sem Ele, não existe.
O
homem de hoje precisa, com urgência, dar uma volta muito grande nos rumos de
sua vida. Estes rumos nos vêm definidos pela Mãe do Céu, na sua mensagem de
06.03.57: “Minha filha, penitência, penitência, penitência pelos pecadores!
Pobres filhos, como são ingratos e pecadores! Minha filha humilha-te diante de
tantas perseguições e calúnias. Dize-lhes aquelas benditas palavras do meu
divino Filho, proferidas na crucificação: ‘Meu Pai, perdoai, porque não
sabem o que fazem”!
E
diz mais: “Minha filha, não temas. Vai comunicar aos corações mais
empedernidos que não vão a Missa, que rezem o Santo Rosário nas famílias.
Como o meu coração está triste e amargurado ao ver tantas críticas e calúnias
sobre os meus ministros. Vós bem sabeis que não há salvação sem confissão.
Os homens querem a paz, mas a paz sem Deus de nada lhes servirá. A paz voltará
só quando o povo voltar para Deus”.
A
Virgem estava muito triste naquele dia, e Dorothea lhe pergunta: “Mãe
querida, qual é o motivo de tantas lágrimas e qual é o pecado que mais vos
desagrada?”
Foi
esta a resposta: “Minha filha, são essas publicações falsas que ofendem a fé,
com tantas fotografias e modas escandalosas nas revistas e nos jornais que não
são verdadeiramente católicos. Meu Divino Filho não permite isto nos lares
católicos. Estes jornais e revistas poderiam espalhar um bem imenso se fossem
verdadeiramente católicos. Mas, em vez disso, estão envenenando o universo
inteiro. A verdadeira Igreja de Cristo é a Católica Apostólica Romana... As
outras são inventadas pelos homens sem fé. Quantos católicos há, que são tão
fracos que se deixam iludir pelos falsos, como a maçonaria, o espiritismo, o
comunismo e outras mil religiões e superstições”.
“Minha filha, em vez do Terço nas famílias, há os cinemas livres,
imorais, decretos ímpios e leis contrárias à Lei Divina. E há os crimes
destas mães modernas e criminosas, blasfêmias, injúrias, sacrilégios,
rancores e ódios, e estes malditos salões de baile que são a própria rede de
satanás. Os homens permanecem na mais dura incredulidade, desumanos e
pecadores. A cruz salvadora está desprezada em toda parte. O nome do meu divino
Filho é arrastado pela lama dos homens pecadores. Os 10 mandamentos não são
mais observados. Muita prudência com aqueles que vêm a vós vestidos de peles
de ovelha e por dentro são lobos ferozes”.
“Minha
filha, se todos os católicos rezarem o Terço e forem à Missa, o Anjo da paz não
tardará a descer sobre a terra. Mas, se não fizerdes penitência... O tempo é
grave, a nuvem maldita do comunismo quer cobrir o Brasil. Rezai, filhos meus,
para que se aplaque a ira de Deus. Porque ela está derramada sobre as Nações
e não tardará chegar ao Brasil se não fizeres penitência”.
A
paz que os homens procuram, vimos na mensagem anterior, esta paz sem Deus que
pretendem, não existe. A paz é o desejo de Deus. Foi oferecida “aos homens
de boa vontade” (Lc 2,14). Tem algo em comum com a “Terra Prometida”: Só
será possível para um povo realmente disposto a arrancar pela raiz todo o
sistema de vida e de governo que explora e oprime (Deut 25,13-16). Esta foi a
exigência. Este é o preço.
A
paz somente nos pode vir como fruto de uma vivência segundo Deus, numa
sociedade fraterna, aberta à partilha e à igualdade entre todos. Foi com estes
requisitos, e somente com eles que a terra, prometida a Moisés “ficou em paz,
sem guerra” (Jos 11,23c), depois de repartida entre todos por Josué.
A
experiência deste povo e as mensagens de Nossa Senhora nos mostram que terra e
paz vêm pelo mesmo caminho: o caminho da fidelidade de Deus que passa pela
justiça, pela partilha e pela fraternidade entre todos. Numa palavra, pelo
caminho da conversão, sem o que, o povo não terá nem terra, nem paz.
Em
outra mensagem Nossa Senhora esclarece isto ainda melhor, com um outro enfoque:
“O mundo não terá paz enquanto os ricos e os governantes não estenderem a mão
aos pobres”.
Esta
paz parece hoje mais difícil do que nunca, porque tem como preço a conversão
dos homens. Este é o caminho. E não há outro. É por isso que a Rainha da Paz
insiste: “Esta guerra vai terminar, mas, se não houver conversão e penitência,
virá outra pior”. E virá. E está mais próxima do que se imagina!
CONVERSÃO E PENITÊNCIA
Há
pessoas que julgam ter feito a suficiente com algumas orações decoradas na infância
e com a missa dominical – quando vão! Fazem como aquele padre que avaliou sua
obediência ao bispo com uma escala de um a dez: “Ficando no um isso não quer
dizer que eu seja um desobediente”, concluiu. Ora, obedecer a apenas uma em
cada dez ordens do bispo não é somente desobediência; é cuspir nos votos
sagrados, feitos diante da Igreja e de Deus!
Com
certeza, a obediência evangélica não havia penetrado ainda no espírito, e no
interior daquele padre. Como também, o espírito de oração está longe de
quem se limita à oração da manhã e à Missa dos Domingos.
O
pedido da penitência e da oração sugere bem mais que um simples cumprimento
dum dever. Cristo não submeteu Sua obediência ao Pai a uma escala de um a dez.
Nem levou sua Cruz por obrigação. Assumiu-a inteira por amor. E sua obediência
ao pai foi de 100%.
A
cruz, aliás, deve também voltar ao interior a ao espírito da Igreja dos
nossos dias. Ela também está necessitada de urgente conversão. Onde estão,
por exemplo, as penitências quaresmais de outrora? Por que sumiram, tanto da
vida como dos preceitos que hoje nos regem?
Não
o perguntemos, porém, à Igreja ou ao Papa. Se o Vaticano II confiou à nossa
liberdade de escolha os ilusórios substitutivos de penitência, é à nossa
liberdade que devemos perguntar sobre o que fazemos ou deixamos de fazer com
eles. A quem se dispõe segui-lo, Jesus propõe a cruz como parte integrante da
vida (Mc 8,34). Queiramos ou não, a cruz nos acompanha nos caminhos da vida. Ou
é livremente assumida, por amor, ou se torna uma incômoda pedra em nosso
sapato. É por isso que Nossa Senhora da Santa Cruz implora:
“Minha
filha, penitência, penitência, penitência pelos pecadores. Não vês que a
cruz é o estandarte da salvação? Rezai pelos bispos e padres e por todos os
religiosos, porque virá o dia em que vão ser perseguidos, muitos serão
mortos, e muitos encarcerados pelos maus. O Santo Padre o Papa há de sofrer
muito por causa de tantas perseguições à Igreja e aos cristãos, por ver
tantas vítimas de guerra, fome e miséria. Esta guerra vai terminar, mas, se não
fizerdes penitência, virá outra pior. A paz virá, quando o meu povo voltar a
Deus. Tu hás de sofrer bastante, primeiro, a perseguição do povo. Depois, dos
padres e do bispo. Mas, oferece tudo pela conversão dos pobres pecadores que
tanto precisam”.
“Minha
filha, procura com todo o teu coração e força de alma ter perpetuamente
presente Cristo Crucificado e jamais te esqueças de apoderar cada vez mais os
tormentos e dores que na Cruz padeceu meu divino Filho e o que nela praticou e
ensinou a sofrer com paciência. Nela acharás a tua glória eterna. Quero que
desde hoje vivas crucificada com Cristo e só vivas para os efeitos da graça
divina e que ensines ao meu povo amar a Jesus crucificado. Não tenhas medo.
Revela isto a todos”.
QUERO UMA IGREJA AQUI
No
dia 14.09.45, a Virgem mais uma vez assim pede: “Minha filha, penitência,
penitência, penitência pelos pecadores. Vai dizer ao teu pároco que aqui eu
quero uma igreja, que há de se chamar IGREJA DE SANTA CRUZ”.
A
vidente responde: “Ele sabe, mas diz que não tem tempo para isso”!
“Ah
sim, minha filha, vai dizer-lhe de novo. Se ele não me atender será perseguido
e caluniado e o bispo vai transferi-lo. E vai gastar todo o tempo que tinha para
provar a aparição em troca até de lágrimas. Depois ele acreditará. Reza
pelo outro, para que não se deixe iludir pelo demônio e pelos maus amigos”.
“Mas,
dai-me uma prova – insiste Dorothea – para que os padres acreditem!”
“A
prova darei, mas hão de acreditar por meio do castigo. Não são mais dignos de
prova divina. Não tenhas medo. Vai dizer ao meu povo que reze o Rosário que é
meio seguro de salvação. Porque se não fizerdes penitência, Deus vos mandará
pestes aos animais, que depois se transmitirão ao corpo humano.”
Vindo
do céu, este alerta nos chama a uma reflexão urgente. Frente a ele, o homem de
hoje precisa, com urgência, repensar sua vida, sua história, seus valores,
seus costumes, seus relacionamentos, suas escolhas. Bênção ou maldição o
homem escolhe. E infelizmente, quase sempre ele escolhe errado.
Aarão
observa: Estas pestes anunciadas pela Virgem, já estão ai. Já tivemos o
problema do vírus Ebola, vindo do macaco. Depois tivemos a SARS, derivadas de
animais, e agora temos a chamada gripo do frango, matando pessoas no Sudeste asiático.
Vale lembrar que este vírus já foi detectado também nos porcos da região e
os cientistas temem que estas rápidas mutações atinjam os seres humanos. E
atingirão, porque os homens não escutam mais os avisos de Deus. Logo isso se
alastrará pelo mundo! E virão coisas ainda piores que a doença da “vaca
louca”! Isso começará a acontecer com os próprios homens!
NOVO NOME DA MALDIÇÃO?
Refletindo sobre o doloroso momento que a humanidade vive hoje, uma
pergunta se faz necessária: Seria a AIDS o novo nome da maldição que Nossa
Senhora anuncia e que a humanidade colhe nos levianos caminhos andados à
revelia de Deus?
Sim
ou não, frente à advertência de “uma peste dada aos animais, com a
posterior transmissão ao corpo humano”, é preciso curvar-se diante de dados
que parecem apontar para isto.
Sim
ou não, é urgente encararmos com mais serenidade, a nossa condição e
dignidade de filhos de Deus.
Sim
ou não, é urgente entendermos que a busca do prazer não pode pretender o
primeiro lugar, e muito menos, ser o objetivo único da nossa vida.
Sim
ou não, a AIDS precisa, urgentemente, ser repensada. Não a partir de
preservativos, farta e gratuitamente distribuídos durante o diabólico
carnaval. Precisa ser repensada a partir da nossa responsabilidade e dignidade
de seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus (Gen 1,26).
Fora
disso é difícil crer em boa vontade em soluções que, em vez de preveni-la, a
promovem e multiplicam. Muitas famílias e muitas vidas já pagaram alto demais
pela libertinagem, camufladamente promovida pelo poder público.
Valha-nos
a sorte de Sodoma e Gomorra, “destruídas para exemplo do que acontecerá com
os ímpios” (II Pd 2,6).
Valha-nos
o alerta de Jesus à sua mensageira Vassula: “Os demônios invejam os homens
de hoje, pois estes conseguiram suplanta-los na maldade e naquilo que agrade a
Deus”. Maldição ou não, o homem de hoje parece submergido, vítima da própria
depravação que criou.
Na
carta aos Romanos, Paulo nos lembra que “Deus os entregou a paixões
vergonhosas... cometendo atos torpes entre si, recebendo dessa forma em si próprios
a paga pela sua aberração” (Rom 1,24-27). Estaria ele retratando o mundo de
hoje, voltado ao prazer como objetivo único? Tudo leva a crer que sim!
A
mesma advertência nos foi dada pela mãe do Céu, na sua mensagem de 14.09.51:
Penitência, penitência, penitência pelos pecadores. Se meu povo não se
submeter a fazer penitência, vejo-me forçada a deixar cair grande castigo. Os
dez mandamentos não são mais observados. O nome de meu Divino Filho é
arrastado pela lama da mais terrível blasfêmia. O dia do Senhor é profanado
sem respeito. Cometem mais pecados, num só dia Santo, que em seis dias de
trabalho. Quantos homens correm para a perdição do mundo, precipitam-se no
gozo e no abismo dos prazeres. A multidão dos pecados que cometem é tal que
meu coração está afogado numa torrente de amargura e de tristeza.
Ai
do mundo por causa do escândalo, da blasfêmia, da inveja e da calúnia, e do
desprezo do dia do Senhor. É esta a causa de grandes castigos nas famílias a
na colônia. E esses malditos salões de baile, que são a rede do próprio
satanás. Pobres jovens, quantas almas que caem no inferno como a chuva de neve
que quase fecha o clarão do dia. O povo é pior que no tempo do dilúvio. A ira
de Deus está derramada sobre as nações e não tardará a chegar no Brasil se
não fizerdes penitência. Eu vos prometo, se todos os católicos rezarem o Terço
todos os dias, o Anjo da paz não tardará a descer sobre a terra. Mas, se não
fizerdes penitência, os tempos serão graves. Rezai, rezai, filhos meus, para
que se aplaque a ira de Deus!”
“PENITÊNCIA PELOS PECADORES!”
Em
todas as suas manifestações à Dorothea, Nossa Senhora começa, com a insistência:
“Penitência, penitência, penitência pelos pecadores!”
Na
aparição de 02.03.49 ela volta a pedir que se reze o Rosário nas famílias:
“... pois quando todas as famílias cristãs rezarem o Rosário diariamente, a
Rússia se converterá e o comunismo terminará, e darei a paz ao universo
inteiro. Se não me atenderem, virá um castigo tremendo. Os homens permanecem
na mais dura incredulidade, desumana e pecadora, vivendo numa vida mundana, só
preferem a riqueza, gozar, tudo para o corpo e não pensam um instante na alma.
“O que vale ganhar o mundo inteiro, se não salvarem sua alma que será
condenada ao fogo eterno?” Rezai e fazei penitência, que eu estou chorando
por vós e mais tarde chorareis vós pelo clamor dos que não rezam e perseguem
a religião de Cristo. Rezai, filhos meus, rezai também pelos meus ministros e
religiosos.”
No dia 14.09.49 ela volta a pedir oração e penitências pelos
pecadores: ... “As mães cristãs são poucas que se submetem severamente ao
Sacramento do Matrimônio. Milhares de crimes se cometem nestes malditos salões
de baile. Quantos pecados escandalosos. E quantas crianças que ainda não sabem
fazer o santo Sinal da Cruz. O Sinal da Cruz recorda a Cruz de meu Divino Filho
e os cristãos deste tempo opõem o Sinal da Cruz as supertições dos pagãos.
Os homens pretendem a paz sem Deus. De nada lhes servirá. Se não fizerdes
penitência, oração e sacrifício, o Brasil se tornará uma nova Rússia”.
Vai,
e dize ao coração mais endurecido que vá a Missa no dia do Senhor. Que se
reze o Rosário em todas as famílias cristãs. Onde não ouvem a tua voz,
faze-o ouvir por outros. Não tenhas medo e revela isso a todos”.
A SALVAÇÃO NOS VEM PELA CRUZ
Somente
pela cruz nos vem a salvação. Por isso, no caminho de todos os videntes,
encontramos a cruz da perseguição, da calúnia e da rejeição. Não poderia
ela faltar também no caminho e na vida de Dorothea. Ao cristão comum falta, não
raro, o entendimento da cruz. É por isso que, tantas vezes, a evitamos.
Na
vida dos videntes ela é o fogo purificador que comprova a qualidade do ouro.
Cruz e sofrimento são partes integrantes, no seguimento de Cristo. Eles são a
porta por onde encontramos o coração de Deus, revelado assim por Maria:
“Minha filha, humilha-te diante de tantas perseguições e calúnias.
Oferece os teus sofrimentos pela conversão de quem te persegue e calunia.
Deseja, como meu divino Filho, aquelas benditas palavras proferidas na crucificação:
‘Meu Pai, perdoa, porque não sabem o que fazem’! Minha Filha, tu não podes
imaginar o quanto agrada ao meu divino Filho e a mim e quantas almas arrancaste
ao demônio e conduziste ao caminho da salvação. Mas, é preciso que sofras
muito ainda. O mundo está na desolação. Os homens, afogados nos prazeres e no
gozo. E quantos pecados que cometem com estes dias carnais de satanás. Se
continuarem assim, em breve meu divino Filho renovará a face da terra”.
Além
das demais cruzes que perpassam os caminhos dos videntes, encontra-se também a
das proibições das autoridades. E esta se coloca em especial desconforto
diante das mensagens do Céu. Não é fácil obedecer ao Céu quando, na terra,
seus representantes, o proíbem. É nestes casos, talvez, que mais necessitamos
do discernimento e do bom senso, para “obedecer antes a Deus que aos homens”
(At 5,29).
Foi
esta também, a única saída para Dorothea no cumprimento da sua missão. Mesmo
assim, ela não deixou de expor o caso à Virgem, que assim a aconselhou:
“Minha filha, obedece onde é para obedecer... Reza muito pelos padres e pelo
bispo”!
A SAGRADA FAMÍLIA
Era
11 de fevereiro de 1958. Como havia prometido, a Senhora se apresentou com o
menino Jesus e São José. Foi ela que falou primeiro: “Minha filha, hoje é a
data que te prometi visitar a terra com minha família. Vê o que as tuas
visitas humanas podem ver hoje”.
Abre-se
um grande clarão, com a presença encantadora do Menino Jesus e São José.
Jesus trazia na mão esquerda um globo azul e preto. Apresentou-o, dizendo:
“Vejam o mundo e o pecado. É com os pecados da humanidade que ele se tão
pesado”. Fez um gesto de querer deixa-lo cair. Nossa Senhora, porém, pôs sua
mão por baixo e o fez levantar, mantendo-o erguido.
São José falou, dizendo:
“Dize ao povo que me invoque. Sou o protetor da boa morte. Quem rezar
diariamente um Pai Nosso, uma Ave Maria e um Glória, não o deixarei morrer sem
Sacramentos e o assistirei nas últimas horas da vida terrena”.
Mostrou à vidente uma medalha que tinha no lado a sua própria imagem
estando a morrer nos braços de Nosso Senhor. E no outro lado, a imagem de Nossa
Senhora com Jesus morto nos braços. E disse:
“Vai, e dize ao Pároco que mande cunhar esta medalha para que todo o
povo a carregue. É meio seguro de salvação e arma poderosa contra as ciladas
do demônio”.
OUTRA MEDALHA
Nesta
aparição de 11.02.58, Nossa Senhora ainda fez referência a outra medalha,
entregue a Dorothea na visita anterior, de 6 de janeiro. Seu simbolismo profundo
nos sugere apresenta-la. Trata-se de uma medalha, especialmente pesada, para o
seu tamanho. Ela mesma explicou: “O peso é o pecado da humanidade. Quando
deixarem de ofender meu divino Filho, o peso irá diminuindo. Quanto mais
ofensas, mais pesada ficará. Por enquanto, não a mostres a ninguém. Eu virei
avisar-te em particular quando é para ser revelada”.
Dorothea
lhe perguntou: “E ao Pároco, deverei mostrá-la”?
“Não.
Deixa-o continuar na sua incredulidade. Ele está orientando os padres, o bispo
e o povo, e protesta contra as minhas palavras”.
“Minha
filha, olha a ciência. Só se serve, em vez de melhorar o mundo, dar a paz e a
tranqüilidade à humanidade e a harmonia entre os povos. Se continuar assim, vós
haveis de ver os maiores perigos já postos pela ciência nas mãos dos homens.
A humanidade está à beira de uma grande guerra atômica, arma diabólica e
destruidora. A ciência, em vez de estudar, reconhecer e adorar a onipotência
de meu divino Filho torna o homem enfatuado e imponente. Em vez de tais inventos
aproximarem o homem de Deus, Dele o afastam. A humanidade está construindo uma
nova torre de Babel”.
Disposta a fazer sua parte na difícil missão, Dorothea volta à carga:
“Mãe querida, dá uma prova para que padres e povo tenham a certeza da vossa
aparição e acreditem nas vossas palavras! Eu ofereço o a minha vida, mas, dá-lhes
uma prova!”
Em resposta, a Senhora lhe diz: “Minha filha, só esta cruz no chão
seria prova suficiente. Mas, vou dar mais uma prova. Vou te dar uma medalha que
representa as minhas dores, a Paixão de meu divino Filho e o mundo. A parte
azul são os católicos. Vê como são numerosos os maus e como são poucos e
fracos, os católicos. Em muitos lugares são mais numerosos os maus. É por
isto que devo deixar acontecer as coisas anunciadas, por que, por elas, muitos
se salvarão. Isto não será em 1958 ou em 1959 que está aí. Deus deu mais um
pouco de tempo para o povo melhorar, mas é inútil. Vivem obstinados no pecado.
O povo de hoje só pensa nas coisas terrenas, estuda para inventar sempre coisas
novas e nunca tem a consciência em paz, por mais que saiba e por mais riqueza
que possua. Tudo isto, porque está afastado de Deus que, só Ele, pode trazer a
paz. Os mandatários não querem reconhecer meu divino Filho. É por isso que
somente há confusão no povo”.
NOVAS
REVELAÇÕES
Já em 1958 Nossa Senhora aborda, no Lajeado Paca, assuntos que serão
muito freqüentes em aparições posteriores. Suas observações sobre a ciência
usada à revelia de Deus são muito sérias. Se a ciência e as novas
descobertas fossem dirigidas a favor da saúde e da vida, certamente já não
teríamos doenças incuráveis no meio de nós. Na verdade o homem não sabe
para onde o levam seus passos e seus inventos, sem Deus. Muito em breve, sem dúvida,
estará num “beco sem saída”, com “os maiores perigos, já postos pela ciência,
em suas mãos”.
Penso
que bastaria lembrar as festejadas filas de ovelhas e seres humanos já
produzidos em laboratório, para nos darmos conta de um terrível passo, já
inaugurado, de uma ciência na contramão de Deus. Viram o caso da ovelha Doly,
que morreu prematura e apodreceu em poucas horas?
Mas,
não é apenas neste aspecto que a ciência e os “novos tempos” se mostram
criativos na agressão de Deus. Posto no caminho do mal, o homem nele evoluiu.
Clubes de recreação, praias, bailes, esportes, lazer e artes. Já é comum
transformarem tudo isto em focos de ofensa a Deus e à dignidade humana.
“Como
alegra o meu coração este povo reunido a rezar”! Mas, não pôde esconder
também sua censura diante dos males presentes na sociedade: “Mas quantos nos
cafés, nos bailes e nas praias. Quantas jovens e donzelas desonestas com estas
malditas modas que só servem para envenenar o universo inteiro. E eu dei ao
mundo o Salvador para salvar todos os homens. Tu lhes deves falar sobre a Sua
grande misericórdia e prepara-los para a Sua Segunda Vinda. Ele virá não como
misericordioso Salvador, mas como reto Juiz. Esse dia terrível já está
decretado. É o Dia da Ira e da Justiça de Deus. Os anjos tremem diante
dele”.
Minha
filha, fala aos homens sobre a grande misericórdia do coração do Salvador,
enquanto ainda ha tempo de piedade. Se agora ficares silenciosa, nesse dia terrível
ficarás responsável por um grande número de almas. Não tenhas medo. Mantém-te
fiel até o fim, que eu estarei a teu lado”.
Apreensiva,
novamente Dorothea lhe expõe o problema da não aceitação por parte do clero.
A Senhora lhe responde: “Reza muito. É o bom Deus que permite isto para teres
mais recompensa no Céu e para salvar muitas almas. É por meio do sofrimento
teu, que aquele sacerdote não caiu em perigo maior. Isto feriu muito meu coração
e o de meu divino Filho.
O
demônio anda solto. Ele procura tirar os religiosos dos conventos para
desprezar as coisas santas e derrubar a Igreja. É por isto que meu coração
está hoje muito amargurado. O demônio sabe quantas almas um padre pode salvar,
ou um religioso ou uma irmã, dos quais ele tem uma inveja imensa. Experimenta
todos os modos para seduzi-los ao pecado, e por isso devem rezar muito e muito
por eles”.
OS FRUTOS APARECEM
É
sabedoria do Evangelho que “toda árvore boa produz bons frutos” (Mt 7,17).
E os mais selecionados canteiros de mudas de Maria, são com certeza os locais
de suas aparições. Ali, as sementes são constantemente regadas pela oração
e pela penitência de muitos, e pela vida dos videntes.
Também
no Lajeado Paca, frutos especiais foram anunciados pela Virgem, na aparição de
18 de fevereiro de 1953: “Vês aquele pecador, já convertido. E hoje, mais um
dá de se converter. Pede-lhe, em meu nome, que se confesse. Ele te obedecerá”.
Não
sabendo de quem se trata, Dorothea pergunta: “Mas, quem é essa pessoa?”. A
Senhora lhe responde: “É o primeiro que vai te pedir um copo de água.
Pede-lhe, em meu nome, que se confesse”!
Soube-se,
depois que, realmente, J. C. andava afastado da religião e já fazia 25 anos
que não se confessava mais. No mesmo dia, ele foi até Erexim e pôs sua vida
em dia diante de Deus. A partir dali, viveu fielmente sua vida cristã.
Além
das muitas curas espirituais ali realizadas, inúmeras são, também, as curas físicas
obtidas pela intercessão de Maria, como atestam as placas de “graças alcançadas”
que circundam a imagem da Mãe da Santa Cruz, no Santuário. A elas todos os
anos se acrescentam mais outras, nas Romarias de 14 de setembro.
Junto
com o interesse por aquele pecador, na visita de 18.02.53, Nossa Senhora teve
ainda outros pedidos a fazer: Minha filha, penitência, penitência, penitência
pelos pecadores. Como está triste meu coração ao ver tantas almas que se
perdem, principalmente aqueles sacerdotes que ofendem o meu coração e o de meu
divino Filho. Eu quero que tu comungues na primeira Sexta-feira por aquele
sacerdote que, se salvará, sim, mas é preciso que sofra muito ainda. Não
temas.
Vai dizer ao meu Ministro que aqui eu quero uma igreja, muitos se hão de
converter. Bem sei que não te acredita e te persegue, te calunia, e desprezará
as minhas palavras. Não quer acreditar. Sei que vão fazer antes um Seminário
e um Santuário em homenagem à minha aparição na Cova da Iria, mas poucos
milagres farei, até que não fizerem a igreja que há tanto tempo estou
pedindo. Eu não quero uma igreja grande, mas a fé do meu povo quero que
aumente. Revela isto a todos”.
Já vimos, desde o início das aparições Nossa Senhora está a pedir uma igreja para a oração e a conversão do povo. Seguido ela cobra isso da Dorothea. Só depois, muito depois, o povo lhe fe