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O FUTURO DA IGREJA
Nos últimos dias, em pequenos avisos recebidos, tenho sido instado
a escrever sobre o futuro da Igreja. Aproveito então colocar abaixo
parte das visões tidas pela grande mísitica Ana Catarina Emmerich, relativas
ao calvário final da Igreja e a sua reconstrução rumo a Jerusalém Celeste.
Algumas explicações serão dadas ao texto, que infelizmente recebi traduzido
do espanhol por um programa de computador e nem sempre consegui dar
a fidelidade devida. Desconheço a fonte, a autoria e o remetente.
A demolidora obra da maçonaria eclesiástica e laica nas Visões
e Revelações à Venerável Ana Catalina Emmerick ” Tomada do
Livro 3, Cap.XXV “Visões do Anticristo e do triunfo da Igreja”.
Introdução.
Entre o cúmulo de visões de acontecimentos passados e presentes, em
alguns dos quais intervém misteriosamente Ana Catarina, alude-se reiteradas
vezes à luta dos poderes das trevas contra os filhos da luz. Algumas
podem ser consideradas proféticas, porque se referem a certos acontecimentos
ocorridos com posterioridade à morte da vidente e a nossa época (então
final da guerra de 1939). Entre outras, aplanasse quadros que julgamos
apocalípticos, como os que descrevem a desolação da terra, a apostasia
das massas, as tribulações dos cristãos sob o reinado do Anticristo
e o Triunfo glorioso da Igreja de Cristo.
A visão da besta “do mar” é semelhante à consignada no Apocalipse, com
o adicionado, sobre o texto canônico, de que o monstro tem fila de peixe
e várias cabeças que formam como uma coroa em torno da maior. As notas
nas páginas contribuem a identificar algumas destas cenas com as de
São João, cujo maravilhoso livro era desconhecido pela estigmatizada
de Dülmen (Região da Alemanha onde nasceu e morreu Ana Catarina).
1. Maquinações dos malvados contra a Igreja. (Oitava de Natal de 1819)
Vi à Igreja de São Pedro e a uma grande multidão de homens afanados
em destruí-la, enquanto outros trabalhavam em restaurá-la. Os trabalhadores estavam espalhados
por todo mundo e me admirava a conformidade de seus trabalhos. Os obreiros
que tratavam de destruir o templo, arrancavam pedaços do mesmo; entre
estes distingui a muitos hereges e apóstatas. Trabalhavam de acordo
a certas regras os que levavam mantos brancos, com bolsos, bordados
com faixas azuis e planas sujeitas à cintura. Estavam vestidos com toda
classe de trajes; entre eles tinha homens altos e corpulentos, com uniformes
e estrelas; mas estes não trabalhavam, senão que indicavam nos muros,
com a plana, onde e como tinham de demolir.
Vi com espanto que entre eles tinha sacerdotes católicos. Às vezes,
quando não sabiam como demolir, acercavam-se a um dos seus, que tinha
um grande livro, no qual parece que estava indicado como estava feito
o edifício e a maneira de derrubá-lo. Depois assinalavam com a plana
uma parte dele, para que fora destruída, a qual, efetivamente se derrubava.
Os que derrubavam o edifício faziam calma e seguramente, mas com timidez,
secretamente, postos como em espreita.
Vi ao Papa em oração rodeado
de falsos amigos, que muitas vezes faziam o contrário do que se lhes
mandava (A). Vi a um homem malvado, negro e de baixa estatura, trabalhar
muito ativamente contra a Igreja. Enquanto o templo era destruído por
estes em alguma parte, reedificando outros por outra parte, mas sem
energia nem vigor. Vi também muitos eclesiásticos a quem conhecia entre
eles o Vigário Geral, cuja vista me causou muita alegria. Passou sem
turvar-se por entre os demolidores e dispôs o necessário para a conservação
e restauração do templo.
(A) Esta frase é profética e
se refere à situação deste papa e dos últimos. Ela na verdade quase
não conseguem mais trabalha, porque imobilizados por um segundo escalão
desobediente, que muitas vezes faz o contrário do que o papa quer, e
ainda por cima usa malignamente o nome dele.
Vi também a meu confessor levar uma grande pedra, dando um bom rodeio.
Vi outros sacerdotes, preguiçosos, rezar as horas com seu breviário
e levar, muito de vez em quando, alguma pedrinha sob os hábitos ou alongar-se
a outros. Parecia que nenhum tinha confiança nem gosto no trabalho,
já que trabalhavam sem direção
e sem saber o que faziam.
Aquilo era aflitivo. Já estava destruída a parte anterior da Igreja
e não ficava em pé mais do que o Sacrário. Eu estava muito triste, pensando
onde se acharia aquele homem com veste vermelha e bandeira branca, que
se me tinha representado outras vezes sobre a mesma Igreja, salvando-a
da destruição.
2. A Santíssima Virgem protege
a Igreja.
Então vi a uma grande Senhora, cheia de majestade, que vinha pela grande
vaga que há adiante do templo. Tinha um manto estendido, sujeito com
ambos os braços e se movia impassivelmente no ar. Deteve-se no alto
da cúpula e estendeu seu manto, que brilhava como o ouro, sobretudo
o recinto da igreja.
Os demolidores deixaram de trabalhar naquele momento. Quiseram prosseguir
sua obra de destruição, mas não puderam acercar-se ao espaço protegido
pelo largo manto. Enquanto os que trabalham em reedificar a igreja,
mostravam extraordinária atividade. Vieram muitos homens escuros, anciões
e impedidos e muitos jovens vigorosos; mulheres e meninos, sacerdotes
e seculares, e muito cedo esteve quase do tudo restaurada a Igreja.
Vi então vir um novo pontífice
em procissão. O Papa
era bem mais jovem e enérgico
que o anterior (B). Foi recebido com grande solenidade. Parecia
que ia consagrar a igreja, mas ouvi uma voz que dizia que o templo não
precisava nova consagração, pois a parte principal dele, o tabernáculo,
não tinha sido destruída. Devia celebrar-se uma dupla festa em toda
a Igreja: um jubileu universal e a restauração da Igreja.
(B) – Mais uma constatação atual,
pois seguramente o Papa Bento XVI está bem fisicamente se comparado
aos últimos dias de seu antecessor. Esta visão do Tabernáculo não caído,
certamente quer significar que embora todos os esforços dos demolidores
eles não conseguirão derrubar todos os sacrários da terra.
Antes que o Papa começasse a festa que tinha preparado aos seus e estes
lançaram da assembléia, sem contradição nenhuma, a uma multidão de eclesiásticos,
uns de elevado poder, outros
de pouca significação, os quais saíram murmurando, cheios de cólera
(C). O Pontífice tomou ao seu serviço a outros eclesiásticos e a
outros seculares. Depois começou a grande solenidade na Igreja de São
Pedro. Os que trabalhavam com mantos brancos mantiveram-se silenciosos,
circunspetos e tímidos, olhando se algum os observava.
(C) – Terá ela visto a reunião
de Aparecida? Não está dito que eles ficarão furiosos com o Santo Padre?
Acaso o Papa não está desagradando aos seus inimigos, por trocar alguns
cargos por pessoas de confiança? Tudo então se confirma como verdadeira
profecia.
3. O Arcanjo São Miguel luta pelo Triunfo da Igreja. (30 de dezembro
de 1819)
Vi novamente a Igreja de São Pedro com sua grande cúpula. Sobre ela
resplandecia o Arcângelo São Miguel vestido de cor vermelha, tendo uma
grande bandeira de combate nas mãos. A terra era um imenso campo de
batalha. Os verdes e azuis lutavam contra os brancos e estes sobre os
quais havia uma espada de fogo parecia que iam sucumbir; nem todos sabiam
por que causa combatiam.
A Igreja era de cor sangrenta como o vestido do Arcanjo. Ouvi que me
diziam: “Terás um batismo de sangue” (D). Quanto mais se prolongava
o combate, mais se apagava a viva cor vermelho da Igreja e se voltava
mais transparente. O Arcanjo desceu e se acercou aos alvos. O vi adiante
de todos. Estes cobraram grande valor, sem saber de onde lhes vinha.
(D) – Certamente que estas visões
se referem aos acontecimentos de um futuro bem próximo, onde novamente
haverá martírios
em massa. Por uma lado a Igreja está já hoje sendo
batizada com sangue, porque nos últimos tempos têm se acentuado os assassinatos
de padres e fiéis católicos.
O Anjo derrotou aos inimigos, os quais fugiram em todas as direções.
A espada de fogo que estava sobre os alvos, desapareceu. No meio do
combate aumentavam as filas dos alvos: grupos de adversários passavam
a eles e uma vez passaram em grande número. Sobre o campo de batalha
tinha no espaço, legiões de santos que faziam sinais com as mãos, diferentes
uns de outros, mas animados do mesmo espírito.
4. Vê a São Francisco de Assis e Santa Juana de Chantal. (Domingo
de infra oitava da Santíssima Trinidade, 1820)
Para consolo meu vi quadros da vida dos dois santos: São Francisco de
Sais e Santa Juana de Chantal. Diziam que os tempos que corremos são
muito tristes; mas que depois de muitos desastres, virá um tempo suave
e aprazível, em que os homens estarão muito unidos uns com outros e
se amarão muito; então florescerão muitos mosteiros no verdadeiro sentido
da palavra. Vi também uma imagem destes longínquos tempos, a qual não
posso descrever; daí se afastavam as trevas da noite e surgiam a luz
e o amor. Vi toda classe de quadros relativos ao Renascimento das ordens
religiosas.
Os tempos do Anticristo (1) não estão tão próximos como alguns crêem.
Têm de vir precursores do mesmo. Vi em algumas cidades mestres de cujas
escolas poderão sair esses precursores.
5. Vê a Igreja de São Pedro em perigo. (28 de agosto de 1820)
Vi uma imagem da Igreja de São Pedro, onde me parecia que o tempo boiava
sobre a terra e que muitos corriam pressurosos a pôr-se embaixo dele
para transportá-lo, grandes e pequenos, sacerdotes e seculares, mulheres
e meninos e ainda anciões impedidos. Eu sentia grande angústia e inquietude,
pois estava vendo que a igreja ameaçava ruínas por todas as partes.
Mas todas aquelas gentes se puseram embaixo dela sustentando-a com seus
ombros; quando isto o faziam, todos tinham a mesma estatura.
Cada um estava em seu posto: os sacerdotes embaixo dos altares; os leigos
embaixo das colunas e as mulheres à entrada. Era tão grande o peso que
todos suportavam que cri que seriam esmagados. Sobre a Igreja aparecia
o céu aberto e os coros dos santos a sustentavam com suas orações e
seus méritos e ajudavam aos que a sustentavam sobre seus ombros. Eu
estava flutuando entre uns e outros. Vi que os que a levavam se moviam
para diante e que uma fila de casas e palácios que havia defronte caíam
por terra, como as espigas de um campo, ao passar sobre eles a igreja
e que a mesma igreja foi posta ali sobre a terra.
Então tive outra visão. Vi que a Santíssima Virgem estava sobre
a Igreja e ao redor dela os apóstolos e bispos. Abaixo vi grandes procissões
e solenidades. Vi que todos os maus pastores da igreja, que tinham crido
que podiam fazer algo com suas próprias forças, sem receber a virtude
de Cristo, dos copos de seus santos predecessores e da igreja, foram
lançados e substituídos por outros. Vi que desde o alto recebiam bênçãos
e que se faziam grandes mudanças. Vi ao Papa que dirigia todas estas
coisas. Vi elevar-se a dignidades, a homens muito pobres e a jovens.
OBS: Recorde-se que esta visão tem quase dois séculos. Abreviaram-se
os tempos. Quando Ana Catarina fala do Anticristo o faz sempre como
de uma pessoa e não de uma sociedade ou estado anticristão. Só num mundo
anticristão poderá imperar o Anticristo. No mesmo sentido fala Santa
Hildegarda em seu livro Scivias.
6. Vê uma Igreja falsa na contramão da Igreja de Roma. (12 de setembro
de 1820)
Vi construir uma igreja curiosa, falsa e perversa. Tinha no coro três
divisões, cada uma de várias arquibancadas, umas mais altas do que as
outras. Embaixo se estendia uma escura extensão cheia de trevas. Sobre
a primeira destas divisões vi que arrastavam um assento, na segunda
uma grande xícara cheia de água; sobre a mais alta tinha uma mesa. Não
vi nenhum anjo presente na construção; mas estava a espécie mais ardente
e curiosa de múltiplos espíritos imundos, destes que pesteiam os ares,
que transportavam toda classe de objetos que depositavam debaixo daquele
teto, e ali abaixo, certas pessoas envoltas numa espécie de mantas ou
capas eclesiásticas, levavam todas essas coisas afora.
Nada vinha do alto naquela igreja; tudo provia da terra e da escuridão,
e os espíritos imundos o traziam e preparavam tudo. Só a água parecia
ter em si mesma força saudável e em certo modo santificante. Vi trazer
depois para dentro dessa igreja uma grande quantidade de instrumentos.
Muitas pessoas e também meninos levavam utensílios e instrumentos da
mais variada espécie para fazer e produzir alguma coisa; mas tudo era
escuro, pervertido, privado de vitalidade e não se via mais do que separação
e divisão.
Perto desta vi outra igreja luminosa, plena de graças do alto; vi aos
anjos subir e descer e vi ali vida e crescimento, ainda que também dissipação
e negligência. Apesar de tudo era uma árvore cheia de seiva e de força
vital em comparação da pseudo-igreja, que parecia um sarcófago de relíquias
mortas e de figuras. Uma igreja era como uma ave que voa e se remonta
nos ares; a outra como um barrilete feito de papel pelos meninos, cheio
de nodos, de enfeites e de bocados de papel de cores na fila, que se
arrasta sobre um campo árido talher de estopa, em vez de remontar-se
aos ares.
Tenho visto que muitas das coisas reunidas naquela igreja estavam amontoadas
na contramão da igreja vivente: assim vi dardos e flechas. Cada um se
empenhava em levar aí dentro alguma coisa, como bengalas, varas, pompas
de água, garrotes de toda classe, bonecos e espelhos. Ali tinha trombetas,
chifres, foles e toda classe de objetos de toda classe e maneira. Sob
a abóbada da sacristia se afanavam por fazer pão; mas não fermentou
e ficou tudo abandonado. Vi àqueles homens com as mantas levar lenha
adiante das arquibancadas sobre as quais estava o púlpito e acender
fogo e soprar com os foles e com a boca e afanar-se muito; mas não saía
de ali mais do que fumaça de uma escuridão horrível.
Então fizeram uma abertura por acima e colocaram um tubo; mas aquele
fogo não quis prender e se fez tão denso de fumaça que terminou por
sufocar. Outros sopravam nas trombetas e clarines e se esforçavam de
tal modo que parecia lhes saíam aos olhos pelas órbitas; mas tudo ficou
ali abandonado no solo e depois desapareceu sob terra; de maneira que
tudo era morto e fictício e vã obra humana.
Esta igreja é em verdade feita pelos homens, em conformidade com a nova
moda, como o é a nova igreja, não católica, de Roma, que é também dessa
espécie (E).
(E) – Não é preciso ter muito
conhecimento para entender que ela está aqui se referindo a esta falsa
igreja moderna, voltada para o homem, que os inimigos de Deus estão
construindo. Uma falsa igreja social, que nada tem a ver com o Santo
Padre e a Igreja de Roma.
7. Vê a obra dos espíritos maus na falsa igreja. (12 de novembro de
1820)
Viajei por um país escuro e frio e cheguei a uma grande cidade. Ali
dentro vi de novo a estranha grande fábrica da igreja; mas tenho visto
que ali não há nada de santo, senão inumeráveis espíritos planetários
(segundo Ana, estes são espíritos imundos, provenientes das classes
mais baixas de anjos e de pouco poder, não tão culpados pela queda)
que trabalhavam em torno dela. Vi tudo isto como se fosse real, de modo
parecido, fazer-se uma obra eclesiástica católica de comum acordo entre
os anjos, os santos e os cristãos; mas aqui as formas empregadas eram
mecânicas, e as ajudas e os meios de outra espécie.
Vi subir e baixar e enviar raios e luz por muitos espíritos planetários
cobre aquela gente que trabalhava. Tudo se fazia e resultava segundo
a pura razão humana. Vi lá acima, nas altas regiões, como um espírito
fazia linhas e desenhava figuras e como depois aqui na terra se executava,
porque via que um abria os alicerces e fazia aberturas ou planos. Tenho
visto que a ação destes espíritos planetários, que trabalham para si
e para essa grande fábrica, como estendiam seu influxo maléfico às mais
remotas comarcas.
Tudo aquilo que parecia necessário ou só útil à fabricação e existência
desta igreja, vi excitá-lo e pô-lo por obra nos mais apartados lugares
e distâncias e vi porem-se de acordo homens e coisas, ensinos e opiniões
para cooperar à esta obra. Tinha em todo esse quadro um pouco de admiravelmente
egoístico, de orgulhosamente seguro e violento; e que tudo teve sucesso
o vi num quadro múltiplo de coisas; mas não vi sequer um só anjo ou
um santo coincidindo à obra. O quadro que vi era grandioso e perverso.
Vi também bem mais longe e por trás daquele assento ou trono, um povo
feroz armado de picaretas, e um rosto feio que sorria e dizia: “fabrica
do modo mais sólido que puderes; nós a destruiremos”. Penetrei ademais
numa sala grande daquela cidade onde se celebrava uma cerimônia odiosa,
uma horrível e falsa comédia. Tudo estava pintado de negro. Um foi posto
dentro de um caixão e depois ressuscitou.
Ele estava presente em pessoa e levava no peito uma estrela. Parecia
que isto significava uma ameaça de que assim sucederia. Vi dentro ao
diabo em mil formas e figuras. Tudo era densa e escura noite: aquilo
era horrível.
8. Vê novamente a igreja de São Pedro. (10 de setembro de 1822)
Vi a Igreja de São Pedro do tudo destruída, exceto o coro e o altar
maior. São Miguel, armado e cingido, desceu à Igreja e com sua espada
impediu que entrassem nela muitos maus pastores, e os impeliu para um
ângulo escuro, onde se sentaram olhando-se uns a outros. Tudo o que
tinha sido destruído da igreja foi reconstruído em poucos momentos de
sorte que pudesse celebrar-se o culto divino. Vieram sacerdotes e leigos
de todo mundo trazendo pedras para reedificar os muros, já que os alicerces
não tinham podido ser destruídos pelos demolidores.
9. Vê em êxtase à Igreja abandonada e afligida.
Vi a Igreja inteiramente abandonada por completo e só. Parecia que todos
fugissem dela. Tudo é contenda em torno dela; pois de todos os lados
vejo grandes misérias, ódio, traição e engano, inquietude, falta de
auxílio e cegueira absoluta. De um lugar escuro vejo saírem mensageiros
anunciando por toda parte más novas, que causam amargura nos corações
dos que as ouvem, e acendem neles a cólera e o ódio.
Eu rogo com muito fervor pelos oprimidos. Sobre os lugares onde alguns
fazem oração vejo descer luzes, e sobre todos os demais, negras trevas.
Este estado de coisas é horrível. Roguei a Deus que tenha misericórdia.
¡Oh cidade!... (Roma) ¡Oh cidade!... ¡Que grande calamidade te ameaça!...
A tempestade está próxima; prepara-te, pois. Confio, no entanto, em
que tens de permanecer firme.
10. Sobrevivência da Igreja e indignidade dos cristãos. (4 de outubro
de 1822)
Quando esta noite vi a São Francisco levando sobre seus ombros a igreja,
segundo a visão que teve o Papa (3), vi que um homem de baixa estatura
em cujo rosto tinha um pouco de judeu, levava a costas a Igreja de São
Pedro, o qual me pareceu muito perigoso. Na parte norte, sobre a Igreja,
estava Maria protegendo-a sob seu manto. Dir-se-ia que aquele homem
ia cair. Parecia-me que o conhecia. Aqueles doze a quem sempre vejo
como novos apóstolos vinham socorrer-lhe, mas demasiado devagar.
Já ia cair, quando por fim chegaram todos e se puseram embaixo dela;
também ajudaram muitos anjos. Tratava-se de salvar só o solo e a parte
posterior da igreja, pois tudo o demais o tinham destruído pelas seitas
e ainda os mesmos eclesiásticos. Aqueles levavam à igreja a outro lugar
e parecia que a seu passo vinham por terra muitos palácios como se fossem
campos de lavoura. Vendo em ruína à Igreja de São Pedro e os muitos
eclesiásticos que tinham trabalhado em destruí-la sem que nenhum quisesse
dizer adiante dos demais o que tinha feito (F), senti tal tristeza que
tive de clamar em alta voz pedindo a Jesus misericórdia.
(F) – Como se sabe, existem estes
artífices do mal infiltrados nos escalões elevados da Igreja, conforme
o denunciam inumeráveis profecias e também o livro do Apocalipse de
São João. Eles trabalham de forma solerte e bandida, escondidos por
trás de vestes pomposas, mas na realidade são soldados de satanás, que
não têm coragem de se declarar publicamente. Mas a revelação do 3º Segrêdo
de Fátima virá colocá-los a nu.
Então vi adiante de mim a meu Celestial esposo em figura de um mancebo,
que falou longo tempo comigo. Disse-me que esta translação da Igreja
significava que na aparência tinha de cair em terra por completo, mas
que descansava nestas colunas e que delas tinha de surgir de novo; que
ainda que não ficasse mais do que um só cristão católico no mundo, ela
podia vencer, pois não está fundada na razão nem no conselho dos homens.
Depois me mostrou que na Igreja nunca tinham faltado fiéis que fizessem
oração e padecessem por ela. Mostrou-me ademais o que Ele tinha padecido
pela Igreja, a virtude que tinha comunicado aos méritos e trabalhos
dos mártires e que tudo o voltaria a padecer de novo se fora possível.
Também me mostrou em inumeráveis cenas a miserável conduta dos cristãos
e dos eclesiásticos, em círculos cada vez maiores, em todo mundo e em
minha pátria, e me exortou a orar com perseverança e a padecer por eles.
Havia uma grandeza e tristeza incompreensíveis nesta cena, que não posso
descrever. Também se me deu a entender que, já quase não restavam mais
cristãos verdadeiros, bem como entendi que muitos judeus que agora existem,
são fariseus e ainda piores do que os fariseus do tempo de Jesus. Só
o povo de Judit na África está composto de antigos verdadeiros judeus.
(4). Esta visão me afligiu muito.
(3) Inocêncio III aprovou o Instituto de São Francisco a raiz de ter
visto num sonho misterioso como o santo sustentava em seus ombros à
Igreja de São João de Latrão que estava a ponto de desaprumar-se.
(4) Desta Judit se fala extensamente no capítulo Visões de uma comunidade
hebréia em Abissínia.
11. Visão da besta do mar e do Cordeiro de Deus. (Agosto a Outubro de
1820)
Esta visão, segundo diz Brentano em suas anotações, está cheia de interrupções,
porque Ana Catarina via as coisas em tal forma que lhe era muito difícil
descrevê-las depois ordenadamente. Nota também que a visão tem muitas
formas de semelhança com as revelações de São João, que ela não tinha
lido antes.
Vejo aos novos mártires, não de agora, senão de tempos futuros. Vejo
sua aflição e vejo que se precipitam os fatos. Vi às sociedades secretas
trabalhar e combater cada vez com maior intensidade para destruir à
grande Igreja; e vi entre esta gente a um horrível animal, saído do
mar (5).
O monstro tinha escamas como de peixe, juba como de um leão e muitas
cabeças ao redor de uma maior do que as outras, arrepiada, formando
uma coroa. Suas fauces eram grandes e vermelhas. Estava manchado como
um tigre e andava confiadamente entre aqueles sectários destruidores.
Muitas vezes estava no meio deles, enquanto trabalhavam, e também eles
iam procurá-lo na caverna onde costumava esconder-se (G).
(G) Nos artigos sobre as trevas,
mostramos também as visões de uma outra pessoa, que apontavam na mesma
direção. Que a fera se esconde muito bem em algum subterrâneo, de onde
maquina a destruição. Só os seus mais diretos colaboradores a visitam,
entretanto não está longe o dia em que a apresentarão a mundo como salvador.
Enquanto estas coisas sucediam, vi aqui e lá, no mundo inteiro, muitos
bons e piedosos homens, especialmente eclesiásticos, atormentados, encarcerados
e oprimidos, e tive o sentimento interior de que um dia teria novos
mártires. Quando a Igreja estava em grande parte destruída, de tal modo
que não ficava mais do que o coro e o altar maior vi a estes destruidores,
juntamente com a besta, entrarem na Igreja.
Ali encontraram a uma Senhora grande e magnífica, que parecia estar
em fita, pois caminhava lentamente (6). Os inimigos ficaram muito admirados
e espantados, e a besta não pôde dar um passo mais. Estendeu furiosamente
o pescoço para a Senhora, como se quisesse engoli-la (7), mas ela se
voltou e caiu prostrada sobre seu rosto.
Vi então à besta fugir de novo para o mar e aos inimigos correr, confundidos
e desconcertados, atropelando-se uns a outros: porque vi que, em torno
da Igreja, vinham desde longe e se aproximavam grandes círculos, na
terra e no céu. O primeiro círculo estava formado de jovens e de donzelas;
o segundo, de pessoas casadas de todos os estados, entre eles reis e
rainhas; o terceiro, de pessoas pertencentes às ordens religiosas; o
quarto, de guerreiros, adiante dos quais vi a um ginete sobre um cavalo
branco (8). O último círculo estava composto de lavradores e gente da
comarca, muitos deles assinalados com uma cruz vermelha na testa (9).
Enquanto se acercavam, os prisioneiros e oprimidos foram liberados e
se juntaram com eles.
(5) “E vi uma besta que subia do mar, a qual tinha sete cabeças e dez
cornos, e sobre os cornos dez diademas e sobre as cabeças nomes de blasfêmias.
E a besta que vi era semelhante a um leopardo e as patas como de urso
e a boca como de leão” (Ap.13, 1-2).
(6) (Cfr. Ap.12, 1-2). (7) (Cfr. Ap. 12, 4). (8) (Cfr. Ap. 19, 11).
(9) (Cfr. Ap. 7, 3).}
Os destruidores e conjurados foram jogados de todos os pontos, reunidos
adiante daqueles círculos, e se encontravam, sem saber como, juntos
num esquadrão, envolvidos em confusão e trevas. Não sabiam nem o que
tinham feito nem o que deviam fazer e com a cabeça baixa se precipitaram
uns contra outros, como os vejo fazer com freqüência. Quando todos estiveram
reunidos confusamente, os vi abandonar a obra de destruição e perderem-se
desorientados entre os diversos círculos (H).
(H) Não restam dúvidas de que
uma nova Torre de Babel acontecerá. Eles hoje estão edificando este
monstro em lugar da Igreja e é como a antiga Babel. No momento oportuno
Deus semeará a discórdia no meio deles, de modo que não conseguirão
concretizar seus maléficos objetivos.
Vi depois à Igreja, de novo, rapidamente restaurada, com maior esplendor
que antes, pois as gentes de todos os círculos, de uma extremidade à
outra do mundo, atingiam-se umas a outras as pedras para reedificá-la.
Quando esses círculos se aproximavam, o primeiro ou o mais interno se
colocava por trás dos outros. Parecia que se distribuíam entre eles
as obras diversas de oração e como se o círculo dos guerreiros começasse
obras de guerra.
Neste círculo me pareciam confundidos amigos e inimigos de todos os
povos. Eram verdadeiros soldados de nossa espécie e cor. Este círculo,
no entanto, não estava do tudo fechado, senão que para o Setentrião
tinha uma mancha ampla e escura, como uma abertura, como um abismo.
Este abismo se estendia para abaixo, nas trevas, precisamente como nos
umbrais do Paraíso, naquele ponto onde Adão, arrojado, saiu afora.
Parecia-me como se lá abaixo se estendesse um escuro e tenebroso lugar.
Vi como se porções deste círculo ficassem atrás e não quisessem avançar
e estes se mantivessem estreitados entre si e tristes os rostos, olhando-se
uns a outros. Em todos estes círculos vi a muitos que serão mártires
de Jesus Cristo, já que tinha também muitos maus e por esta causa teria
outra divisão.
Vi que a Igreja tinha sido do tudo restaurada, e sobre ela o Cordeiro
de Deus, em cima do morro, e em torno dele, um círculo de virgens com
palmas nas mãos, e os cinco círculos dos esquadros celestes, como os
da terra. Os círculos celestes tinham avançado juntamente com os terrestres
e faziam de comum acordo. Em torno do Cordeiro estavam as quatro imagens
apocalípticas dos animais sagrados.
12. Vê as abominações da Franco Maçonaria. (10)
Esta igreja maldita é pura imundícia, é com origem nas trevas. Quase
nenhum dos seus conhece as trevas nas quais trabalha (I). Tudo é nela
vã escuridão; seus escarpados muros nada contêm; o altar que usam, é
uma cadeira. Numa mesa há uma caveira coberta, entre duas luzes; às
vezes a descobrem. Em suas “consagrações” usam de mulheres nuas. Aqui
está o mal sem mistura de bem; esta é a comunhão da gente não santa.
Eu não posso declarar com palavras quão abomináveis são, e quão perniciosos
e vãos as tentativas desta associação, desconhecidos em grande parte
por seus mesmos adeptos.
(I) Realmente hoje se sabe que
são bem poucos os maçons e sabem, com toda profundidade, dos reais objetivos
de sua entidade. Milhões de incautos são cooptados para a maçonaria,
mas desconhecem o que está por trás disso, coisa somente permitida aos
altos iniciados. É por isso que tantas pessoas defendem a maçonaria
e pertencendo a ela se julgam no direito de permanecer católicos. São
verdadeiros “bois de piranha”, pois no final o projeto prevê a eliminação
destes, depois que a fera tiver alcançado o poder. Serão então mortos
ou exilados.
Querem fazer-se todos um só corpo com algo que não é Jesus Cristo. Tendo
eu apartado a um deles, encheram-se de furor contra mim. Quando a ciência
se divorciou da fé, surgiu esta igreja sem Salvador, sem crença; esta
comunhão de santos sem fé; esta anti-igreja, cujo centro é a maldade,
o erro, a mentira, a hipocrisia, a fraqueza e a astúcia. Nasceu assim
um corpo, uma comunidade fora do corpo de Jesus Cristo, ou seja, fora
da Igreja; uma igreja falsa sem Salvador, cujo mistério é não ter mistério
algum.
(10) O Papa Pio VII condenou a seita secreta dos Carbonários, nome com
que se designavam os maçons “it alia” em setembro de 1821. (Permanece,
pois em vigor a condenação dos católicos que se filiarem à maçonaria,
e isso em todos os lugares do mundo).
Diferente em cada lugar, temporal, infinita, cortesã, egoísta, danosa
e que apesar das obras boas de que se aprecia, conduz finalmente ao
abismo da miséria. O maior perigo que oferece em sua aparente inocuidade.
Em todas partes fazem e desejam coisas diferentes; em muitas fazem discretamente;
em outras preparam ruínas sem que sejam conhecidos, senão de poucos,
seus malvados planos. Assim coincidem todos com suas obras num centro
que é o mau, e fazem e trabalham fora de Cristo, porque nele unicamente
é santificada toda vida.
13. Os trabalhos das seitas. (Festa da Candelária)
Nestes dias vi muitas maravilhas da Igreja. A Igreja de São Pedro estava
quase destruída pelas seitas; mas os trabalhos destas foram aniquilados
e todos seus pertences, mantos e utensílios, queimados num lugar imundo
pela mão do verdugo (J). Tinha ali cabelo de cavalo que exalava tal
fedor, que me causou muito dano. Nesta visão se me apresentou a Mãe
de Deus exercitando seu poder a favor da Igreja. Desde então minha devoção
a Maria é cada vez maior.
(J) Este ato de queimar as nossas
imagens e objetos sagrados de culto, está também relatada no livro O
Eclipse do Sol. Quando tais fogueiras forem acesas, o cheiro de fumo
atingirá aos céus, e isso acenderá p fogo da divina Ira. Neste momento
acredito que mais de metade da humanidade irá perder a vida, e isso
em poucos minutos.
14. Visão da época do Anticristo.
Depois de ter visto a cessação do santo sacrifício da Missa, na época
do Anticristo (11), continuou narrando o seguinte:
Vi um grande quadro eclesiástico, mas não sou capaz de reproduzir todo
o conjunto. Vi a Igreja de São Pedro e em torno dela muitos campos,
jardins, vizinhanças e bosques. Vi muitas pessoas contemporâneas nossas
de todas as partes do mundo e muitíssimas outras que conheço pessoalmente
ou por meio das visões, que entravam na Igreja, e parte delas passeavam
com indiferença indo a outros postos diversos. Tinha dentro uma grande
solenidade e sobre ela se via uma nuvem luminosa da qual desciam apóstolos
e bispos santos, que se reuniam em coro sobre o altar. Entre eles vi
a Agustinho e Ambrosio e a todos aqueles que fizeram muito pela exaltação
da Igreja. Tinha uma grande solenidade e se celebrou a Missa.
E eu vi no meio da igreja um grande Cristo aberto de cujo lado mais
longo pendiam três selos; de cada um dos mais estreitos dois sós (12)
estava aberto mais bem para a parte anterior da igreja, que no centro
da mesma. Vi também em cima ao evangelista João e soube que eram as
revelações que teve na ilha de Patmos. Aquele livro estava apoiado sobre
um átrio no coro. Alguma coisa tinha tido lugar (13) antes que este
livro tivesse sido aberto, mas esqueci o que foi. É uma verdade, lástima
que aqui tenha um aviso em minha visão. O Papa não estava na igreja.
Estava escondido. Creio que aquelas gentes que tinha na igreja não sabiam
onde estava ele. Não sei já se ele estava em oração, ou tivesse morto.
(12) “Vi na mão direita do que estava sentado no trono, um livro
escrito por dentro e por fora, selado com sete selos”. (Ap. 5, 1)
(13) Este acontecimento, que lamenta não recordar, tivesse-nos dado
uma pauta para interpretar alguns capítulos do Apocalipse.
Vi pelos demais que todas aquelas gentes tinham que pôr a mão sobre
certa passagem no livro dos evangelhos, estes eram eclesiásticos ou
leigos, e que entre muitos deles desceu uma luz, como um sinal que os
santos apóstolos e bispos lhes participavam. Vi também que muitos faziam
este ato superficialmente.
Fora da igreja vi aproximar-se a muitos judeus que queriam entrar, mas
não o podiam fazer ainda (K). Ao fim chegou toda inteira a multidão
que ao princípio não tinha podido entrar adentro. Era um povo inumerável
(14). Então vi de improviso aquele livro ser tocado por um contato sobrenatural
e fechar-se em seguida. Isto me fez
lembrar como uma vez no convento, de noite, o demônio me apagou a luz
e me fechou o livro.
(K) Isso aponta para a conversão
do povo judeu que finalmente aceitará a Jesus como Messias, entretanto
isso acontecerá somente depois daquele esperado episódio do encontro
do cálice e da Missa do Calvário.
Em torno de ali, mas na distância vi uma horrível e sangrenta batalha
e vi uma gigantesca luta do lado do Setentrião e do lado do Ocidente.
Este foi um quadro grande e muito sério. Sinto ter esquecido aquele
lugar do livro sobre o qual os homens deviam pôr os dedos.
15. Vê os estragos que causam os inimigos à Igreja e à futura
restauração por meio de Maria. (Páscoa de 1820)
Quando Ana Catarina teve esta visão, o guia lhe disse que abarcava sete
espaços determinados de tempo; não pôde depois, ao relatar, fixar os
limites de cada tempo nem dizer qual desses tempos correspondiam a ditos
acontecimentos.
Vi à terra como numa superfície redonda, coberta de escuridão e trevas.
Tudo estava corrompido e a ponto de perecer. Isto o vi muito detalhadamente
em todas as criaturas, nas árvores, nos arbustos, nas plantas, nas flores,
nos campos. Parecia como se as águas dos ribeiros das fontes, rios e
mares fossem sorvidas e voltassem a sua origem (L). Fui pela terra desolada
e vi aos rios como linhas delgadas, aos mares como negros abismos no
meio dos quais só tinha algumas grotas com água.
(L) Este fato é realmente espantoso
e está relatado no artigo “O Caos”, que já está no site. Num determinado
momento todos os elementos que compõe a natureza se irão desagregar,
descumprindo a ordem natural. Isso virá para esmagar a ciência arrogante,
para que entenda finalmente que existe um Senhor e Criador de tudo.
Então sim, se verá sim, a água como que espirrando para fora da terra
e subindo para as nuvens. E rios e lagos inteiros serão sugados num
abrir e fechar de olhos. Um
horror!
Tudo o demais era lodo espesso e escuro onde via toda sorte de animal
monstruoso e peixes lutando com a morte. Vi tanta distância ao redor
que pude distinguir com toda clareza as orlas do mar onde em outra ocasião
eu tinha visto que São Clemente (15) foi submerso. Vi também lugares
e multidão de gentes tristes e turvadas e muitas ruínas.
À medida que cresciam a secura e a desolação da terra, aumentavam-se
as obras tenebrosas dos homens. Vi muitas maldades, em particular reconheci
a Roma e vi a opressão que padecia a igreja e sua decadência no interno
e no externo. Vi grandes exércitos que se dirigiam a um mesmo ponto
desde várias regiões e todos estavam empenhados em lutas e batalhas.
No meio deles vi uma grande mancha negra a maneira de um enorme buraco
e em torno dele os combatentes eram cada vez menos, como se caíssem
naquele abismo como se ninguém os visse cair.
(14) É um fato admitido que os judeus, constituídos já em nação reconhecerão
finalmente que Jesus Cristo é finalmente Messias ao que desconheceram
por tanto tempo e entrarão nas igrejas católicas. Alguns colocam este
fato durante o tempo da pregação de Elias e Enoc. Entre outros muitos
textos sobre a conversa dos judeus veja-se especialmente no Cap. 11
da Epístola de São Paulo aos Romanos.
(15) São Clemente I, romano, governou as igrejas por nove anos; foi
martirizado no Quersoneso Taurico, precipitando-se no Mar Morto o ano
100.
Durante essa luta vi no meio de tanta ruína e corrupção a doze homens,
em diferentes comarcas. Sem conhecer nem ter notícias os uns dos outros,
receber como torrentes de água viva que deriva da vida eterna. Vi que
todos eles trabalhavam no mesmo, em diferentes lugares e que não sabiam
de onde lhes vinham os dons necessários, pois quando acabavam uma missão
lhes encomendavam outra.
Eram doze e nenhum deles passava dos quarenta anos. Três eram sacerdotes
e algum outro queria sê-lo. Vi também que algumas vezes eu tinha contato
com algum deles, como se lhe conhecesse ou estivesse cerca dele. Em
seus trajes não tinha nada de particular; cada um deles vestia segundo
o uso atual de seu país. Vi que obtivessem de Deus o que se tinha perdido
e como em todas as partes faziam o bem. Todos eram católicos.
No meio da tenebrosa corrupção vi falsos profetas e outras pessoas que
trabalham contra os escritos destes doze apóstolos, os quais desapareciam
com freqüência no meio do tumulto e depois saíam outra vez mais resplandecentes
que antes. Vi umas mulheres que estavam como em êxtases e junto a elas
homens que as magnetizavam (16). Elas prediziam o futuro; mas a mim
me causava aversão e horror, pareceu-me ver aquela mulher de Münster
e pensei dentro de mim, com inquietude que ao menos o pai Limberg, não
estaria junto a elas.
Quando as filas dos que combatiam em torno daquele negro abismo se aclararam
mais e mais, e no meio do combate desapareceu toda uma cidade, aqueles
doze homens apóstolos aumentaram muito o número dos que brigavam a seu
lado e desde a outra cidade (a verdadeira cidade de Deus, Roma) saiu
um cone de luz que penetrou no escuro disco. Vi por acima da igreja,
humilhada e menoscabada, uma formosíssima Senhora com um manto azul
celeste muito estendido e com uma coroa de estrelas na cabeça.
Dela procedia a luz que penetrava cada vez mais na escuridão, e ali
onde chegava essa luz, tudo era renovado e tudo voltava a prosperar.
Os novos apóstolos entraram todos naquela luz. Eu cria ter visto a mim
mesma com outros a quem conhecia, que estávamos diante, no alto. Numa
grande cidade vi uma igreja, a menor entre outras, que chegava a ser
a primeira. Os novos apóstolos foram alumiados pela luz. Creio ter visto
com eles à cabeça, a outros que não conheço.
Tudo voltou a florescer de novo. Vi um novo Papa muito severo. O abismo
se fazia cada vez mais estreito: fez-se tão pequeno que podia ser coberto
com um balde de água. Finalmente vi três exércitos ou comunidades que
se uniam à luz (M). Tinha entre eles pessoas boas e ilustradas, as quais
entraram na igreja. Tudo se tinha renovado e estava florescente. Vi
que se edificaram igrejas e mosteiros.
(M) Para mim isso significa finalmente
a união das três grandes Igrejas, a Católica a Ortodoxa e a Protestante,
que se vergarão unidas diante de Jesus que chega, para for um só rebanho
e um só pastor.
Durante aquela tenebrosa aridez, fui transportada a um prado cheio de
verdor e de cândidas flores que outras vezes tinha tido que recordar
depois. Encontrei um valado de espinhas, com o qual me tinha lacerado
e arranhado muito durante aqueles tempos ocorridos. Agora estava tudo
florido e penetrei nele alegremente.
16. As chagas do Senhor derramam bênçãos sobre a Igreja e o mundo.
O arcanjo São Miguel desceu da igreja e vi sobre ela, no céu, uma grande
cruz luminosa, da qual pendia o Salvador. De suas chagas desciam sobre
o mundo faixas de luz que se difundiam por toda parte. As chagas eram
vermelhas e como brilhantes portas, e o centro delas, dourado como o
sol. Não levava a coroa de espinhas, mas das feridas de sua cabeça saíam
raios horizontais de luz que alumiavam o mundo. Os raios que saíam das
mãos e dos pés eram como o arco íris e se dividiam em raios muito finos,
e, muitos, iam alumiar aldeias, cidades e casas pelo mundo inteiro.
Vi estes raios em muitos lugares ao mesmo tempo, perto e longe, descer
sobre toda classe de moribundos e atrair com violência às almas, as
quais, por um destas cores do arco íris, corriam-se para as chagas do
Salvador. Os raios da ferida do custado desciam sobre a igreja que estava
embaixo, como uma torrente larga e caudalosa. Desta sorte resplandecia
a igreja e por este torrente de luz entravam a maior parte das almas
no Senhor (N).
(N) Certamente aqui se pode entender
a verdadeira avalanche de almas que na última década entrou no Céu,
tendo em vista as orações e também ao nosso Movimento, especialmente
formado por Deus para este fim. De fato, elas têm subido diariamente
aos céus em verdadeiras torrentes.
Vi oscilar no céu um coração vermelho e brilhante unido com a cruz por
uma faixa luminosa que dele saía para a ferida do custado do Salvador.
Outra faixa luminosa, que partia também do coração, estendia-se sobre
a igreja e sobre muitas comarcas. Estes raios de luz atraíam a muitas
almas ao coração e passando através dele iam pela faixa de luz que o
unia com a cruz e entravam no custado de Jesus. Se me disse que este
coração era o de Maria.
Além dos raios luminosos, pendiam das chagas umas escalas, algumas das
quais não chegavam a terra. Estas escalas eram umas trinta, diferentes
todas entre si: tinha-as largas e estreitas, umas com degraus juntos
e outras com degraus separados, umas isoladas, outras juntas e agrupadas.
Suas cores eram os mesmos do lugar de purificação, escuros, claros,
cinzas, cada vez mais vivos à medida que se subia nelas.
Por estas escalas vi subir trabalhosamente a muitas almas. Umas iam
rapidamente, como se tivesse quem as ajudasse a estar com firmeza; outras
se empurravam umas a outras e caíam nos degraus inferiores; algumas
caíam na escuridão mais profunda. Aquela trabalhosa subida parecia mais
comovedora quando se a comparava com a alegre entrada das que eram atraídas
a modo de absorção. As que subiam sem retroceder com passo firme parecia
que estavam mais unidas com a igreja que com as outras que se detinham
ou esperavam ou ficavam sós.
Por trás da cruz, muito adentro, lá no céu, vi muitas imagens da obra
da Redenção no caminho da divina graça, através da história do mundo
até seu cumprimento na Redenção. Eu não me detive em nenhum ponto; percorri
a faixa luminosa vendo-a toda.
17. Vê a proximidade do reino de Deus.
Quando teve cessado o combate na terra, a igreja e o anjo se tornaram
brancos e resplandecentes, e o anjo desapareceu. Também desapareceu
a cruz, e no lugar que ela ocupava apareceu uma Senhora alta e resplandecente,
em cima da igreja, estendendo sobre ela seu dourado e brilhante manto.
Embaixo na igreja se ouviram vozes de mútua humilhação e reconciliação.
Vi então os bispos e pastores acercar-se e mudar seus livros (mudar
sua doutrina, sua falsa teologia). As seitas reconheceram à igreja por
sua admirável vitória e pela luz da revelação que tinham visto resplandecer
nela. Quando vi essa união, senti profundamente a proximidade do reino
de Deus. Vi um resplendor e uma vida superior em toda a natureza e um
santo impulsiono em todos os homens, como quando se aproximava o nascimento
de Jesus, e de tal maneira senti a proximidade do reino de Deus, que
me vi obrigada a sair a seu encontro. (Nesta parte da visão, orava em
alta voz).
Da vinda de Maria tive um vivíssimo pressentimento. Vi a sua estirpe
enobrecer-se à medida que se ia acercando a esta flor. Vi a Virgem Maria:
como a vi, não poderia dizê-lo. Da mesma maneira sinto a proximidade
do reino de Deus. Só posso comparar aquele sentir com este modo de ver.
O reino de Deus o vi acercar-se e se cumprindo o anseio de muitos fiéis
atraídos pela fé humilde e o ardentíssimo amor.
Vi aparecer na terra muitos rebanhos pequenos e luminosos de cordeiros,
apascentados por pastores; vi que estes eram verdadeiros pastores daquele
que, como Cordeiro, deu seu sangue por nós; e vi que um amor infinito
e uma virtude divina reinava entre os homens. Perto de mim vi pastores,
de quem eu sabia que não pensavam em nada disto, e desejei vivamente
que acordassem de seu sonho.
18. Vê a Igreja de Roma. (27 de Dezembro de 1820)
Vejo à Igreja Romana resplandecente como o sol. Dela saíam raios a torrentes
que se dilatavam pelo mundo inteiro. Foi-me dito que isto se referia
à revelação de São João, mediante os quais alguns cristãos deviam receber
parte dessa luz e que esta recairia por inteiro a favor da igreja. Vi
a respeito disto um quadro muito preciso, mas não o posso expressar
com palavras.
19. Vê à Igreja depois do combate.
Vi à igreja depois do anterior combate resplandecente como o sol. Nela
se celebrava uma grande solenidade e vi que entravam muitas procissões.
Vi um novo Papa muito severo e rigoroso. Antes de começar a festa tinha
despedido a muitos bispos e pastores, porque eram maus. Vi que coincidiram
à celebração desta festa os santos Apóstolos especialmente.
Então vi muito próximo o cumprimento destas palavras: “Senhor, vinga
a nos o teu reino”. Aprecia-me ver descer do alto, luminosos jardins
celestiais e unir-se com lugares inflamados da terra e tudo ali submergir-se
na luz primitiva. Os inimigos, que tinham fugido do combate, não foram
perseguidos, mas se dispersaram.
20. Visão da Jerusalém celestial.
Vi nas brilhantes ruas da cidade de Deus muitos palácios e jardins resplandecentes,
nos quais tinha inumeráveis coortes de santos, que discorriam louvando
a Deus e derramando suas graças sobre os homens. Na celestial Jerusalém
não há nenhuma igreja: o mesmo Cristo é a igreja. Maria reina na cidade
de Deus, e sobre ela estão Cristo e a Santíssima Trinidad. Desde Ela
desce sobre Maria celestial orvalho, que se difunde sobre toda a santa
cidade.
Vi embaixo da cidade de Deus, à igreja de São Pedro e me regozijei porque,
apesar da negligência dos homens ela recebe sempre do céu a verdadeira
luz. Vi os caminhos que vão à Jerusalém celestial e aos santos pastores
que conduziam a ela às melhores almas de seu rebanho. Estes caminhos
não estavam muito cheios.
Vi também o caminho por onde eu tenho de ir à cidade de Deus,
e vi, como desde o centro de um amplo círculo, a todos aqueles a quem
de algum modo tinha eu ajudado. Vi a todos os meninos e aos pobres a
quem tinha cozido algum vestido e me admirei e me alegrei especialmente
ao ver as diversas maneiras em que os tinha cortado.
Depois vi todas as cenas de minha vida em que tinha sido útil a algum,
já com meu exemplo, ou com auxílios, orações e trabalhos. Vi o proveito
que de aqui se tinha seguido em forma de jardins nascidos de minhas
próprias obras. Estes jardins tinham sido cultivados de diferente modo
por seus diferentes modos; alguns os tinham deixado perder-se. Vi que
sorte coube a cada uma daquelas almas em quem eu tinha causado alguma
impressão.
Comentário final:
Lendo o relato destas visões, tenho a certeza de que Ana Catarina Emmerich
é tão perseguida e odiada, até por gente que se diz católico, porque
na verdade ela incomoda muito ao demônio. De fato, ele não quer que
o mundo saiba da vitória da Igreja e da mudança radical que haverá na
terra, depois que ele for expulso daqui, e para sempre.
Estas visões tidas há quase dois séculos, compõem um dos mais claros
exemplos da ação de Deus em favor dos homens. Isso porque através delas
nos é dado saber um pouco do futuro esplendor da Igreja católica, depois
que Deus tiver submetido aos pés de Jesus todos os poderes que ousaram
algum dia desafiá-la. Porque é eterna a frase: as
portas do inferno não irão prevalecer contra ela.
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