Igreja Católica condena "autocrucificação" de Madonna

 

 

"Sabei antes de tudo o seguinte: nos últimos tempos virão escarnecedores cheios de zombaria,
que viverão segundo as suas próprias concupiscências". (2Pd 3,3)

 
Madonna defende sua "crucificação" no palco, mas religiosos chamam de insulto
22.09.2006 - A cantora pop Madonna defendeu a cena de sua falsa crucificação nos shows de sua turnê mundial "Confessions", que vem quebrando recordes de público, dizendo que não se trata de algo "anticristão, sacrílego ou blasfemo", mas de um pedido às pessoas para que ajudem umas às outras.

Vários grupos religiosos, incluindo a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Russa, se queixaram, dizendo que a cena é um insulto. A rede de televisão NBC está tentando decidir se a inclui ou não num especial que irá ao ar em novembro.

Em comunicado divulgado quando a "Confessions Tour" terminou no Japão, na quinta-feira, Madonna disse: "Parece que há várias interpretações equivocadas feitas de meu surgimento sobre a cruz, e quero explicar a questão eu mesma, de uma vez por todas".

"Não é nada diferente de uma pessoa usar uma cruz no pescoço ou 'assumir a cruz', como é dito na Bíblia. Minha performance não é anticristã, sacrílega ou blasfema. Em lugar disso, é o pedido ao público para que incentive as pessoas a ajudar umas às outras e enxergar o mundo como um todo unificado".

Madonna acrescentou: "Acredito sinceramente que, se Jesus estivesse vivo hoje, estaria fazendo a mesma coisa".

A artista de 48 anos fez da cena da crucificação, na qual ela é suspensa numa cruz gigante, usando uma coroa de espinhos na cabeça, o ponto central de seu show. Líderes das igrejas Católica e Ortodoxa russa dizem que a cena é uma blasfêmia.

Em seu comunicado, Madonna disse que a intenção específica da cena é "chamar a atenção aos milhões de crianças na África que morrem todos os dias ou vivem sem cuidados, sem remédios e sem esperança. Estou pedindo às pessoas que abram seus corações e mentes para envolver-se da maneira como puderem".

Uma porta-voz da TV NBC disse esta semana que a rede ainda não decidiu se vai incluir a cena em seu especial de novembro.

Mas na quinta-feira, a revista TV Guide citou o diretor de entretenimento da NBC, Kevin Reilly, como tendo dito que a cena provavelmente será mantida, porque é importante para Madonna.

A turnê "Confessions" vem sendo a de maior receita até hoje de uma artista feminina, tendo arrecadado 193,7 milhões de dólares com 60 espetáculos que atraíram quase 1,2 milhão de fãs.

Essa arrecadação significa que Madonna já superou ligeiramente o recorde anterior, de Cher -- 192,5 milhões de dólares para os 273 shows feitos entre junho de 2002 e abril de 2005 --, na turnê que teria sido sua despedida dos palcos.

Fonte: Último Segundo  

 
Ortodoxos russos rejeitam show de Madonna e pedem luta contra o sacrilégio
05.09.2006 - Cerca de 100 radicais ortodoxos se manifestaram hoje na praça Pushkin, em Moscou, para pedir uma "nova inquisição" e protestar contra a realização do show que a cantora americana Madonna fará dia 12 na capital russa.

"Proclamamos uma nova santa inquisição, que lutará contra a profanação das cruzes, dos ícones e da simbologia da ortodoxia russa", disse Leonid Simonovich-Nikshich, líder da União de Porta-bandeiras Ortodoxos, organização que convocou o comício.

O dirigente ortodoxo afirmou que "o objetivo da nova inquisição não é matar pessoas, mas lutar contra o sacrilégio".

"Nós, ortodoxos, faremos tudo que estiver a nosso alcance para impedir o show de Madonna em Moscou", afirmou Simonovich-Nikshich.

A Igreja Ortodoxa russa (IOR) pediu a seus fiéis que boicotem o espetáculo de Madonna em Moscou, que faz parte da turnê mundial de apresentação de seu último disco, "Confessions on a Dance Floor".

"Para ilustrar suas próprias paixões, Madonna explora a cruz, a imagem de Nossa Senhora e outros símbolos religiosos. Isto é inadmissível", disse o diretor de Relação Públicas da IOR, Vsievolod Chaplin.

Chaplin afirmou que a igreja Ortodoxa "recomenda encarecidamente" a seus fiéis que não compareçam ao show da diva do pop.

"Esta jovem alegre e bonita (Madonna), que passa de uma religião a outra, necessita de assistência espiritual. Qualquer cristão poderia dar isso a ela, mas para os ortodoxos é melhor que não compareçam ao espetáculo", acrescentou o sacerdote.

Em maio, a IOR condenou o filme "O Código da Vinci", de Ron Howard, por "ofensa grave aos sentimentos religiosos". As críticas do clero, no entanto, não impediram a exibição do longa.

Na semana passada, o líder dos católicos russos, o arcebispo de Moscou, Tadeusz Kondrusiewicz, pediu à Madonna que não se crucificasse no palco durante seu primeiro show na Rússia, como fez nas outras apresentações da turnê.

"Para nós, cristãos, a imoralidade do espetáculo de Madonna é evidente, assim como a falta de consciência dos autores de 'O código da Vinci' e de 'A última tentação de Cristo'", disse Kondrusiewicz.

O líder católico pediu aos organizadores do show, que será realizado no estádio olímpico Luzhniki, em Moscou, que persuadam Madonna a não fazer poses "obscenas" durante a apresentação.

Fonte: Último Segundo  

3 de agosto de 2006

Líderes católicos, muçulmanos e judeus uniram-se para condenar a cantora Madonna por encenar uma crucificação no show que realizará na capital italiana, no domingo, a poucos metros da Cidade do Vaticano.

A mais recente performance polêmica da cantora vai mostrá-la usando uma coroa falsa de espinhos e descendo no palco atada a uma cruz brilhante. O show faz parte da Confessions Tour, que roda o mundo. 

Além da crucificação, com direto até a coroa de espinhos e que causou polêmica entre religiosos nos Estados Unidos, a cantora fez a festa da platéia com hits como Sorry e tecnologias que incluíram uma cadeira que permite malabarismos. Depois do Reino Unido, Madonna tem shows agendados em países como Itália, França, Alemanha, Holanda e Japão.

 

Criticada nos EUA, Madonna agora viu padres católicos de Roma afirmarem que a apresentação "chega perto de ser uma blasfêmia".

"Isso é desrespeitoso, de mau gosto e provocador", disse nesta quarta-feira o padre Manfredo Leone, da igreja Santa Maria Liberatrice, sobre a mais recente atuação da cantora.

"Ser colocada em uma cruz com uma coroa de espinhos como se fosse um Cristo moderno é algo absurdo. Mas fazer isso no berço da cristandade é algo que chega à beira da blasfêmia".

Em uma rara demonstração de solidariedade, líderes muçulmanos e judeus levantaram suas vozes para também condenar a chamada Rainha do Pop, famosa por temperar seus shows e vídeos com imagens religiosas e sexuais.

"Acho que a idéia dela é de um mau gosto tremendo e ela agiria melhor se fosse para casa", afirmou Mario Scialoja, chefe da Liga Muçulmana da Itália. 

Madonna também foi criticada durante a parte americana de sua turnê, onde sua atitude foi classificada como sendo “de uma insensibilidade gritante”.

A cantora defendeu a performance dizendo que se tratava de parte de um apelo à audiência para ajudar entidades assistenciais que ajudam doentes com Aids.

O padre Manfredo Leone, da igreja Santa Maria Liberatrice, de Roma, disse à agência de notícia Reuters que a performance de Madonna era “desrespeitosa, de mau gosto e provocativa”.

Riccardo Pacifici, porta-voz e vice-presidente da comunidade judaica de Roma, acrescentou que Madonna deveria cancelar essa parte da apresentação em vista do local onde subiria ao palco ¿ um estádio localizado a 1,5 quilômetro dos portões do Vaticano.

Essa não é a primeira vez que Madonna, cujo pai ítalo-americano é católico, despertou a fúria da Igreja Católica. Líderes católicos consideraram blasfemo o controvertido videoclipe da música Like a Prayer, de 1989, no qual aparecem cruzes em chamas, estátuas chorando sangue e Madonna seduzindo um Jesus negro. 

Em 1989, no vídeo da música “Like a prayer”, Jesus Cristo interpretado por um ator negro e cruzes queimando causaram polêmica, bem como uma simulação de masturbação que Madonna fazia no palco, durante a turnê de 1993.

Em 2004, um grupo do Vaticano avisou que a crença religiosa mais recente de Madonna, a Cabala, uma forma mítica do judaísmo, era uma potencial ameaça à fé católica.

Madonna, de 47 anos, não quis se curvar às exigências da Igreja Católica, mas, em uma entrevista publicada na quinta-feira, afirmou não ter nada além de elogios para suas raízes italianas.

A cantora afirmou à edição italiana da revista Vanity Fair que seus "bons genes" explicavam por que continuava em forma, como pôde ser visto em um videoclipe recente no qual aparece usando um colã de balé.

 

Madonna se crucifica para promover instituição que ajuda crianças carentes com o vírus HIV

 

 

Madonna com sua coroa de espinhos na Europa

Fonte: Reuters