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17/09/06
A 14ª Cúpula do
Movimento de Países Não-Alinhados (Noal) terminou hoje em Havana com
uma declaração de respaldo e solidariedade para Bolívia, Venezuela e
Cuba, e após o discurso dos representantes de República Dominicana,
Panamá, Guatemala, Equador, Colômbia, Chile e Honduras.
O presidente do Equador,
Alfredo Palacio, defendeu uma "nova ordem internacional", que
deve começar pela reforma urgente da ONU, do Fundo Monetário
Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), e uniu-se também "ao
clamor mundial que exige o respeito ao cessar-fogo" em todos os
conflitos internacionais.
Por sua parte, Martín Torrijos, presidente do Panamá, advogou por
fortalecer o Noal mediante uma "coerência em sua ação" e a
concretização de "objetivos comuns".
"Se nossos países identificam claramente seus objetivos e nos
coordenarmos em todos os foros internacionais, teremos em um futuro próximo
um Movimento com um peso seja de acordo com a representatividade que
ostenta", disse.
O presidente boliviano, Evo Morales, centrou seu discurso nas críticas
aos Estados Unidos.
"Queria pedir aos senhores que nos ajudem a persuadir, explicar ou
fazer campanha para que genocidas bolivianos que escaparam para os Estados
Unidos sejam expulsos de lá", disse Morales, que acrescentou que
"não é possível que o Governo americano proteja corruptos e delinqüentes".
"Só queremos julgar quem trouxe danos aos direitos humanos",
acrescentou Morales em referência ao ex-presidente Gonzalo Sánchez de
Lozada (2002-2003), que se encontra refugiado nos Estados Unidos, enquanto
corre um processo judicial por genocídio contra ele na Bolívia.
O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, agradeceu a Cuba por sua
colaboração no processo de paz na Colômbia e afirmou que "o
problema mundial das drogas" é uma responsabilidade
"compartilhada que todos devem assumir".
A ministra da Presidência do Chile, Paulina Veloso Valenzuela, destacou
que o desenvolvimento da energia nuclear "só deve acontecer sob o
estrito compromisso ao desarmamento" e com uma "rigorosa submissão"
aos controles da Agência da Energia Atômica Internacional (AIE), assim
como aos de outros organismos das Nações Unidas.
Finalmente, o Ministro de Governo e Justiça de Honduras, Jorge Antonio
Reina, ressaltou a solidariedade e identidade de seu país com o Noal
"em seu empenho por construir um mundo pacífico e
multilateral".
Os países-membros também "consideraram com preocupação as políticas
agressivas dos Estados Unidos contra a Venezuela" por causa do
"aumento das ações americanas destinadas a afetar a estabilidade
venezuelana".
No tocante a Cuba, o texto recolhe um novo pedido - que se repete desde
1992 - dos dirigentes do Noal ao Governo dos Estados Unidos para pôr fim
ao embargo econômico, comercial e financeiro contra a ilha.
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