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| Isfahan
seria o maior centro de pesquisas nucleares do Irã |
O Conselho de Segurança da ONU
emitiu um comunicado em que pede ao Irã que suspenda seu programa
de enriquecimento de combustível nuclear.
O enriquecimento
de urânio em níveis baixos é capaz de produzir combustível para
reatores nucleares, mas em quantidades elevadas, pode ser usado para
fabricar bombas.
A ONU havia antes
exigido que o Irã interrompesse atividades de enriquecimento de urânio
até o dia 28 de abril deste ano.
Confira abaixo os principais pontos da polêmica que envolve os
planos iranianos.
Por que o
Conselho de Segurança emitiu esse comunicado?
A Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA) levou o Irã ao Conselho de
Segurança porque o país retomou suas atividades de enriquecimento
de urânio. O objetivo é utilizar o peso do Conselho de Segurança
para pressionar o Irã.
O governo
iraniano insiste que quer apenas produzir energia nuclear, e não
armas, mas os Estados Unidos e outros países ocidentais desconfiam
das intenções do Irã.
O que diz o
comunicado?
O comunicado não
ameaça o Irã com sanções. Diz apenas que há "preocupações
sérias" quanto ao reinício do processo de enriquecimento de
urânio no Irã. E pede que o diretor-geral da AIEA, Mohamed
El-Baradei, apresente um relatório sobre as ações do Irã dentro
de 30 dias.
Por que não
aplicar as sanções em primeiro lugar?
Porque muitos países
membros do Conselho de Segurança são contra as sanções. China e
Rússia, dois membros com poder de veto, atualmente são contra. A
China compra muito petróleo e gás do Irã.
Qual é a posição
do Irã?
Mesmo antes da
decisão da AIEA de levar o Irã ao Conselho de Segurança, o
governo iraniano afirmou que estava retomando sua pesquisa. O país
insiste que tem o direito de retomar estas pesquisas.
Segundo o Tratado
de Não-Proliferação Nuclear (TNP), um país tem o direito de
enriquecer seu próprio combustível para geração de energia
nuclear com fins civis, sob a inspeção da AIEA.
Depois da decisão
da AIEA, o Irã disse que também retomaria o enriquecimento de urânio
e colocaria um fim às inspeções repentinas da agência.
O Irã pode
abandonar o TNP?
Sim. O artigo 10º
dá aos Estados membros o direito de declarar que "eventos
extraordinários colocaram em risco os interesses supremos do
Estado". Um país pode, a partir disso, dar um aviso de que em
três meses abandonará o tratado.
Por que o
Ocidente está tão preocupado?
As potências do
Ocidente temem que o Irã, sigilosamente, tente desenvolver uma
bomba nuclear ou a capacidade de fazer uma bomba, mesmo se não
tiver decidido fazer a bomba agora. Por isso, elas querem que o Irã
acabe com qualquer enriquecimento.
Esses países
dizem que não é possível confiar no Irã. Recentemente, o Irã
admitiu ter recebido um documento no mercado negro sobre a construção
de um dispositivo nuclear preparado pelo cientista paquistanês A.
Q. Khan. Isso aumentou as preocupações. O Irã diz que recebeu o
documento sem ter pedido.
Além disso, as
potências ocidentais avaliam que permitir que o Irã continue a
enriquecer urânio seria abrir um precedente.
Quais são os
antecedentes dessa polêmica?
Em 2003, a AIEA
comunicou que o Irã ocultara um programa de enriquecimento de urânio
por 18 anos, e a atual disputa é uma decorrência desse fato.
Países do
Ocidente que integram a AIEA pediram ao Irã que se comprometesse a
acabar com as atividades de enriquecimento de forma permanente, mas
o país tem se recusado a fazer isso e agora diz que abandonou uma
suspensão temporária.
O Irã diz que
está cumprindo as determinações do TNP e que deveria ter permissão
de enriquecer urânio, sob inspeção, para fins pacíficos, uma vez
que o tratado permite que outros países façam isso.
O Irã diz que
tem permissão para enriquecer combustíveis. Então, por que a
crise?
O Irã tem
permissão para desenvolver um ciclo de combustível para energia
nuclear, sob inspeção da AIEA. No entanto, como escondeu o seu
programa de enriquecimento antes, há agora uma dúvida sobre o
risco de que isso volte a ocorrer. Em tese, o Irã poderia aprender
como fazer combustível para energia nuclear, enriquecê-lo ainda
mais para uma bomba e deixar o TNP.
E quanto à
oferta da Rússia de enriquecer combustível para o Irã?
Os russos
sugeriram que o Irã poderia ser autorizado a participar de uma
joint-venture para converter minério de urânio em gás, que então
seria dilatado para produzir o urânio enriquecido necessário para
a energia nuclear.
O enriquecimento,
no entanto, seria realizado na Rússia. Assim, o Irã não
suspenderia o processo de conversão e atenderia às exigências das
potências ocidentais, já que não teria a tecnologia de
enriquecimento.
As negociações
entre Rússia e Irã tiveram início, mas nenhum acordo detalhado
foi alcançado até agora.
Por que o Irã
quer enriquecer urânio?
O urânio
enriquecido fornece combustível para uma usina de energia nuclear.
O Irã diz que precisa ser capaz de desenvolver esse processo de
enriquecimento, sob inspeção, porque não pode confiar em
fornecedores estrangeiros. O país diz que esses fornecedores
poderiam estar sujeitos à influência americana.
Apesar de suas
grandes reservas de gás e petróleo, o Irã diz que quer
diversificar suas fontes de energia. O país argumenta que seu
programa nuclear original começou no período do Xá.
O presidente do
Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse à ONU que seu país tem o
"direito inalienável" de produzir energia nuclear.
O Irã
pretende fazer armas nucleares?
O Irã diz que
sua política é de dizer 'sim' ao enriquecimento, e 'não' às
armas nucleares. Os céticos argumentam que o Irã não tem
necessidade de fazer seu próprio combustível nuclear, que pode ser
fornecido por outros, e, portanto, deve estar pretendendo fazer uma
bomba.
Outra
possibilidade é que o Irã queira desenvolver a capacidade, mas
deixar para o futuro a decisão de realmente fazer uma arma nuclear.
Quanto tempo
seria necessário para o Irã construir uma bomba?
Muitos anos,
segundo especialistas. Primeiro, o Irã teria que dominar o processo
de enriquecimento. Isso envolve a montagem de milhares de centrífugas
que processam um gás produzido a partir do urânio, uma operação
difícil.
Depois, teria que
aprender como iniciar uma explosão nuclear e produzir um
dispositivo pequeno o suficiente para ser carregado por um avião ou
um míssil.
Apesar dos obstáculos,
Israel manifestou preocupação com a possibilidade de o Irã
aprender a tecnologia de enriquecimento em um ano e isso, segundo o
governo israelense, representaria um caminho sem volta.
E os temores
de um conflito regional?
Há temores de
uma crise maior, possivelmente militar. Os Estados Unidos já
disseram publicamente que não vão permitir que o Irã desenvolva
armas nucleares. O presidente americano, George W. Bush, disse que
quer que a diplomacia resolva isso, mas que nada está descartado.
Alguns artigos na
imprensa sugerem que Israel, que bombardeou um reator do Iraque em
1981, teria começado a planejar um possível ataque. Mas, como os
Estados Unidos, Israel ainda diz que a diplomacia é a prioridade.
Pelo TNP, as
atuais potências nucleares não têm a obrigação de se livrar de
suas armas?
No artigo 6º os
signatários se comprometem a "buscar negociações em boa-fé
para medidas efetivas relacionadas ao fim da corrida às armas
nucleares e ao desarmamento nuclear".
As potências
nucleares argumentam que fizeram isso ao reduzir o número de suas
ogivas, mas críticos dizem que esses países não avançaram em
termos de desarmamento nuclear.
Os críticos também
argumentam que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha quebraram o
tratado ao transferir armas nucleares entre si. Americanos e britânicos
dizem que esse tema não é abordado pelo TNP.
Israel não
tem uma bomba atômica?
Sim. Israel, no
entanto, não é membro do TNP e, portanto, não tem obrigação de
obedecê-lo. Assim como Índia e Paquistão, que também
desenvolveram armas nucleares. A Coréia do Norte deixou o tratado e
anunciou que adquiriu a capacidade de produzir armas nucleares.
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