O
que é a gripe das aves?
AFP
16:14 17/10/05
PARIS, 17 out (AFP) - A gripe das aves, também
chamada gripe do frango, peste dos pássaros e influenza aviária, foi
identificada pela primeira vez em 1878, na Itália, como uma doença
grave dos frangos.
Este mal pode assumir formas benignas, como
problemas para por ovos ou penas eriçadas, ou altamente patogênicas,
similares a um "Ebola do frango", que mata as aves de criação
em menos de 48 horas, lembrou em janeiro passado um relatório da
Organização Mundial da Saúde (OMS).
Desde 1959, quando uma primeira forma extremamente patológica da gripe
das aves foi identificada na Escócia, devido também a um vírus H5N1,
vinte focos de gripe das aves foram registrados no mundo, mas apenas
sete tiveram uma propagação importante para vários criadouros e
apenas um se espalhou para outros países, segundo a OMS.
Diferentes vírus gripais A de subtipo H5 ou H7 podem ser a causa,
inclusive o H5N1, responsável pelos primeiros casos humanos fatais em
1997,
em Hong Kong
(18 casos, seis deles mortais).
"Historicamente, as infecções humanas por vírus gripais aviários
são extremamente raras e a maior parte destes vírus só causou
patogenias benignas no ser humano, manifestando-se com freqüência por
uma conjuntivite viral, seguida de cura completa", acrescentou a
OMS neste relatório destinado a avaliar os riscos de uma pandemia de
gripe humana nos próximos anos.
No início de 2003, um vírus H7N7 causou a morte de um veterinário e
dezenas de outros casos de infecções benignas (conjuntivites) em
pessoas na Holanda.
O vírus H5N1 ressurgiu
em Hong Kong
em fevereiro de 2003. Meses depois, chegou a Coréia, Vietnã, Tailândia
e outros países do sudeste asiático, causando uma elevada mortandade
entre aves de criação.
"Nunca antes a gripe das aves altamente patogênica havia causado
epidemias simultâneas em um número tão grande de países",
destacou a OMS. Esta organização insistiu na catástrofe que
representa este mal para a agricultura dos países afetados e os riscos
em potencial para o ser humano de uma mutação do H5N1 que poderia
causar uma pandemia de gripe humana.
Até agora, a epizootia afetou os seres humanos de uma forma muito
marginal. Desde o fim de 2003, pelo menos 117 casos de infecções
humanas foram registradas, das quais 60 mortais.
A cepa H5N1, muito patogênica para as aves, também pode ser
transmitida pelos patos de criação que não apresentarem sintomas da
doença, alertou a OMS, explicando que neste caso os produtores
dificilmente poderiam se proteger de uma possível infecção.
Pandemia
de gripe aviária a humanos é "questão tempo", diz OMS
16:05 17/10/05, atualizada às 17:44 17/10
Redação com agências internacionais
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde
(OMS), Lee Jong-Wook, afirmou hoje que é "certo" que a gripe
aviária se tornará uma pandemia humana, e que só é "questão de
tempo" para acontecer a mutação do vírus H5N1 para outro que
possa ser transmitido entre humanos.
"Haverá
uma pandemia. Só falta uma condição, que o vírus se propague
rapidamente de pessoa a pessoa", disse o diretor da OMS durante um
discurso em reunião da União Interparlamentar (UIP),
em Genebra.
A OMS
já advertiu aos Governos de todos os países que estejam preparados
diante de uma eventual epidemia, porque o mortal vírus da gripe aviária
tem "grande capacidade de mutação", e poderia ser
transmitido entre humanos, lembrou Lee.
O diretor-geral da OMS disse que "não se sabe quando acontecerá,
mas o novo vírus pode aparecer a qualquer momento".
Sobre o custo social e político da temida pandemia, o responsável da
OMS advertiu que será "enorme", por isso "nenhum estado
ou Governo pode permitir que a doença o pegue desprevenido".
Lee lembrou que a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars), com menos
de mil casos, provocou perdas de cerca de US$ 30 bilhões.
"Quanto mais avançarmos nos preparativos, melhor protegeremos a
população da doença, da morte ou do pânico destrutivo", disse o
responsável da OMS.
Neste sentido, Lee pediu que todos os Governos se preparem o melhor possível
para enfrentar a pandemia, já que "todos serão capazes de
responder rapidamente e com eficácia quando chegar o momento".
Na sua opinião do diretor-geral da OMS, também é necessário
"encontrar vias para ajudar os países mais pobres", que não
têm tanta capacidade para elaborar seu próprio plano nacional de ação.
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