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PERGUNTA
| Nome: |
Fábio |
| Enviada
em: |
29/07/2005 |
| Local: |
Bragança
Paulista - SP, |
| Religião: |
Protestante |
Indubitavelmente, este
é um assunto já resolvido no meio protestante tradicional devido à
abundância de textos nas Escrituras neotestamentária que o elucidam.
Poderíamos até considerá-lo obsoleto se não fosse pelo
mariocentrismo, doutrina da Igreja Católica Romana que teima em
admitir que Maria permaneceu virgem após o parto (virginitas post
partum), o que torna parte dessa teologia um verdadeiro desvario e um
grande óbice ao verdadeiro cristianismo ortodoxo.
Durante séculos, a mariologia tem sofrido evoluções cada vez mais
ousadas, e o tempo é testemunha disso:
• Em 400 d.C, Maria foi proclamada “Mãe de Deus”;
• Em 1854, a “Imaculada Conceição de Maria” torna-se dogma;
• Em 1950, a “Assunção de Maria” vira artigo de fé.
Hoje, cogita-se em colocar Maria junto à Trindade divina, formando
assim uma quaternidade. O catolicismo está criando cada vez mais uma
Maria totalmente diferente daquela apresentada pelos evangelhos. Ao
inventarem supostos pais para Maria, Santa Ana e São Joaquim,
baseados em livros apócrifos, os católicos ao mesmo tempo omitiram a
verdadeira família de Maria e roubaram-lhe a nobre missão de mãe.
A voz dos outros evangelistas
Outro fator que corrobora com a interpretação acima é o fato de
Lucas ter usado a expressão grega prototokos, que significa
“Primogênito”, em relação ao nascimento de Cristo: “e teve a
seu filho primogênito...” (Lc 2.7).
Se Lucas quisesse dizer que Jesus foi o único filho de Maria, teria
usado, de modo inequívoco, a expressão monogenes (unigênito, em
português) que significa “[filho] único gerado”, como acontece
em João 3.16. Mas não, ele usou, de modo consciente, o termo certo:
“primogênito”, indicando que Jesus foi apenas o “primeiro”
filho de Maria, e não o “único”.
Se Jesus tivesse sido o único filho de Maria, os evangelistas
mostrariam isso, de modo explícito, em seus escritos. Mas não é
isso que constatamos no Novo Testamento.
O que diz o Novo Testamento
Uma leitura superficial do Novo Testamento, em especial dos
evangelhos, mostrará, sem sombra de dúvida, que Jesus Cristo teve
irmãos e irmãs (Mt 12.46,47, 13.55-56; Mc 6.3). E ainda nos dão os
nomes dos irmãos: Tiago, José, Simão e Judas. E essas pessoas
aparecem sempre relacionadas com Maria, mãe de Jesus, o que nos dá a
impressão de que os escritores e os evangelistas quiseram nos
transmitir o quadro de uma família composta por mãe e filhos.
Vejamos: “Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado
de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém:
Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar
contigo” (Mt 12.46-47).
Depois do milagre em Caná, Maria e os irmãos do Senhor aparecem
juntos: “Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos,
e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias” (Jo 2.12).
Em outra ocasião, Maria e seus irmãos mandam chamá-lo: “Chegaram
então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram
chamá-lo” (Mc 3.31). João acrescenta que nem os seus criam em
Jesus: “Pois nem seus irmãos criam nele” (Jo 7.5). E, por último,
os irmãos de Jesus aparecem no cenáculo orando com Maria: “Todos
estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria,
mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At 1.14).
Resposta a um suposto argumento
Não conseguindo desmentir o consenso cristalino das Escrituras, os
mestres romanistas acabam forjando sofismas cada vez mais mascarados
de piedade que, aos poucos, vão alcançando a mente e o coração dos
adeptos católicos. Todavia, quando confrontados com a Bíblia, tais
disparates revelam ser apenas paliativos ardilosos que, por vezes,
acabam sendo pulverizados diante dos fartos argumentos bíblicos. Na
tentativa de esquivar-se dos argumentos protestantes, os líderes católicos
desenterram, das ruínas medievais, teses falaciosas floreadas com
terminologias teológicas modernas para causar impressão. Uma dessas
teses tenta transferir os irmãos de Jesus para uma outra Maria e,
para alcançar esse objetivo, faz verdadeiro malabarismo com os nomes
bíblicos. Consegue fazer uma combinação engenhosa com os textos de
Marcos 6.3, 3.18, 15.14, 16.1 e João 19.25. Diz que Maria, mãe de
Tiago (o menor) e de José é irmã de Maria (a mãe de Jesus) e
mulher de Cleofas, a quem confundem com Alfeu. Resumindo: esses “irmãos”
(Tiago e José) de Marcos 6.3, segundo essa teoria, na verdade seriam
primos de Jesus. Uma explicação plausível e uma suposta base “bíblica”
para a questão. Ledo engano!
Origens dessa doutrina
Não se sabe ao certo onde e como começou a acreditar-se que os irmãos
de Jesus, de quem tanto a Bíblia fala e “de modo explícito”,
eram apenas seus primos ou irmãos em sentido espiritual (versão
Romana) ou meio-irmãos de um casamento anterior de José (versão
Grega). Parece que isso surgiu com uma deturpação da resposta de um
soldado romano chamado Pantera aos judeus que acusavam Maria de
cometer adultério (Atos de Pilatos 11.3 e Talmud, séc. II). No ponto
de vista judaico, Jesus seria um filho bastardo desse suposto soldado.
O fato é que essa doutrina ganhou força somente após o século IV,
com Jerônimo. Até então, era praticamente desconhecida pelos
antigos escritores pré-niceno. Como de praxe, é mais uma das
invencionices da Igreja Católica.
Um dos pais primitivos que mais colaborou para que essa distorção
criasse corpo foi Orígenes, que se baseou em duas obras apócrifas: o
“Proto-Evangelho de Tiago” e o “Evangelho de Pedro”, de meados
do século II. Não demorou muito, Epifânio seguiu os passos de Orígenes
e acabou abraçando tal idéia.
É interessante notar que Orígenes, Epifânio e Jerônimo eram
adeptos do ascetismo e da vida monástica que incluía a castidade. Orígenes,
segundo alguns historiadores, chegou a castrar-se! Mais tarde, porém,
essa teoria sobre os irmãos de Jesus foi desenvolvida e aperfeiçoada.
Empacotada de modo sofismável pelos teólogos católicos, é agora um
dos dogmas do catolicismo romano.
O que muitos protestantes talvez não saibam é que até mesmo os
reformadores Lutero e Calvino criam na virgindade perpétua de Maria.
Mas, por outro lado, é bom frisarmos que muitos pais primitivos como
Hegesipo, Tertuliano, Irineu e, posteriormente, Eusébio e Helvídio
defendiam a idéia de que os irmãos de Jesus eram de fato seus irmãos
carnais. A mesma defesa é feita atualmente por uma maioria esmagadora
de protestantes e também por alguns teólogos católicos.
Analisando o evangelho de Mateus
O texto de Mateus 1.25 afirma o seguinte: “e não a conheceu
enquanto (até que) ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de
Jesus”.
Para os protestantes, a referência bíblica em apreço parece ser, a
princípio, uma fortaleza inexpugnável, e não é para menos, pois
diz categoricamente que José não a conheceu “até” ou
“enquanto” (heos, hou) ela não deu à luz. Ora, o que depreende e
subentende-se é que, após o parto, Maria teve relações sexuais com
seu marido como qualquer casal judeu normal de seu tempo! Parece ser
esta a preocupação principal do evangelista ao transmitir sua
mensagem. Mas, por outro lado, devemos concordar com nossos
antagonistas romanos em que há casos em que Mateus usa a preposição
“até” para dizer que não houve mudança após a ocorrência de
determinado evento. Por exemplo, “Não esmagará a cana quebrada, e
não apagará o pavio que fumega, até que faça triunfar o juízo”
(Mt 12.20). É claro que o texto não está dizendo que o manso
Messias será um ditador cruel após o triunfo do juízo.
Outros textos bíblicos, além de Mateus, podem ser usados como
exemplo: Salmo 110.1 e 1 Timóteo 4.13. Mas podemos ver Mateus usando
a preposição “até” (que indica um limite de tempo, nos espaços,
ou nas ações) quando o contexto diz claramente que há mudança.
Vejamos: “E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor
apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe,
foge para o Egito, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há
de procurar o menino para o matar” (Mt 2.13).
Assim, tomar este trecho de forma isolada não é de modo nenhum
conclusivo para ambas as partes; não resolve o problema. Se quisermos
obter uma idéia mais clara do assunto teremos de nos voltar para um
contexto maior e achar algo fora desse trecho que complete esta lacuna
e dirima a incógnita. Será que Mateus usou a preposição “até”
para indicar mudança ou não? Resolveremos isso usando dois princípios
de interpretação: o contexto imediato e o contexto mais lato.
É notório que os casamentos orientais da época de Jesus eram, sem
sombra de dúvida, bem diferentes dos do nosso tempo. Mateus declara
que Maria estava desposada (entenda-se noiva) com José. Diz ainda que
ele não a “conheceu até” (Mt 1.18). Algumas vezes a palavra
“conhecer” é usada na Bíblia de modo figurado, significando relação
sexual (Gn 4.25), e, neste caso, o contexto apóia este sentido.
O significado de irmãos na Bíblia
Em Mateus 12.47, na Bíblia católica, versão dos “Monges Maredsous”,
o tradutor teceu o seguinte comentário sobre os “irmãos” de
Jesus no rodapé da página: “Irmãos: na língua hebraica esta
palavra pode significar também ‘parentes próximos’ ou
‘primos’, como neste caso. Exemplo: Abraão, tio de Lot, chama-o
com a designação de irmão (Gn 11.27; 13.8)”.
Outro estudioso católico afirma: “Assim sendo, é possível que por
detrás dos ‘irmãos’ e ‘irmãs’ de Jesus estejam seus
‘primos’ ou ‘parentes’1.
Refutação bíblica: Não existe um só caso na Bíblia, e
principalmente no Novo Testamento, em que a palavra grega adelphós
(irmão) é traduzida por primo ou parente. Das 343 vezes em que o N.T
usa o termo adelphós, ele apresenta dois sentidos para a palavra
“irmão”: a de irmão legítimo (carnal) e o metafórico.
Sentido metafórico: Neste sentido, enquadram-se todos os textos sobre
os seguidores de Jesus (Mc 3.35), os cristãos da igreja (1Co 1.1), os
judeus (Rm 9.3) e os seres humanos em geral (Hb 2.11,17). É obvio que
as referências nos evangelhos e nas epístolas aos “irmãos”
(filhos de Maria) de Jesus não se enquadram nesta categoria.
Sentido literal: É justamente neste sentido que a palavra irmãos (no
plural) é usada, em sua grande maioria, na Bíblia. Nenhum estudioso
católico jamais traduziu esta palavra como primos ou irmãos
espirituais. As Escrituras não deixam nenhuma dúvida quanto a esse
assunto. Duvido que alguém leia os textos que seguem e consiga
empregar o sentido de primo ou irmão espiritual onde aparece a
palavra irmãos.
“E, passando mais adiante, viu outros dois (irmãos) Tiago, filho de
Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando
as redes; e os chamou” (Mt 4.21).
“E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou
mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes
tanto, e herdará a vida eterna” (Mt 19.29).
A Bíblia deixa patente que quando a palavra “irmãos” aparece
junto aos termos “pai” e “mãe” ela denota filiação legítima
de sangue, e isto ninguém consegue eclipsar. Compare: “Não é este
o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos
Tiago, José, Simão, e Judas?” (Mt 13.55).
Nas quinze ocorrências em que é empregado o termo adelphós em relação
a Jesus o sentido básico é de irmãos legítimos. Mas alguns podem
objetar dizendo que a palavra hebraica ah (irmão) aparece várias
vezes significando irmãos não de sangue, mas primos ou sobrinhos. É
verdade que a língua hebraica tinha um vocabulário um pouco pobre e,
por isso, não possuía uma palavra específica para primos ou
parentes. Então utilizava a expressão “irmão” de modo lato (Gn
29.12, 24.48)
Esse artifício, no entanto, não é suficiente para que os católicos
se esquivem da derrocada teológica! A palavra “irmão”, no
hebraico, pode significar primo, mas, mesmo neste caso, temos de tomar
cuidado. Geralmente, quando a palavra “irmão” é empregada no
sentido de parente próximo o contexto esclarece a questão (1Cr
23.21-22). Além disso, o Novo Testamento foi escrito em grego, e não
em hebraico. Será que no grego Coiné, língua na qual foi escrito o
Novo Testamento, existia esta distinção praticamente ausente no
hebraico? Vejamos.
Termos do Novo Testamento para irmãos e primos
Não devemos nos esquecer de que quando o Novo Testamento faz referências
aos irmãos de Jesus o contexto não traz nenhum tipo de
esclarecimento adicional, como acontece no Antigo Testamento. Além
disso, os escritores sabiam a diferença entre os termos irmão (adelphós),
primo (anepsiós) e parentes (sungenes). Mesmo Paulo, que usava
bastante metáfora, sabia usar com distinção essas palavras. Tanto
é que escreveu sobre os “irmãos” de Jesus sem deixar nenhuma dúvida
ao laço carnal entre o Senhor e seus irmãos. Vejamos: “Não temos
nós direito de levar conosco esposa crente, como também os demais apóstolos,
e os irmãos do Senhor, e Cefas?” (1Co 9.5). “Mas não vi a nenhum
outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor” (Gl 1.19).
Como já falamos, e isso é interessante, o apóstolo Paulo sabia
perfeitamente usar a palavra correta para primo (anepsiós) e parente
(sungenes) em suas epístolas. Não havia motivo de confusão! “Saúda-vos
Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, o primo de Barnabé...”
(Cl 4.10). “Saudai a Herodião, meu parente” (Rm 16.11).
Caso a tese católica estivesse correta, o apóstolo poderia muito bem
ter usado a expressão hoi anepsiós Kyriou (primos do Senhor), e não
adelphói tou Kyriou (irmãos do Senhor), até porque os irmãos de
Jesus estavam vivos quando o apóstolo escreveu as duas epístolas.
Argumentos contraproducentes
Diante do exposto, a única consideração plausível a que podemos
chegar é que os “irmãos” de Jesus eram realmente seus irmãos
legítimos. É justamente esse o sentido do termo adelphós no Novo
Testamento. Apesar de todo o esforço empregado pelos católicos para
defender a virgindade perpétua de Maria, seus argumentos são
totalmente contraproducentes.
O Salmo 69 é um texto profético com força suficiente para
desmantelar o arcabouço erigido pelas artimanhas teológicas católicas.
Qualquer exegeta que ler esse salmo terá de admitir que se trata de
um salmo messiânico, ou seja, um salmo que fala sobre o ministério e
a vida de Jesus, o Messias. No verso 8, o autor descreve perfeitamente
a família de Jesus sem deixar dúvidas quanto à legitimidade carnal
de parentesco entre eles. Vejamos: “Tornei-me como um estranho para
os meus irmãos, e um desconhecido para os filhos de minha mãe”.
Quando, então, comparado com alguns textos do Novo Testamento, João
7.3-8 por exemplo, o Salmo 69 torna-se um argumento esmagador contra a
teoria católica. “Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te
daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam
as obras que fazes. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando
procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao
mundo. Pois nem seus irmãos criam nele. Disse-lhes, então, Jesus:
Ainda não é chegado o meu tempo; mas o vosso tempo sempre está
presente. O mundo não vos pode odiar; mas ele me odeia a mim,
porquanto dele testifico que as suas obras são más. Subi vós à
festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda não é chegado o
meu tempo”.
Compreendemos agora, por meio desse texto, o porquê de Jesus ter
deixado sua mãe aos cuidados de João, e não de seus irmãos!
Você inicia sua carta
escrevendo:
“Indubitavelmente,
este é um assunto [virgindade perpétua] já resolvido no
meio protestante tradicional”
Mas qual a importância
do meio protestante tradicional em qualquer discussão teológica?
Aliás, quando você fala em meio protestante tradicional, a qual
você se refere, o batista, o luterano, o presbiteriano, o anglicano
ou o metodista?
As decisões do
protestantismo não têm a mínima importância, pois nunca Cristo
prometeu qualquer garantia a herege algum, o fez entretanto à Sua
Santa Igreja, que é a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica,
governada pelo Sucessor de São Pedro, o bispo de Roma
“Poderíamos até
considerá-lo obsoleto se não fosse pelo mariocentrismo, doutrina
da Igreja Católica Romana que teima em admitir que Maria permaneceu
virgem após o parto (virginitas post partum), o que torna parte
dessa teologia um verdadeiro desvario e um grande óbice ao
verdadeiro cristianismo ortodoxo”
A Igreja Católica, Fábio,
não teima nada, ela define verdades e proclama dogmas com o poder
dado pelo próprio Cristo, ou você nunca leu o Evangelho, no qual
está dito:
“Tudo
o que ligares na terra será ligado no Céu” (Mt XVI, 19)
A virgindade perpétua
da Santíssima Virgem foi definida por Pio IX, sucessor de São
Pedro e herdeiro da promessa de Cristo, transcrita acima. Que Nossa
Senhora foi Virgem antes, durante e depois do parto, foi ligado no Céu
pelo poder das chaves, ou por acaso você não aceita essa parte da
escritura?
“Durante séculos,
a mariologia tem sofrido evoluções cada vez mais ousadas, e o
tempo é testemunha disso:
• Em 400 d.C,
Maria foi proclamada “Mãe de Deus”;
• Em 1854, a
“Imaculada Conceição de Maria” torna-se dogma;
• Em 1950, a
“Assunção de Maria” vira artigo de fé.”
Não existiu evolução
nenhuma. Desde os primeiros séculos Nossa Senhora tem um papel
singular na vida da Igreja, o que ocorreu foi que, nos primeiros séculos
do cristianismo, durante a conversão dos pagãos, era perigoso
apresentar a devoção mariana da forma como a conhecemos hoje,
visto que os pagãos, oriundos de uma religião idólatra, poderiam
facilmente, perante a grandeza incomensurável de Maria Santíssima,
considerá-la como uma deusa.
Passado esse perigo, a
devoção a grandíssima Mãe de Deus floresceu de maneira admirável
em toda a cristandade.
Portanto o que houve
foi prudência, não evolução.
“Hoje, cogita-se
em colocar Maria junto à Trindade divina, formando assim uma
quaternidade. O catolicismo está criando cada vez mais uma Maria
totalmente diferente daquela apresentada pelos evangelhos. Ao
inventarem supostos pais para Maria, Santa Ana e São Joaquim,
baseados em livros apócrifos, os católicos ao mesmo tempo omitiram
a verdadeira família de Maria e roubaram-lhe a nobre missão de mãe.”
Aqui, Fábio, você
parte para a acusação puramente gratuita, não sem usar de muita má
fé. Mostre-me onde houve essa cogitação absurda, envie-me a encíclica,
decreto ou instrução eclesiástica onde se disse tamanha tolice. A
Igreja Católica nunca cogitou tal coisa.
Nossa Senhora não é,
de forma alguma, maior do que Deus, antes é infinitamente inferior
a Ele, todavia, entre as criaturas, Ela é a mais gloriosa.
Você também acusa,
ridiculamente, a Igreja de ter inventado supostos pais para Nossa
Senhora. Como inventado? Acaso você pensa que Nossa Senhora não
teve pais? São Joaquim e a Sant’Ana foram os pais de Nossa
Senhora, sendo esse fato confirmado pela autoridade da Tradição
Eclesiástica, autoridade essa de instituição divina.
Passemos agora a
responder suas longas e infundadas considerações sobre a
virgindade perpétua da Mãe de Deus.
Em seu texto você se
limita a dizer que a comparação de textos bíblicos para provar
que Tiago, José, Simão e Judas eram primos de Jesus é um “ledo
engano.”
Nesse ponto você se
limita a afirmar que esse argumento não é válido, esquece-se,
entretanto, de dizer por que.
Para responder essa
questão, transcrevo-lhe a brilhante resposta de Lúcio Navarro, em
seu livro Legítima Interpretação da Bíblia, Campanha de
Instrução religiosa, Brasil-Portugal, Recife, 1958 n º 400,
pp.590 a 592 inclusive.
"400.
Diante da frase de S. Mateus vista no número anterior, o leitor
ainda poderá compreender como se tenham equivocado os protestantes,
iludindo-se com as aparências.
Mas
agora vai pasmar ao ver a malícia, a precipitação com que esses
enfatuados intérpretes da Bíblia que a lêem continuamente e
procuram aprendê-la de cor, ainda vão tirar da expressão irmãos
de jesus uma conclusão. contra a virgindade perpétua do Maria Santíssima.
Senão, vejamos.
Sabemos
que a Escritura não somente designa com o nome de Irmãos aquêles
que são filhos do mesmo pai ou da mesma mãe, como eram Caim .Abel,
Esaú e Jacó, S. Tiago Maior e S. João Evangelista (que eram
filhos de Zebedeu) etc.; mas também aqueles que são parentes próximos,
como tios e primos. - A Escritura está cheia destes exemplos.
Abraão
chama de Irmão a Lot: "Peço-te que não haja rinhas entre
mim e ti, nem entre os meus pastores e os teus, porque somos irmÃos
(Gênesis, XIII-8). Mais adiante a própria Bíblia o chama
assim: "Abraão, tendo ouvido que Lot, seu irmão, ficara
prisioneiro... (Gênesis XIV-14). Pois bem, "Lot
era apenas sobrinho de Abraão, pois já antes disto se lê no Gênesis:
"Tinha Abraão setenta e cinco anos, quando saiu de Harã. E
ele levou consigo a Sarai, sua mulher, a Lot, filho de seu irmão,
e todos os bens que possuíam (Gênesis XII-4 e
5).
Labão,
diz a Jacó: "Acaso, porque tu és meu irmão, deves
tu servir-me de graça ? (Gênesis XXIX-15). E no
entanto Jacó era sobrinho de Labão:Isaac chamou a Jacó e o
abençoou e lhe pôs pôr preceito dizendo: "Não tomes mulher
da geração de Canaã; mas vai e parte para a Mesopotimia ... e
desposa-te com uma das filhas de Labão, TEU TIO"" (Gênesis,
XXVIII -l e 2). Realmente Jacó era filho de Isaac com Rebeca (Gênesis
XXV, 21 a 25) e Rebeca era irmã de Labão: "Rebeca, porém,
tinha um irmão chamado Labão (Gênesis, XXIV-29).
E, no entanto, não só como vimos acima, seu tio o chama irmão,
mas também quando Jacó se encontra com Raquel, que é filha de Labão
(Gênesis XXIX-5 e 6), diz à moça que é irmão de Labão:
"E lhe manifestou que era irmão de seu pai, filho de
Rebeca (Gênesis XXIX-12).
Lê-se
no Levítico que Nadab e Abiu, filhos de Arão (Levítico
X-1) são mortos pôr castigo, pôr terem oferecido um fogo estranho
nos seus turíbulos. Moisés chama os primos dos que faleceram:
Misael e Elisafan, filhos de Oziel, tio de arão (Levítico
X-4) e lhes diz: ide, tirai vossos irmãos de diante do
santuário e levai-os para fora do campo (Levítico X-4).
Lê-se
no livro de Paralipômenos que Eleazar e Cis são filhos de Moholi:
"filhos de moholi: Eleasar e Cis"(I Paralipômenos
XXIII-21), portanto Irmãos no verdadeiro sentido da palavra.
Eleazar só teve filhas e não filhos; as filhas dele se casaram com
os filhos de Cis. Espera-se que a Escritura diga: casaram-se com os
filhos de Cis, que eram seus primos; mas ela diz: com os filhos de
Cis, seus irmãos: "E Eleazar morreu e não teve filhos, senão
filhas; e casaram com os filhos de Cis, seus irmãos (I Paralipômenos,
XXIII-22).
É
dentro deste costume hebreu de designar com o nome de irmãos, não
só os que têm os mesmos pais, senão também os parentes próximos
como tios, primos e sobrinhos, pois o hebraico não possuía
palavras próprias para designar esses parentescos, que o Novo
Testamento fala em irmãos de jesus e é o próprio Novo Testamento
QUE SE ENCARREGA DE. DEMONSTRÄ-LO.
Querem
ter a prova nossos amigos protestantes?
Dá
alguma vez o Evangelho os nomes desses irmãos de Jesus, para que
possamos identificá-los?
Sim, dá.
Sabe-se dos nomes, pelo menos de 4: Tiago, José, Judas e Simão:
"Não é este o oficial, filho de Maria, irmão de
tiago, de José, de judas e de simao? Não vivem aqui
entre nos também suas irmãs ? (Marcos, I-3).
"Porventura não é este o filho do oficial ? Não se chama
sua mãe Maria, e seus irmãos tiago, josé,
simao e judas? E suas irmãs não vivem elas todas
entre nós? (Mateus, XIII-55 e 56).
Pois
bem, este tiago que encabeça a lista é um Apóstolo, pois diz S.
Paulo na Epístola aos Gálatas: "E dos outros apóstolos
não vi a nenhum, senão a tiago, irmão do SENHOR (Gálatas,
1-19).
Quer
dizer então que, segundo a opinião desses protestantes, este Tiago
Apóstolo era filho de Maria, mãe de Jesus; e de Maria e de José,
porque, como os próprios protestantes reconhecem, Maria nunca teve
filhos antes de seu casamento com José. E não se casou com outro
depois da morte de José, pois na hora da morte de Cristo, ela está
sozinha, sem marido e Cristo a entrega a S. João Evangelista; além
disto se Maria tivesse casado outra vez, seus filhos estariam
pequenos, não estariam em idade de ser Apóstolos.
Temos
2 Apóstolos com o nome de Tiago: Tiago Maior, e Tiago Menor. Vamos
ver se algum deles era filho de José com Maria.
S.
Tiago Maior era irmão de S. João Evangelista, e ambos FILHOS
DE ZEBEDEU: "Da mesma sorte havia deixado atônitos a
tiago e a. JOÃO, filhos db zebedeu (Lucas V-IO).
S.
Tiago Menor, que era irmão de Judas, era filho de ALFEU. Entre os
Apóstolos, que são enumerados pôr S. Mateus, estão: Tiago FILHO
DE ZEBEDEU, e Tiago filho de ALFEU (Mateus X-3).
Que tem a ver Maria Santíssima com este Alfeu ou com este Zebedeu?
Logo, este Tiago, IRMÃO DO SENHOR, não é seu filho.
Além
disto, comparando-se os Evangelhos, se vê claramente que este Tiago
« este José que encabeçam a lista são PRIMOS de Jesus», e
o Tiago é o Apóstolo Tiago Menor. Enumerando as mulheres que
estavam juntamente com Maria ao pé da cruz, Mateus, Marcos e João
as identificam da seguinte maneira:
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Maria,
mãe de Tiago e de José;
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Maria,
mãe de Tiago Menor e de José;
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a
irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofas
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a
mãe dos filhos de Zebedeu.
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Por aí
se vê que a mesma Maria que é apresentada por São João como tia
de Jesus (Irmã de sua mãe) é apresentada por São Mateus e S.
Marcos como mãe de TIAGO MENOR E de José. E é claro que não se
trata de Maria Salomé, que é a mãe dos filhos de Zebedeu e,
portanto, é mãe de Tiago Maior.
Tiago
Menor e José são, portanto, PRIMOS de Jesus e são os primeiros
que. encabeçam aquela lista: TIAGO, JOSÉ, JUDAS E SIMÃO
E de
fato o Apóstolo S. Judas Tadeu era irmão de S. Tiago Menor, pois
ele diz no começo de sua Epístola: "Judas, servo de Jesus
Cristo e IRMÃO de Tiago (vers. l.). Tanto o
Evangelho de S. Lucas (VI-16) como os Atos dos Apóstolos (1-13)
para diferenciarem Judas Tadeu de Judas Iscariotes, chamam a Judas
Tadeu: Judas, irmão de Tiago.
E
assim cai por terra fragorosamente a alegação dos protestantes de
que Maria teve outros filhos além do Divino Salvador, alegação
baseada em que o Evangelho fala em irmãos de jesus. Não só
provamos que entre os hebreus se chamavam IRMÃOS os parentes próximos,
mas também mostramos que a lista dos nomes apresentados como sendo
destes IRMÃOS é logo encabeçada pôr dois PRIMOS, filhos da
irmã da mãe de Jesus. Logo, não tem nenhum valor a alegação.
A única
dificuldade, esta agora já sem importância, que pode fazer o
protestante é que Tiago Menor é filho de ALFEU, e sua mãe é
apresentada COMO MULHER DE CLEOFAS.
Sem
precisar recorrer a nenhum argumento de tradição (porque talvez os
protestantes não gostem disto) temos que observar o seguinte:
l.0
— o texto original não diz MULHER DE CLEOFAS, mas diz
simplesmente: a irmã de sua mãe, Miaria, a do Cleofas
(texto grego de João XIX-25); podia chamar-se Maria, a do Cleofas,
pôr causa do pai ou pôr outro qualquer motivo;
20
— não repugna que a mesma Maria se tenha casado com Alfeu e dele
tenha tido S. Tiago Menor, e depois se tenha casado com Cleofas e
tido outros filhos ou mesmo deixado de ter. Tiago é o único que é
apontado nos Evangelhos como filho deste Alfeu, pois o Alfeu, pai de
S. Mateus (Marcos 11-14) já deve ser outro;
3.°
— não repugna que o próprio Alfeu seja o mesmo Cleofas. É muito
comum nas Escrituras uma pessoa ser conhecida pôr 2 nomes diversos:
O sogro de Moisés é chamado Raguel (Êxodo 11-18 a 21) e
logo depois é chamado Jetro (Êxodo, III - l). Gedeão,
depois de ter derribado o altar de Baal é chamado também Jerobaal
(Juizes, VI-32). Osias, rei de Judá, é chamado também
Azarias (4 Reis, XV-32; I Paralipômenos, III-12). E
no Novo Testamento o mesmo Mateus é chamado Levi: "Viu um
homem, que estava assentado no telônio, chamado Mateus (Mateus,
IX-9) . "Viu a Levi, filho de Alfeu, assentado no telônio (Marcos,
11-14). O mesmo que é chamado José é chamado Barsabas (Atos,
I, 23).
Ainda
hoje mesmo, entre nós, nas nossas localidades do interior
principalmente, é multo comum esta duplicidade de nomes.
Seja
Alfeu o mesmo Cleofas ou não seja. Isto pouco importa. 0 que é
fato é que Maria de Cleofas é Irmã de Maria, mãe.de Jesus e é
ao mesmo tempo mãe de Tiago e de José, que são chamados IRMÃOS
do Senhor" (Lúcio Navarro, Legítima Interpretação da Bíblia,
Campanha de Instrução religiosa, Brasil- Portugal, Recife, 1958 n0
400, pp.590 a 592 inclusive).
Fica, portanto,
provado, que os irmãos de Jesus eram seus parentes, conforme a própria
Sagrada Escritura.
Esperando sua refutação...
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