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ESCRAVOS DA BESTA:
O artigo-entrevista abaixo traz algumas revelações que a muitos não
assustam, mas que deveriam chamar a atenção de nós todos. O fato é que
estamos sendo cada vez mais vigiados e monitorados, e percebo isso agora
enquanto faço as declarações de Imposto de Renda.
O cuzamento de dados é imediato e fulminante, de modo que aos poucos
ficaremos completamente imobilizados nas mãos do governo, que saberá o
que compramos e quanto, na tentativa feroz de sempra mais arrecadar. Para
sempre mais poder nos roubar e dividir com alguns poucos.
Não somente isso, sabemos que nossos dados pessoais, que deveriam ser
invioláveis por lei, estão sendo remetidos para o computador da
besta internacional, que vai montando assim o perfil de cada cidadão do
planeta, sua residência, seus gostos e tendências, especialmente sua
religião.
Desta forma, quando explodir o reino do anticristo, quando vier a falsa
igreja do antipapa, eles não precisarão nem pestanejar, pois já sabem
onde ir buscar, e a quem eles precisam calar ou matar. Tudo isso eles vão
descobrindo a cada ficha que você preencha, cada cadastro com seus números
de identificação, e isso vai desde sua identidade, seu CPF, seu título
de eleitor e carteira de motorista.
Hoje se comenta, inclusive, que os novos televisores vêm munidos com
dispositivos internos de gravação, que captam as conversas dentro das
lares, e fazem isso através do cabo neutro da energia elétrica. Sabendo
disso, instalei uma chave geral, que desliga os dois cabos do aparelho de
TV, entretanto, parece que ela fica furiosa, pois mesmo desligada, de
quando em vez ela emite um barulho interno, como um pulso elétrico, o que
é muito estranho.
Alguns dizem que isso é loucura, mas tudo aquilo que hoje se diz loucura,
amanhã pode ser estonteante dealidade. Tudo aquilo que um cérebro louco
prenuncia hoje, amanhã tem o inventor, que torne aquilo realidade.
De fato, estamos cada vez mais enredados, e o texto irá mostrar que não
tem como escapar: quem pensa sair do laço, cairá na cova. Mesmo que fuja
para o mato, ainda assim não estará livre dos satélites que olham tudo
do espaço, e monitoram objetos de até 20 cem de diametro. Podem então
lhe dar um tiro na boca, onde você estiver.
Estes são sinais que cumprem sem dúvida o Apocalipse 13, e sinais também
de que Deus está perto de intervir no mundo. Afinal, o Apocalipse são
revelações do próprio Jesus.
As liberdades individuais se reduzem: Podemos escapar à
vigilância?
13.04.2008
- As liberdades individuais se reduzem no mesmo ritmo em que as novas
tecnologias se desenvolvem. No entanto, sem nos preocupar, ajudamos essa
vigilância ao revelar nossas vidas na Internet ou utilizar senhas eletrônicas.
Assim sacrificamos a liberdade pelo conforto, a diversão ou a segurança
Satélites de observação, câmeras de vigilância, passaportes biométricos,
cadastros administrativos, policiais ou comerciais, chips de radiofreqüência,
GPS, telefones celulares, Internet: o cidadão moderno está no centro de
uma rede de tecnologias cada vez mais aperfeiçoadas e cada vez mais
indiscretas. Cada um desses instrumentos, que deveriam nos dar conforto e
segurança, pergunta diariamente um pouco mais sobre nós mesmos, nos
classifica, nos observa. Ao mesmo tempo cúmplices e inconscientes, caímos
na sociedade da vigilância.
Ainda é possível escapar desses inúmeros dispositivos que nos cercam?
Perguntamos a Thierry Rousselin, consultor em observação espacial,
ex-diretor de programa de armamentos na Delegação Geral para o
Armamento, que publica com Françoise de Blomac, especialista em novas
tecnologias da informação, "Sous Surveillance" (ed. Les
Carnets de l'Info), um apanhado muito útil dessas tecnologias, que tenta
distinguir entre as fantasias e os verdadeiros riscos de desvios.
Le Monde - Quais são hoje os grandes campos da vigilância tecnológica?
Thierry Rousselin - Poderíamos traçar círculos concêntricos. O
primeiro são os "pedaços" de nós mesmos, tudo o que se refere
à biometria. Progressivamente, damos um certo número de elementos que
nos pertencem, que nos identificam. Isso começou com nossas impressões
digitais. Hoje é a vez do DNA, da íris, da palma da mão, e em breve
nossa maneira de andar ou nossos tiques. Nossa identidade está se
confundido com a biologia e nossos comportamentos físicos. O segundo círculo
são todos os sensores que nos cercam: os que nos olham com a videovigilância,
as webcams, os teleguiados, os aviões, os helicópteros, os satélites.
Também há a escuta, em todos os sentidos da palavra. Não devemos nunca
esquecer que o principal meio de escuta é uma pessoa ao nosso lado.
Podemos também utilizar nossas próprias ferramentas, sobretudo o
telefone. Fui visto, fui escutado, também sabem onde estou ou quem sou
através de meus próprios objetos? Eu comprei um GPS ou um celular. Será
que podem me seguir através desses aparelhos? Os diversos cartões -de
pagamento, de fidelidade, de crédito- que tenho em minha carteira contam
coisas sobre mim em tempo real cada vez que os utilizo. Os formulários
que preenchi há 30 anos desenham uma imagem de mim mais precisa que
minhas próprias lembranças.
O último ponto se refere ao computador. Será que ao utilizá-lo eu
transmito informações além do que estou percebendo? Há um certo número
de anos, vemos que em cada inquérito judicial os policiais usam o
computador. Ele pode contar coisas sobre nossas atividades. Depois há a
Internet. Nela nos preocupamos que as pessoas sejam capazes de entrar na
rede para extrair nossas informações. Minha sede de fazer amigos, de me
fazer conhecer, não me leva a contar coisas demais que um dia poderão
ser usadas contra mim? Portanto, os domínios da vigilância afetam hoje
quase todas as nossas interações com o mundo exterior, quase todos os
nossos sentidos.
As preocupações são ainda mais vivas porque percebemos que teríamos
muita dificuldade para dispensar várias dessas tecnologias. Sim, somos em
grande parte cúmplices do avanço da vigilância. Primeiro, ela
simplifica nossa vida. Preferimos ter um cartão a um tíquete para pegar
um ônibus, assim não precisamos perfurar a passagem. O passe Navigo, que
os transportes públicos franceses (RATP) estão substituindo pelo cartão
Laranja, contém um chip de radiofreqüência no qual são incluídos
dados pessoais que permitem reconstituir todos os seus deslocamentos
durante dois dias. Ao utilizá-lo, você não se desloca mais
anonimamente. Mas o cartão permitiu ganhar tempo nos guichês e nos portões,
e fluidificar o fluxo de passageiros. A maioria dos usuários o considera
principalmente um aperfeiçoamento do serviço.
Nos EUA, uma empresa comercializa um cartão especial para evitar as filas
de espera nos controles dos aeroportos. Para obtê-lo, é preciso
responder a um questionário detalhado na Internet e fornecer elementos de
identificação biométricos. Recentemente, um dos primeiros assinantes
comentou o serviço nestes termos: "Ao me inscrever, comecei a
pensar: espero que eles tenham um bom sistema de segurança, diante da
quantidade de informações que forneci... Mas não pensarei mais nisso
quando passar assobiando pela via expressa, olhando para a enorme fila dos
coitados que esperam". É totalmente típico de nossa ambivalência
sobre essas questões. Sentimos que confiamos elementos íntimos, às
vezes para empresas que nem sequer existiam há um ano.
Mas elas fornecem serviços tão práticos que preferimos esquecer os
riscos que isso representa. Também é o caso das soluções RFID
[identificação por radiofreqüência] e GPS [sistema de posicionamento
global] destinadas a crianças ou aos doentes de Alzheimer. Aceitamos a
vigilância porque ela envolve nossos próximos mais frágeis. Mas para os
industriais essas técnicas também representam as condições do mercado.
Começamos a aceitá-las para as pessoas que mais queremos, e isso abre
caminho para a utilização em massa.
LM - O interesse financeiro também pode influir?
Rousselin - É claro! Se eu aceito um cartão fidelidade, vou receber
presentes em troca de alguns dados pessoais. Na Grã-Bretanha, várias
companhias propõem seguros mais baratos para motoristas que se
comprometem a não rodar em certas horas de dias "de risco".
Para verificar, as empresas têm o direito de obter todas as informações
sobre os deslocamentos contidas no computador eletrônico do veículo. Os
clientes trocaram uma economia substancial contra a perda da
confidencialidade de suas idas e vindas. Ao contrário, proteger seu
anonimato pode custar mais caro. A CNIL [Comissão Nacional da Informática
e das Liberdades] pediu que a RATP proponha um cartão sem informações
pessoais. É o passe Navigo Découverte: ele existe, mas é mais caro que
o passe clássico.
LM - Muitos prefeitos franceses aderiram à videovigilância, no modelo da
Grã-Bretanha, onde já são utilizadas ao todo 25 milhões de câmeras. A
que se deve esse entusiasmo?
Rousselin - É muito irracional! Em novembro, a ministra do Interior, Michèle
Alliot-Marie, afirmou que "a eficácia da videovigilância para
melhorar de modo significativo a segurança cotidiana está
comprovada". No entanto, não existe um trabalho de pesquisa que
confirme a eficácia das câmeras. Com freqüência, por trás dos
sistemas tecnológicos de vigilância há a incapacidade do poder público
de dar respostas reais aos problemas. Instalam-se câmeras porque são
muito visíveis e custam menos que contratar pessoas e realizar um
verdadeiro trabalho em campo.
Portanto, todo mundo adere, enquanto no Reino Unido os balanços são
muito moderados. O efeito é muito fraco em termos de prevenção, de
dissuasão, sobretudo quanto aos ataques a pessoas (brigas, violações...),
muitas vezes devidos a pessoas de comportamento impulsivo que não se
importam de estar sendo filmadas. O mesmo vale para o terrorismo: os
"loucos por Deus" ou por uma causa qualquer ficariam até
contentes de passar assim à posteridade.
Quanto aos pequenos delitos praticados por batedores de carteira no metrô,
são rápidos demais para ser notados e seus autores agem em lugares
muitas vezes de múltiplos usos. A videovigilância é uma ajuda preciosa
principalmente na solução de investigações a posteriori.
LM - Diante dessa generalização dos meios de vigilância, ainda é possível
"desaparecer" em nossas sociedades, escapar ao controle da
tecnologia?
Rousselin - Desaparecer ainda é possível: vários milhares de pessoas o
fazem voluntariamente todo ano na França sem que o fisco ou a seguridade
social consigam encontrá-las. Mas é preciso saber o que isso representa
como esforço, sobretudo se você fica na ilegalidade, sem uma falsa
identidade ou cirurgia plástica. A opção "ilha deserta" é
aparentemente a mais simples de realizar.
Você se retira para uma zona rural na qual poderá praticar um modo de
vida que reduza ao máximo os intercâmbios comerciais, sem computador nem
celular; eles ainda existem na França. Você fecha sua conta no banco e
paga tudo em espécie. Será preciso se abster de viajar ao estrangeiro,
principalmente aos EUA, para não ter de preencher papéis que apelam para
a biometria. Será preciso manter sua antiga carteira de identidade, que
na França é válida enquanto você estiver reconhecível na foto.
É claro que não poderá mandar seus filhos à escola no sistema oficial.
E o verdadeiro limite será a saúde, pois a partir do momento em que você
precisar do sistema de saúde entrará obrigatoriamente nos arquivos. O
problema é que essa retirada da sociedade vai parecer uma viagem ao
passado, um retorno a formas antigas de controle social.
Em seu vilarejo perdido não haverá quase ninguém, mas todo mundo num
raio de 10 quilômetros conhecerá seus hábitos de vida, suas
particularidades. Os séculos anteriores à tecnologia moderna estavam
longe de ser épocas sem vigilância. Para evitar isso, você talvez
prefira se fundir à selva urbana. A multidão das cidades também pode
garantir o anonimato. Mas nesse caso a margem entre saída do sistema e
exclusão é perigosamente estreita. Você passará despercebido, mas com
um modo de vida cada vez mais parecido com o de um sem-teto.
LM - Sem ir tão longe, ainda podemos pelo menos controlar as informações
que deixamos sobre nós?
Rousselin - Se você decide continuar na sociedade, necessariamente
circulam informações sobre você. Você paga impostos ao fisco, que por
conseguinte sabe coisas sobre você, assim como seu empregador, etc. Por
outro lado, pode evitar dar informações sobre si mesmo que ninguém o
obriga a revelar. Pode evitar preencher todos os questionários a que nem
presta atenção, geralmente sob o pretexto de ganhar brindes. Podemos
muito bem sobreviver sem cartões fidelidade e sem dar nossa ficha
completa para comprar uma torradeira de pão. É verdade que ganhamos com
isso, mas principalmente damos o direito de que o conjunto de nossas
compras seja analisado e identificado. Os cartões fidelidade alimentam
constantemente bancos de dados que memorizam todas as transações.
Progressivamente, deixamos que se forme uma mina de informações sobre nós
mesmos. Alguns desses arquivos circulam livremente, se você esquecer de
marcar o quadradinho embaixo à direita que proíbe que seu interlocutor
ceda seus dados para "parceiros". Portanto, quando você
preenche questionários não-obrigatórios, não é absolutamente obrigado
a dar informações reais. Nada o impede de errar seu endereço ou o número
de telefone.
LM - Os telefones celulares são cada vez mais considerados potenciais
espiões. Podemos limitar esse risco?
Rousselin - A partir do momento em que seu aparelho está ligado ou à
espera (em stand-by), sua operadora, a pedido de um vigilante, pode
efetivamente acionar uma série de mecanismos de espionagem. Para a
localização existem vários procedimentos que permitem situá-lo com
precisão de cerca de 50 metros, utilizando, por triangulação, as três
antenas retransmissoras mais próximas de seu aparelho. É o que foi
utilizado para localizar o comando que assassinou o delegado Erignac.
Os telefones de última geração, que hoje constituem o topo de linha,
contêm um chip GPS e serão localizáveis com muito mais facilidade e
precisão. Para a escuta, isso não se limita à possibilidade de
interceptar uma conversa, o que se tornou muito simples. Uma operadora
também tem a capacidade de usar um celular como microfone de ambiente.
Juridicamente, os serviços policiais podem, sob certas condições, pedir
à operadora que transforme o telefone em microfone e escutar tudo o que
se diz ao redor da pessoa que o utiliza. Mas em todo caso, tanto para
localização como para escuta, é preciso que o celular não esteja
desligado. Se estiver, nada mais é possível, ao contrário do que
afirmaram vários artigos que confundiram desligado com o modo em espera.
Portanto, se você quiser evitar ser constantemente localizável, faça
como os policiais ou os bandidos: desligue seu celular assim que não o
estiver mais usando. Evidentemente, você perderá um dos grandes
interesses do aparelho, o de poder ser localizado a qualquer momento.
LM - A maior brecha em nossa vida privada continua sendo o computador
conectado à Internet?
Rousselin - É verdade. A maioria dos computadores é fornecida com
sistemas operacionais que dão direito juridicamente à Microsoft ou à
Apple de colocar espiões em sua casa, supostamente por bons motivos.
Desde a conexão à rede, e sem qualquer decisão autônoma de nossa
parte, haverá todo um pequeno tráfego para propor atualizações,
verificar se não estamos utilizando programas piratas e coletar informações
sobre nosso local de trabalho.
Recentemente, o estado da Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha, votou
um projeto de lei autorizando a polícia a colocar vírus de escuta no
computador de suspeitos. Isso serviu como alerta. As pessoas perceberam
que tecnicamente era infantil e que muitas empresas sabiam fazer isso.
Assim que a pessoa entra na rede a coisa se agrava.
Cada vez que vemos um site, ele registra o número de páginas vistas, seu
tempo de consulta, os links seguidos, a integralidade do percurso do
cliente antes da transação, assim como os sites visitados antes e
depois. Imagine os mesmos métodos aplicados à revista que seus leitores
têm nas mãos: eles concordariam que você conhecesse sistematicamente o
tipo de poltrona em que estão sentados, o grau de seus óculos, suas
horas de leitura, o jornal que leram antes deste? Certamente não, no
entanto é o que acontece, sem nossa interferência, cada vez que
navegamos.
O "New York Times" publicou uma pesquisa em dezembro passado que
explica que quando entramos no Yahoo damos 811 informações pessoais
simultâneas. O computador é uma verdadeira janela para o mundo, mas não
tem cortinas. Assim, se quero ter certeza de passar despercebido, não
entro na Internet. Mas isso equivale cada vez mais a dizer "saí do
jogo social".
LM - Isso será possível daqui a 15 ou 20 anos, quando tudo estiver
desmaterializado, principalmente as formalidades administrativas? Nesse
novo "jogo social", por que o senhor é tão crítico com as
redes sociais ou a prática dos blogs?
Rousselin - Porque, para mim, o maior risco se situa aí, principalmente
no que se refere aos adolescentes. Milhões deles abriram blogs ou
participam de fóruns onde vão deixar um volume enorme de informações
sem perceber as conseqüências. Já vimos diversos casos. Jovens que
massacram em seus blogs as empresas onde fizeram estágios e que dois anos
depois se surpreendem ao saber que os recrutadores lêem esse tipo de
coisa. Fazer besteiras e querer se mostrar é próprio da adolescência. O
problema é que as divulgamos em sistemas tecnológicos privados que as
guardarão na memória. Noventa por cento das pessoas que se inscrevem em
redes sociais as abandonam dois meses depois. Elas fizeram todo o processo
de admissão e depois acabam se cansando, e deixam para trás montes de
dados pessoais.
Eu acabo de fazer uma experiência edificante nesse sentido, no âmbito
profissional. Estava em um centro de informação militar para uma
auditoria e visitei as unidades de produção. Ao voltar, quando redigi
meu relatório, percebi que não havia anotado o nome do responsável. Então
fui procurar em uma ferramenta que permite buscar quem está em qual rede
social, o equivalente a um metamotor de busca para as redes sociais.
Coloquei as informações de que dispunha (o primeiro nome dele, sua
nacionalidade e seu empregador). Encontrei o sujeito no LinkedIn. Nesse
site havia sua biografia, que ele mesmo havia digitado, assim como todas
as suas missões militares até seu posto atual. Fiquei atônito.
Google e Yahoo tornaram-se assim os principais detentores de informações
sobre nossos comportamentos, nossos hábitos de consumo. São empresas que
não existiam há dez ou 15 anos. Quem pode dizer o que elas serão daqui
a 20?
LM - Acabamos de ver que restam algumas margens de manobra se quisermos
escapar da vigilância tecnológica. Mas o que vai acontecer no dia em que
todos esses sistemas estiverem interconectados, quando for instaurada a
"convergência" dos arquivos, dos computadores, dos meios de
observação que alguns autores anunciam como inevitável até 2050?
Rousselin - Não tenho certeza se podemos ser tão categóricos sobre a
chegada desse metassistema. Há vários fatores difíceis de medir, que
podem retardar essa evolução ou mesmo impedi-la, emperrando o sistema.
Primeiro a incompetência, que não se deve subestimar jamais. O vigilante
é, por definição, paranóico. Em conseqüência, hoje ele tem muitos
inimigos entre os que supostamente estariam do seu lado. Antes de chegar a
um sistema que poderá dispensar os humanos, ainda haverá pessoas que
brigam, serviços que não se comunicam, responsáveis que dissimulam as
informações. O bê-á-bá da administração pública há 5 mil anos
consiste, entre os serviços públicos, em ocultar mutuamente as informações.
Em todos os casos ligados ao terrorismo, percebemos que a lógica básica
é o FBI que vigia a CIA, que vigia a ASN, etc. É por isso que o mulá
Omar e Bin Laden ainda estão por aí.
É o que às vezes eu acho excessivo nos panfletos sobre vigilância:
sempre há um exagero, essa tendência a pensar que o vigilante não
comete erros, que ele não levanta no meio do vídeo para tomar um café,
etc. Ele se torna desumano. Mas várias imperfeições prejudicam a
potencial eficácia da vigilância.
Outro parâmetro a se levar em conta é que cada uma das tecnologias cria
seus próprios contrapoderes. Para a observação (videovigilância ou satélites),
vemos que a maior dificuldade está na enorme quantidade de imagens em
relação ao número de analistas existentes e às capacidades técnicas
de análise disponíveis. Dezenas de milhares de amadores que decifram as
imagens também se tornam tão poderosos quanto os poderes que dispõem de
meios limitados. Constatamos isso no momento do furacão Katrina, quando,
ao ver as imagens à sua disposição, os internautas revelaram a impotência
das autoridades americanas.
Os cidadãos também podem inverter certos meios contra seus criadores e
vigiar os vigilantes. Um dos aspectos da nossa pesquisa que nos deixou
otimistas é a efervescência criativa que está crescendo ao redor desse
assunto. Diversas formas de resistências artísticas ou associativas estão
surgindo. Elas podem retardar ou impedir o pior, ao sensibilizar o grande
público.
LM - Mais que buscar passar despercebido, a solução seria tornar-se
ativo para subverter o sistema?
Rousselin - Sim, ainda há muitos campos em nossa vida pessoal onde nem
tudo está decidido. E por isso cabe a cada um de nós agir para que a
vigilância não se amplifique. Assistimos ao surgimento de ativistas,
vemos artistas, pessoas que têm comportamentos saudáveis. Mas caímos
sob nossas próprias facilidades, nossos pequenos interesses momentâneos.
Talvez seja contra isso que devemos lutar. Contra nós mesmos? Sim! Porque
gostamos muito do que é moderno e simples. A força do Google ou da Apple
são as interfaces incrivelmente fáceis e intuitivas que nos seduzem.
Todos temos amigos que fazem demonstração de seu novo objeto super
high-tech, que elogiam as virtudes de seu novo telefone, de seu novo
assistente pessoal. Eles estão simplesmente promovendo o novo instrumento
que os vigia. E se orgulham muito disso. Somos todos um pouco parecidos.
Isso mostra que somos modernos. Em certos momentos é preciso saber se
mostrar um pouco antiquado e aceitar que nossa vida seja um pouco menos
simplificada.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Fonte: UOL notícias
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