02 de maio de 2006
O Irã, que enfrenta a partir de hoje forte avaliação
do Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas sobre seu programa
nuclear, ameaçou atacar Israel em represália a
qualquer "ação diabólica" dos Estados Unidos contra seu
território.
O governo iraniano também anunciou o fortalecimento de seu processo de
enriquecimento de urânio, que teria alcançado 4,8%. O enriquecimento de
urânio gera combustível para usinas nucleares [energia] e também pode
ser usado para criar bombas atômicas.
Em resposta, Shimon Peres, um dos principais nomes do setor moderado da
política israelense, pediu ao Irã que descarte seu programa nuclear,
alegando que Israel tem capacidade para se defender sozinho, caso isso
seja necessário.
Peres mandou seu recado ao Irã durante a cerimônia anual que comemora a
Independência de Israel. "Nós pedimos ao Irã que abandone suas
ambições nucleares. Lembramos que Israel é excepcionalmente forte e
sabe como se defender", disse.
A ameaça do Irã --que em outras ocasiões já pregou a "destruição
de Israel" e questionou o Holocausto-- ocorreu pouco antes de
representantes dos países do CS da ONU (Organização das Nações
Unidas) com poder de veto [França, China, EUA, Rússia e Reino Unido] e
Alemanha se reunirem para dar início a conversas que podem levar a sanções
contra o Irã devido a seu programa nuclear.
A relação do Irã com países do Ocidente, sobretudo Estados Unidos, está
cada vez mais tensa. O governo americano se diz
convencido de que o governo iraniano, chefiado pelo conservador Mahmoud
Ahmadinejad, pretende construir armas nucleares. O Irã nega,
alegando que seu programa tem fins pacíficos.
"Sucesso" - O chefe da Organização de Energia
Atômica do Irã, Gholamreza Aghazadeh, disse nesta terça-feira que seu
país potencializou seu processo nuclear anunciando o enriquecimento de urânio
em até 4,8%. "Enriquecimento acima de 5% não está em nossos
planos. O que conseguimos (4,8%) é suficiente para o uso civil da energia
atômica", disse Aghazadeh a estudantes, segundo informações da agência
de notícias iraniana Isna.
Enriquecer urânio até 5% permite apenas produzir combustível nuclear
para uso civil, enquanto seu uso militar implica em um enriquecimento de
80%.
Aghazadeh também revelou que o Irã iniciará exploração de uma mina de
urânio no sul do país, da qual se espera extrair 30 mil quilos anuais de
"yellowcake" [concentrado de minério de urânio que pode ser
transformado em urânio enriquecido].
A reunião desta terça-feira é a primeira desde que a Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA) concluiu, na última sexta-feira
(30), que o Irã não havia cooperado nem suspendido suas atividades de
enriquecimento de urânio, conforme as exigências da ONU.
Um segundo encontro está previsto para a próxima terça-feira (9), em
Nova York, quando se reunirão ministros de Relações Exteriores de França,
China, EUA, Rússia, Reino Unido e Alemanha.
Irã - Autoridades iranianas afirmaram que os
participantes da reunião em Paris não devem "utilizar a linguagem
da força e da ameaça", porque ela "não dará
resultados".
"Não voltaremos atrás em relação à suspensão [do enriquecimento
de urânio]", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Manucher
Mottaki, em entrevista ao jornal "Kayhan".
Nesta segunda-feira, o Irã entregou uma carta de protesto ao secretário-geral
da ONU, Kofi Annan, na qual país "denuncia a ameaça" dos EUA
de atacar o Irã.
O responsável iraniano para a questão nuclear, Ali Larijani, afirmou
ontem que deve ser encontrada "uma nova solução" para a questão,
e que seu país "não cederá às pressões da comunidade
internacional".
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