A Gripe Aviária - Fonte - BBC

 

 

Ameaça global

Cientistas temem que uma epidemia de gripe letal entre os humanos possa ocorrer em breve. Epidemias como essa ocorrem três ou quatro vezes a cada século.

A gripe do frango pode desencadear essa epidemia, e um dos seus vírus – o H5N1 – é motivo de maior preocupação.

Esse vírus, que é altamente contagioso e letal entre as aves, já matou mais de 60 pessoas na Ásia desde 2003.

 

 

Mutação

Um novo tipo de vírus capaz de causar uma epidemia poderia surgir caso o vírus da gripe do frango se combine com o vírus que causa a gripe em humanos.

Isso
poderia acontecer se uma pessoa for infectada com ambos os vírus ao mesmo tempo.

Teme-se que esse novo vírus possa se espalhar com maior facilidade e muito mais rápido, matando um grande número de pessoas, já que o sistema imunológico do ser humano ainda não está preparado para lidar com essa infecção.

 

 

 

Origem do vírus

Os vírus da gripe do frango são naturais em pássaros migratórios aquáticos. Eles são transmitidos através de secreções. Aves domésticas estão propensas a contrair os tipos mais letais dos vírus.

Uma vez que esses vírus são encontrados em aviários, é recomendado que todas as aves que possam estar infectadas sejam sacrificadas. As fazendas precisam passar por uma quarentena e ser desinfetadas. Milhões de aves já foram sacrificadas para conter surtos de gripe do frango e minimizar o risco de contágio em humanos.

 

 

 

Humanos

Humanos que são contaminados com H5N1 apresentam os seguintes sintomas: febre, dor de garganta, tosse, dificuldade severa de respiração e, nos casos fatais, falha dos órgãos vitais.

Desde que surgiram os primeiros casos de contágio em humanos, no surto que começou em 2004, mais da metade das pessoas infectadas morreu. O Vietnã foi o país mais atingido.

Quase todas as vítimas tinham contato direto com as aves.

 

 

 

 

Vacina

Até o momento, não há uma vacina que proteja humanos da infeção pelo vírus H5N1.

No entanto, os cientistas trabalham no desenvolvimento de um protótipo.

A maior dificuldade é o fato de ainda não se saber qual a forma que o vírus terá após a mutação. Alguns remédios retrovirais disponíveis no mercado podem minimizar os sintomas e reduzir as chances de que a doença se espalhe.


O que é a gripe das aves?

 

AFP

 

16:14 17/10/05

PARIS, 17 out (AFP) - A gripe das aves, também chamada gripe do frango, peste dos pássaros e influenza aviária, foi identificada pela primeira vez em 1878, na Itália, como uma doença grave dos frangos.

Este mal pode assumir formas benignas, como problemas para por ovos ou penas eriçadas, ou altamente patogênicas, similares a um "Ebola do frango", que mata as aves de criação em menos de 48 horas, lembrou em janeiro passado um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desde 1959, quando uma primeira forma extremamente patológica da gripe das aves foi identificada na Escócia, devido também a um vírus H5N1, vinte focos de gripe das aves foram registrados no mundo, mas apenas sete tiveram uma propagação importante para vários criadouros e apenas um se espalhou para outros países, segundo a OMS.

Diferentes vírus gripais A de subtipo H5 ou H7 podem ser a causa, inclusive o H5N1, responsável pelos primeiros casos humanos fatais em 1997, em Hong Kong (18 casos, seis deles mortais).

"Historicamente, as infecções humanas por vírus gripais aviários são extremamente raras e a maior parte destes vírus só causou patogenias benignas no ser humano, manifestando-se com freqüência por uma conjuntivite viral, seguida de cura completa", acrescentou a OMS neste relatório destinado a avaliar os riscos de uma pandemia de gripe humana nos próximos anos.

No início de 2003, um vírus H7N7 causou a morte de um veterinário e dezenas de outros casos de infecções benignas (conjuntivites) em pessoas na Holanda.

O vírus H5N1 ressurgiu em Hong Kong em fevereiro de 2003. Meses depois, chegou a Coréia, Vietnã, Tailândia e outros países do sudeste asiático, causando uma elevada mortandade entre aves de criação.

"Nunca antes a gripe das aves altamente patogênica havia causado epidemias simultâneas em um número tão grande de países", destacou a OMS. Esta organização insistiu na catástrofe que representa este mal para a agricultura dos países afetados e os riscos em potencial para o ser humano de uma mutação do H5N1 que poderia causar uma pandemia de gripe humana.

Até agora, a epizootia afetou os seres humanos de uma forma muito marginal. Desde o fim de 2003, pelo menos 117 casos de infecções humanas foram registradas, das quais 60 mortais.

A cepa H5N1, muito patogênica para as aves, também pode ser transmitida pelos patos de criação que não apresentarem sintomas da doença, alertou a OMS, explicando que neste caso os produtores dificilmente poderiam se proteger de uma possível infecção.

 

 

 

Pandemia de gripe aviária a humanos é "questão tempo", diz OMS


16:05 17/10/05, atualizada às 17:44 17/10

 

Redação com agências internacionais



O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Lee Jong-Wook, afirmou hoje que é "certo" que a gripe aviária se tornará uma pandemia humana, e que só é "questão de tempo" para acontecer a mutação do vírus H5N1 para outro que possa ser transmitido entre humanos.

"Haverá uma pandemia. Só falta uma condição, que o vírus se propague rapidamente de pessoa a pessoa", disse o diretor da OMS durante um discurso em reunião da União Interparlamentar (UIP), em Genebra.

A OMS
já advertiu aos Governos de todos os países que estejam preparados diante de uma eventual epidemia, porque o mortal vírus da gripe aviária tem "grande capacidade de mutação", e poderia ser transmitido entre humanos, lembrou Lee.

O diretor-geral da OMS disse que "não se sabe quando acontecerá, mas o novo vírus pode aparecer a qualquer momento".

Sobre o custo social e político da temida pandemia, o responsável da OMS advertiu que será "enorme", por isso "nenhum estado ou Governo pode permitir que a doença o pegue desprevenido".

Lee lembrou que a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars), com menos de mil casos, provocou perdas de cerca de US$ 30 bilhões.

"Quanto mais avançarmos nos preparativos, melhor protegeremos a população da doença, da morte ou do pânico destrutivo", disse o responsável da OMS.

Neste sentido, Lee pediu que todos os Governos se preparem o melhor possível para enfrentar a pandemia, já que "todos serão capazes de responder rapidamente e com eficácia quando chegar o momento".

Na sua opinião do diretor-geral da OMS, também é necessário "encontrar vias para ajudar os países mais pobres", que não têm tanta capacidade para elaborar seu próprio plano nacional de ação.