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Mártires - Visões da Beata Anna Catharina Emmerich |
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Glorificação
de Jesus pelos Santos Em honra de Nosso Salvador crucificado seguem aqui algumas informações da piedosa Serva de Deus, sobre alguns discípulos dos Apóstolos e algumas Virgens mártires da primeira era cristã, que por amor ao esposo celestial sacrificaram alegremente os bens da vida. Segundo o dito afirmado de Tertuliano: "O sangue dos mártires é a semente de que brotam novos cristãos", colaboraram os mártires de modo especial na propaganda do reino de Cristo. Por isso podemos considerar os santos cuja vida e martírio contamos nas páginas seguintes, como cooperadores na instituição da santa Igreja e que seguirão logo após os Apóstolos, no séquito triunfal do divino Portador da cruz. O leitor poderá reconhecer, ao mesmo tempo, que as visões da religiosa privilegiada de Dülmen fumam a maior parte das legendas desses santos. 1. O santo Papa Clemente. Morto em 101 D.C.. E altamente comovente o que a piedosa freira conta do santo Papa Clemente, cuja festa a Igreja celebra a 23 de Novembro. “Não vi São Clemente junto com São Paulo, mas sim freqüentemente com Barnabé, também com Timóteo, Lucas e Pedro. Era romano: os avós porém, eram judeus, oriundos da região fronteira do Egito. Era casado mas recebeu uma iluminação do céu para viver em continência: a mulher que, se bem me lembro, morreu também mártir, consentiu em fazer o mesmo. Foi o terceiro Papa, depois de Pedro. Vi São Clemente como Papa, pouco antes da perseguição. Estava indizivelmente magro e pálido; tinha quase um aspecto tão lastimoso como Nosso Senhor na cruz: as faces abatidas, a boca contraída pela tristeza por causa da cegueira e falsidade do mundo. Vi-o ensinar numa sala, sentado numa cadeira. Os ouvintes estavam muito diferentemente dispostos: alguns tristes e comovidos, outros apenas se fingiam tristes, escondiam a alegria de saber dos sofrimentos iminentes do Pontífice; outros ainda vacilavam nos sentimentos. Vi então entrar soldados roma¬nos, prendendo São Clemente. Arrastando-o para fora, puseram-no num carro. Na parte posterior desse carro havia um assento coberto, onde se sentava Clemente; na parte anterior havia mais lugares, mas sem coberta. Seis soldados seguiram no carro com ele; outros acompanhavam o carro dos dois lados. Os cavalos eram menores que os de hoje e esta¬vam também atrelados de modo diverso; não havia tantas correias. Vi o santo viajando no carro dia e noite. Estava muito paciente e triste. Quando chegaram ao mar, foi embarcado no navio e o carro voltou. Depois tive uma visão do país para onde foi levado. Era uma região pobre, deserta e estéril, onde havia muitas minas profundas. Tudo de um aspecto triste e sinistro. Clemente foi conduzido a uma casa, com duas salas, das quais uma se encostava no centro da outra; cada ala era cercada de arcadas; por uma dessas entrou Clemente e foi conduzido à parte da casa onde moravam os diretores; depois foi levado à outra onde se achavam os presos. Vi São
Clemente num deserto, pedindo água Vi que foi lançado numa fossa cheia de víboras, perto do mar; depois fizeram enchê-la de água. Mas Clemente saiu por meio de uma escada. Vi que o levaram ao mar alto, num barco e com uma âncora presa ao pescoço e o lançaram ao mar. No lugar onde o corpo tocou no fundo, formou-se na rocha um sepulcro que, ao reflexo do mar, se tomava visível. Os. cristãos formaram do rochedo uma capela em redor do sepulcro, a qual muitas vezes ficava coberta pelo mar." 2.
Santo Inácio de Antioquia. l07 D.C De Santo Inácio, bispo de Antioquia, conta-nos Anna Catharina Emmerich, o seguinte: "Vi Jesus, com os discípulos, diante de uma casa de uma pequena cidade, mandando um dos discípulos à casa em frente, para chamar uma mulher com o filhinho, a qual, vindo, lhe trouxe o filho, que podia três ou quatro anos. Tendo o menino chegado diante do Senhor, fechou-se o círculo dos Apóstolos, que se abrira para deixar o menino entrar. Jesus falou a respeito deste, impôs-lhe as mãos, abençoou-o e apertou-o ao coração. Depois o reconduziram à mãe, que se tinha retirado. Esse menino não era outro senão o futuro Santo Inácio. Mais tarde, já moço, juntou-se aos discípulos do Senhor, particularmente a João, a quem era afeiçoado e que o ordenou sacerdote. Quando João esteve pela primeira vez no exílio, acompanhou-o Inácio, que não o quis abandonar. Morto Evódio, que era sucessor de Pedro em Antioquia, foi Inácio sagrado bispo dessa cidade, creio que por João ou por Pedro. Vi passar pela cidade um Imperador, a quem Inácio foi apresentado. O Imperador perguntou-lhe se era ele que, como um mau espírito, causava tantas discórdias. Inácio respondeu, perguntando-lhe como podia chamar de mau espírito ao portador de Deus, que trazia Jesus no coração? O Imperador perguntou-lhe então se sabia quem ele era e o santo replicou: que era o primeiro enviado hoje pelo demônio. O Imperador condenou-o então à morte em Roma e Inácio agradeceu-lhe alegremente. Vi o preso conduzido a uma outra cidade, onde embarcou. Acompanhavam-no soldados, que o tratavam muito mal. Depois o vi desembarcar novamente e por onde passava lhe vinham ao encontro muitos bispos e cristãos, que o saudavam e lhe pediam a bênção. Em Smirna morava em casa do bispo Policarpo, que dantes tinha sido seu condiscípulo; estavam todos reunidos com alegria e Inácio exortava e consolava a todos. Escreveu também cartas ali. Ouvi que disse e também escreveu que rezassem por ele, para que as feras o mastigassem e os dentes das mesmas fossem como mós de moinho, que o triturassem, para ficar qual farinha de trigo, afim de se tornar um pão puro de Jesus Cristo, para o sacrifício. Também os cristãos de Roma lhe vieram ao encontro, ajoelharam-se, chorando, diante dele e pediram-lhe a bênção. Inácio repetiu que queria ser triturado para o sacrifício do Senhor. A multidão dos cristãos formava como um cortejo triunfal. Vi que foi logo conduzido ao lugar do suplício, onde rogou a Deus que os leões o deixassem rezar ainda um pouco e depois o devorassem inteiramente; apenas o coração e alguns ossos deixassem, para que aumentassem ainda mais a glória de Cristo na terra. Por ocasião desta súplica, me foi feita uma exortação, a respeito da importância e do valor das relíquias. Como pedira, assim sucedeu: os leões lançaram-se-lhe com grande fúria; mataram-no num instante, devorando-o rapidamente e lambendo-lhe o sangue; em breve não restava mais que alguns ossos grandes e o coração. Vi que os leões foram retirados da arena, os espectadores também se retiraram; os cristãos porém, correram ao lugar, esforçando.-se para obter algo das relíquias.Todos olhavam para o coração, no qual se tinham formado as letras do nome de Jesus, como tinha sido escrito no título da cruz, em cor azul, pela dilatação de nervos e veias." A festa de Santo Inácio celebra-se a 1 de Fevereiro. 3.
S. Dionísio Areopagita Dionísio, apelidado. o. Areopagita, era filho de pais gentios, mas estudava muito, recomendando-se a um Deus mais perfeito. Avisado de noite por uma aparição, fugiu da casa paterna, atravessando a Palestina, onde ouviu muitas coisas sobre Jesus e depois estudou no Egito a astronomia. Ali, observando o eclipse do sol por ocasião da morte de Jesus, disse: "Isso não é fenômeno. natural; ou está morrendo um Deus ou o mundo perece." "Por
muito tempo não podia compreender a idéia de um Deus Crucificado. Depois
da conversão, viajou muito tempo com Paulo e esteve também com ele em
Éfeso , para ver Maria. O Papa S. Clemente enviou-o a Paris. Vi
que consolava o.s companheiros no. cárcere e que Jesus lhe apareceu,
dizendo.-lhe: "Segue magnanimamente o teu caminho. de martírio, que
te leva a mim; olha que eu também percorro o meu caminho de dores em
ti." Vi-lhe também o. martírio. Tomou a cabeça cortada.
segurando-a com os braços cruzados sobre o peito e andou em volta do
monte. Todos os carrascos fugiram; irradiava-se dele uma luz clara. Uma
mulher sepultou-o. Era muito idoso, tinha muitas visões celestes e também
Paulo lhe contou o que tinha visto 4.
Santa Inês. (21 de Janeiro) "Vi uma virgem jovem e graciosa, arrastada no meio de soldados, Vestia uma longa veste de lã, de cor parda; um véu cobria-lhe a cabeça, que o cabelo envolvia em tranças. Os soldados arrastavam-na, segurando-a pelos lados do manto, de modo que a veste ficava muito distendida. Seguia muito povo, entre o qual também algumas mulheres. Levaram-na pela porta de um muro alto, através de um pátio quadrado, a um quarto. Empurrando a virgem para dentro, puxaram-na para todos os lados, arrancando-lhe o manto e o véu. Com sua mansidão e inocência era como um cordeiro nas mãos dos carrascos. Tomando o manto, abandonaram-na. Inês ficou em pé, num canto, no fundo do quarto, olhando para cima com as mãos postas, rezando tranqüilamente. 5. Santa Ágata. (5 de Fevereiro) "Os pais de Ágata moravam em Palermo; a mãe era ocultamente cristã, o pai era pagão. Vi que a mãe lhe ensinava às escondidas a doutrina cristã. Tinha duas alas. Desde os primeiros anos da infância, alimentava grande intimidade com Jesus. Vi-a muitas vezes sentada no jardim e junto dela um menino belíssimo e resplandecente, com quem falava e brincava. Preparava-lhe um assento cômodo na relva e de mãos postas o ouvia pensativa. Brincavam com flores e pauzinhos. O menino parecia crescer junto com ela. Vinha vê-la também mais tarde, quando mais crescido, à proporção que ela crescia, mas quando estava sozinha. Vi
como Ágata se tornou maravilhosamente pura e forte de coração;
cooperava sempre com a graça, negando consentimento mesmo às menores
impurezas e imperfeições e castigava-se a si mesma pelas últimas. Ao
deitar-se, à noite, estava o Anjo da guarda muitas vezes ao lado,
lembrando-lhe o que tinha esquecido e ela corria a fazê-lo. Era uma oração
ou esmola ou qualquer coisa referente ao amor, pureza, humildade, obediência,
misericórdia, vigilância contra o pecado. Desde criança, se esgueirava
muitas vezes furtivamente, com esmolas e alimentos para os pobres. Era uma
alma belíssima e muito querida de Jesus, mas em contínua luta. Vi-a açoitar-se
e beliscar-se, para punir a concupiscência e as menores faltas. Com todas
essas severidades, permanecia entretanto sempre franca, corajosa e
desembaraçada. Quando
tinha cerca de oito ou nove anos, vi-a levada com algumas outras meninas,
num carro, a Catânea. Ia por vontade do pai, que queria que recebesse uma
educação livre pagã. Foi entregue a uma mulher impertinente, que tinha
ainda cinco filhas Em
casa da mulher vi como Ágata combatia com coragem e fiel perseverança a
sua natureza, resistindo a todas as tentações. Quintiano, que condenou
mais tarde ao martírio, vinha freqüentemente a esta casa. Não gostava
da esposa, era um homem repugnante, de um gênio baixo e orgulhoso, andava
a espreitar em toda a cidade, para depois atormentar ou intrigar as
pessoas. Vi-o com aquela mulher e olhando às vezes para Ágata, como se
olha uma menina bonita; não a tratava, porém, de modo inconveniente. Vi
então ao lado de Ágata o Esposo celeste, visível só para ela.
Mostrava-lhe os instrumentos do martírio, creio mesmo que brincavam com
estes. Mais
tarde a vi novamente na cidade natal após a morte do pai. Tinha cerca de
treze anos. Confessava em público a fé cristã e vivia com gente boa. Ví
que foi tirada de casa por homens enviados por Quintiano; veio de novo
para a casa daquela mulher, onde tinha novamente aparições Depois vi
Ágata ser lançada no cárcere, interrogada e açoitada. Cortaram-lhe os
seios. Vi muitas vezes nos martírios o instrumento com que o fizeram e
com o qual arrancavam grandes pedaços de carne dos corpos dos santos. Mas
estes sentiam um auxílio milagroso de Jesus, que muitas vezes vejo
refrigerá-los. Assim não desfaleciam, quando outros teriam caído
desmaiados. Vi Ágata
depois no cárcere, onde lhe apareceu um ancião. dizendo que viera
curar-lhe os seios. A donzela respondeu, agradecendo, que nunca usara remédios
terrenos e que tinha o seu Senhor Jesus Cristo, que a poderia curar, se
quisesse. Disse-lhe o ancião: "Sou cristão e já muito velho, não
tenhas medo de mim." Ágata, porém, responde "As minhas feridas
não têm nada que ofenda a castidade. Jesus curar-me-á, se for sua
vontade; Ele criou o mundo e pode também criar os meus seios." Então
vi o ancião sorrir, dizendo: "Pois sou o servo dEle, eis que os teus
seios já estão curados" - e então desapareceu. Ágata foi
conduzida mais uma vez ao martírio. Num quarto abobadado
havia fogões, sob os quais faziam fogo; tinham o feitio de
caixotes profundos e nos lados interiores havia muitas pontas agudas e
cortantes. Estavam ali muitos desses caixões, um ao lado do outro. As
vezes eram diversos homens que neles eram torturados. Podia-se passar por
entre os caixões, sob os quais ardia o fogo e assim eram assados vivos os
que neles estavam deitados sobre cacos cortantes. Quando Santa Ágata foi
lançada num tal caixão, tremeu a terra, um muro desabou Santa Ágata,
Santa Petronila e Santa Tecla foram as três virgens mártires mais heróicas,
segundo diz a piedosa vidente. Santa Petrolina, 6.
Santa Dorotéa (6 de Fevereiro)
"Vi uma cidade importante, situada numa região montanhosa, (Cesaréia,
na Capadócia) e no jardim de uma casa de estilo romano, vi brincando três
meninas, de 5 a 8 anos. Seguravam-se umas às outras pelas mãos, ora dançando
em roda, ora parando, cantavam e colhiam flores. Depois de ter brincado
por algum tempo, vi as duas meninas mais velhas separarem-se da mais nova,
afastando-se com as flores, que depois desfolharam. A pequena parecia
afligir-se muito, vendo as outras se afastarem para o outro lado do
jardim. Vi que a menina abandonada ficou com uma profunda dor no coração,
da qual eu compartilhava. O rosto empalideceu-lhe e ao mesmo tempo o
vestidinho se lhe tornou branco como a neve e ela caiu como morta no chão.
Então ouvi uma voz no coração: "Esta é Dorotéa." Vi no
mesmo instante se lhe aproximar a aparição de um menino resplandecente,
que tinha na mão um ramalhete de flores, levantou-a e conduzindo-a ao
outro lado do jardim, entregou-lhe o ramalhete e desapareceu. A menina
ficou muito contente e correndo para as duas outras, mostrou-lhes as
flores, contando quem lhas tinha dado. Estas se admiraram muito, abraçaram
a pequena, parecendo arrepender-se da ofensa, de modo que a paz se
restabeleceu entre elas. A vista disso, nasceu no meu coração o desejo
de receber também mais uma vez tais flores, para me confortar.
Apareceu-me então de repente Depois
tive uma visão da morte da mártir. Vi-a, com as duas irmãs, num cárcere
e vi que tinham uma questão. As duas irmãs negavam-se a morrer
por Cristo e foram postas 7.
Santa Apolônia (9 de Fevereiro) "A
cidade Presenciou-lhe
o martírio uma viúva idosa, de estatura alta. Os pais eram pagãos; ela,
porém, já fora instruída desde criança na doutrina cristã e batizada
pela ama, que era uma cristã oculta. Depois de crescida, foi casada pelos
pais com um pagão, com quem vivia na casa paterna. Tinha muito que sofrer
e a vida matrimonial era-lhe uma penitência penosa. Via-se prostrada por
terra, banhada em lágrimas, rezando e cobrindo a cabeça de cinza. O
marido era um homem alto e magro e muito pálido; morreu muito antes dela.
Apolônia viveu ainda cerca de trinta anos após a morte do esposo, como
viúva sem filhos.(26) Fazia muitas obras
de misericórdia aos pobres cristãos e era a consolação e esperança de
todos os necessitados. A ama sofreu também o martírio, um pouco antes
dela. Foi por ocasião de um tumulto, em que foram saqueadas as casas dos
cristãos e destruídas pelo fogo, sendo mortos também muitos cristãos.
Vi Apolônia mais tarde, presa em casa, por ordem do Juiz, conduzida ao
tribunal e depois lançada no cárcere. Vi que foi conduzida repetidas
vezes para diante do juiz, sendo cruelmente maltratada, por causa das
palavras severas e decididas com que confessava a fé cristã. Era um
espetáculo que feria o coração e eu não podia deixar de chorar
amargamente, ao passo que podia ver outros martírios, muito maiores, com
grande calma. Talvez fosse a idade e o aspecto venerável da mártir o que
me comovia. Davam-lhe pancadas com maças, batiam-lhe no rosto e na cabeça
com pedras. Esmagaram-lhe o nariz, o sangue corria-lhe da cabeça, as
faces e a boca estavam rasgadas, os dentes tinham-lhe saltado fora, com as
pancadas. Vestia a veste branca, com os lados abertos, com a qual tantas
'..: tenho visto os mártires. Por baixo tinha uma camisa de lã. (26)
Por isso foi também chamada "virgem", porque mais tarde
esqueceram que fora casada. Estava
sentada num assento de pedra sem encosto, as mãos amarradas atrás na
pedra e também os pés atados. Tinham-lhe arrancado o véu, o longo
cabelo pendia-lhe solto em redor da cabeça. O rosto estava todo
desfigurado e coberto de sangue. Um dos carrascos segurava-a por detrás,
puxando-lhe a cabeça, outro lhe abria a boca ferida, introduzindo-lhe à
força na mesma um pedaço de chumbo. Depois lhe arrancou o carrasco um
dente após outro com um grosso tenaz, quebrando-lhe ainda pedaços da
mandíbula. Durante essa tortura, 8.Cecília
(22 de Novembro) "A
casa paterna de Cecília estava situada num lado de Roma. Tinha o mesmo
feito da casa de Santa Inês, com pátios, arcadas e um chafariz. Os pais
não os vi muitas vezes. Vi Cecília, muito bonita, meiga e viva, de faces
vermelhas e rosto delicado, quase como Maria. Vi-a brincar com outras
crianças nos pátios. Quase sempre estava com ela um Anjo, na figura de
um menino gracioso; falava-lhe e o via, mas as outras crianças não o
viam. Proibira-lhe de falar dele. Muitas vezes eu via junto dela crianças,
à cuja aproximação o Anjo se afastava. Tinha cerca de sete anos. Vi-a
também sozinha no quarto e o Anjo ao lado, ensinando-a a Vi,
porém, uma ama de Cecília, que era cristã e por intermédio da qual
travou conhecimento com o Papa Urbano. Vi Cecília e as companheiras
encherem muitas vezes de víveres e frutas as dobras das vestes, que
arregaçavam depois do lado e cobriam com os mantos. Assim carregadas,
saiam juntas furtivamente pela porta, para que ninguém notasse coisa
alguma. Vi o Anjo de Cecília acompanhá-la sempre, o que era um quadro
muito gracioso. Vi as crianças irem a um edifício, cercado de grandes
torres, muros e diques. Dentro desses muros e em subterrâneos abobadados,
viviam cristãos encarcerados. Não me lembro com certeza se estavam
encarcerados ou apenas escondidos; parecia-me, porém, que os pobres que
moravam nas estradas, eram guardas ou cuidavam do esconderijo. Lá vi as
crianças repartindo entre os pobres o que tinham trazido; faziam-no
furtivamente. Vi que Cecília prendia as saias às pernas por meio de uma
fita e assim deslizava pelo íngreme aterro abaixo. Ali a deixavam entrar
nos subterrâneos e uma vez a fizeram penetrar, por uma abertura redonda,
num subterrâneo, onde um homem a levou a Santo Urbano. Vi que este lhe
ensinava, lendo rolos e que ela levava e também trazia tais rolos de
escritura, sob o manto. Tenho também uma
lembrança vaga de que foi batizada lá embaixo. Vi uma vez Valériano,
já moço, com o preceptor, entre as moças que brincavam; quis abraças
Cecília durante o brinquedo, mas esta o repeliu. O jovem queixou-se ao
preceptor, que o contou aos pais da donzela. Não sei o que disseram, mas
castigaram Cecília, proibindo-lhe de sair do quarto. Lá vi sempre o Anjo
com ela, ensinando-a a tocar o instrumento e a cantar. Finalmente
tive também uma visão dos esponsais de Cecília. Vi os pais de ambos e
muitos outros homens, mulheres, meninos e meninas numa sala, onde se viam
belas estátuas. Cecília e Valériano estavam adornados de grinaldas e
vestes festivas, de cor. Havia também uma mesa baixa, carregada de
iguarias. O Anjo ficava sempre entre Cecília e o noivo. Depois os vi a sós
num quarto. Cecília disse que era sempre Em
outra ocasião conta Catharina Emmerich: "Vi a Santa sentada num
quarto muito simples, quadrangular. Tinha sobre os joelhos uma caixa
triangular, da altura de algumas polegadas, encordoada, na qual tocava com
ambas as mãos; erguia os olhos e sobre ela se via um esplendor e
pairavam entes luminosos, como Anjos ou crianças bem-aventuradas,
cuja presença Cecília parecia sentir. Vi-lhe também ao lado um
Jovem sumamente puro e delicado; era mais alto do que ela, mas
sujeitava-se-lhe humilde, obedecendo-lhe às ordens. Creio que era Valériano,
pois mais tarde o vi amarrado com outro (Tibúrcio) a um poste, flagelado
com açoites e decapitado. Não se realizou este martírio na praça
grande do suplício, mas num lugar mais deserto. Vi também o martírio de
Santa Cecília, num pátio circular, diante da casa. A casa era
quadrangular, com terraço sobre o qual se podia passear; nos quatro
cantos havia quatro esferas de alvenaria e no centro, creio que uma estátua.
No pátio tinham colocado uma caldeira grande, aquecida por uma forte
fogueira e na qual vi sentada a virgem, com os braços estendidos, vestida
de branco, resplandecente e alegre. Um Anjo, irradiando uma luz vermelha,
estendia-lhe a mão, outro segurava-lhe uma coroa de flores sobre a cabeça.
Tendo Santa
Cecília apareceu na sua festa de 1819 à piedosa serva de Deus, para a
consolar na perseguição que contra ela se levantara. "Pedi
a Santa Cecília que me consolasse e no mesmo momento tive a aparição.
Era comovente. A cabeça, separada por uma larga ferida do pescoço,
estava inclinada sobre o ombro esquerdo. Não era alta, tinha cabelos e
olhos pretos, cútis branca, era bela e delicada. Vestia uma veste branca,
mas não branqueada, com grandes e grossos florões dourados, com a qual
provavelmente foi martirizada. Disse-me mais ou menos o seguinte:
"Tem paciência. As tuas faltas Deus as perdoará, se te 9.
Santa Catarina de Alexandria. (25 de Novembro) "O
pai de Santa Catarina chamava-se Costa. Era descendente de
estirpe real; pois um dos seus antepassados era Hazael, que fora ungido
rei da Síria por Elias, por ordem de Deus. Do lado materno descendia
Catarina da família de Mercúria, sacerdotisa pagã, convertida por Jesus
na ilha de Salamina. Catarina
era filha única de Costa. Tinha, como a mãe, cabelo loiro-claro, era
muito viva e corajosa, tendo sempre alguma coisa que sofrer ou disputar.
Tinha uma ama e desde muito cedo recebeu mestres masculinos. Via-a fazer
brinquedos de cortiça para crianças pobres. Já mais crescida, escrevia
muito sobre lousas e rolos, dando-os depois a outras meninas, para as
copiar. Vi também que se dava muito com a ama de Santa Bárbara, que era
cristã ocultamente. Catarina possuía em alto grau o dom de profecia dos
antepassados de sua mãe e aquela profecia a respeito do grande profeta
foi-lhe mostrada também numa visão, quando tinha apenas seis anos.
Contou-a durante o jantar aos pais, que não ignoravam a história de Mercúria.
O pai, homem muito severo e reservado, encerrou-a por castigo num subterrâneo.
Vi que ali os ratinhos e outros animais se lhe mostravam muito familiares,
brincando diante dela. Havia uma luz em redor de Catarina. Desejava de
toda a sua alma o Salvador dos homens, pedindo que a tocasse também e
tinha muitas visões e iluminações. Desde aquele tempo nutria um ódio
invencível contra todos os ídolos; escondia, enterrava ou quebrava todas
pequenas estátuas de falsos deuses, que podia apanhar e por isso e por
motivo dos discursos estranhos e profundos que proferia contra a
idolatria, era muitas vezes encerrada no cárcere do pai. Contudo era também
instruída em todas as ciências; vi que andando, escrevia na areia e nas
paredes do palácio e que as companheiras a imitavam. Quando
tinha cerca de oito anos, partiu com o pai para Alexandria, onde o futuro
noivo a conheceu. O pai voltou com ela a Chipre. Ali não Havia
sempre muito tráfego entre Alexandria e Chipre e o pai mandou Catarina à
casa de parentes, esperando que afinal se afeiçoasse ao noivo. Tinha
naquele tempo treze anos. Em Alexandria morava com o pai do noivo, numa
vasta casa, com várias salas. O noivo morava também lá, mas separado
dela; estava como desvairado de amor e mágoa. Ela, porém, falava sempre
do outro noivo, a quem amava; por isso pensaram em mudar-lhe os
sentimentos pela sedução. Mandavam também homens sábios e doutos, para
a desviar da fé cristã, mas Catarina confundia a todos. Naquele
tempo era Teonas Patriarca de Alexandria, o qual conseguiu com grande
brandura, que os cristãos não fossem perseguidos pelos pagãos. Mas eram
sempre muito oprimidos e tinham de suportar Catarina
voltou também uma vez a Chipre, quando o noivo fez uma viagem de
Alexandria à Pérsia e ela esperava ficar livre dele. O pai estava muito
enfadado de a ver ainda solteira. Teve de voltar para Alexandria e lá
insistiram ainda mais para que se casasse. Mais tarde a levou o pai ainda
uma vez à Salamina, onde foi solenemente recebida por moças pagãs e
levada a muitos divertimentos e festas; mas não conseguiram mudar-lhe a
decisão. De
volta a Alexandria, insistiam ainda mais em lhe tirar a fé. Vi uma grande
festa pagã. Catarina foi obrigada pelos parentes pagãos a ir ao templo
pagão; mas não se deixou induzir a sacrificar aos ídolos. Ao contrário,
quando estavam os pagãos no meio das esplêndidas cerimônias do sacrifício,
avançou Catarina, inspirada de zelo sobrenatural para os que sacrificavam
e derrubando os altares de incenso e os vasos, começou a pregar em alta
voz contra o pecado abominável da idolatria. Levantou-se grande tumulto,
apoderaram-se dela, declarando-a louca; repreenderam-na no átrio do
templo, mas a jovem começou a falar ainda com mais veemência. Então a
prenderam, mas a caminho do cárcere chamou todos os cristãos para se
reunirem a ela e darem o sangue Aquele que os salvara com seu Sangue
divino. Foi encarcerada, açoitada com escorpiões e lançada às feras.
Eu pensava comigo que não era permitido procurar assim à força o martírio.
Mas há exceções desta regra e instrumentos da vocação de Deus.
Catarina tinha sido sempre impelida à idolatria e ao odioso matrimônio;
logo depois da morte da mãe, o pai a
levara muitas vezes às indecentes festas de Vênus; lá, porém,
nunca abrira os olhos. Em Alexandria afrouxara o zelo dos cristãos. Agradava
muito aos gentios que o patriaca Teonas consolasse os maltratados escravos
cristãos e os exortasse a servirem fielmente aos cruéis senhores;
mostravam-se tão amigos de Teonas, que muitos cristãos fracos na fé
pensavam que a idolatria não fosse condenável.
Por isso Deus mandou esta virgem de espírito forte, corajosa e
inspirada, para converter pelas palavras, pelo exemplo e o martírio
muitos que , sem isto, teriam
perecido. Cuidara sempre tão
pouco de ocultar a fé, que visitava os escravos e operários cristãos,
nas praças públicas, consolando-os e exortando-os à perseverança na fé;
pois sabia quantos se tornavam indiferentes, pela tolerância e apostatava
da fé. Vira também tais
apostatas no templo, tomando parte nos sacrifícios; por isso lhe era tão
veemente a dor e indignação. As feras, às quais foi lançada depois da
flagelação, lambiam-lhe as feridas, que saravam de repente, por milagre
quando foi novamente levada ao cárcere.
Chegou o pai de Salamina tirando-a do cárcere, levou-a de novo
para a casa do noivo. Ali empregaram todos os meios de tentação, para a
induzir à apostasia. Mas as moças pagãs, que a deviam persuadir à
idolatria, eram convertidas por ela para Cristo e também os filósofos
que vieram disputar com ela, aderiram-lhe. O pai ficou furioso, atribuiu
tudo à feitiçaria e mandou açoitar Catarina de novo e lançá-la no cárcere.
A mulher do tirano (Maximino) visitou-a no cárcere e converteu-se, junto
com um oficial (Porfírio). Quando entraram no cárcere, um Anjo pôs-lhe
uma coroa sobre a cabeça e outro lhe ofereceu uma palma. Não sei se a
mulher o viu. Catarina
foi então levada ao circo e colocada sobre um estrado, entre rodas
largas, munidas de pontas de ferros cortantes, como relhas de arado.
Quando quiseram fazer girar as rodas, foram quebradas pelos raios lançados
no meio dos pagãos, dos quais cerca de trinta ficaram feridos ou mortos.
Desencadeou-se uma violenta tempestade, com saraivada; ela, porém, ficou
sentada tranqüilamente, com os braços estendidos, entre os destroços
das rodas. Conduziram-na novamente ao cárcere
e por vários dias tentaram persuadí-la à idolatria. Alguns
homens quiseram violá-la, mas Catarina repeliu-os com a mão e eles
ficaram rígidos como estátuas e sem força para se mover. Outros se
atiraram sobre ela, mas a donzela afastou-os, mostrando-lhes os que se
tinham tomado como petrificados. Tomavam tudo por feitiçaria e Catarina
foi de novo conduzida ao lugar do suplício. Ajoelhou-se diante de um
cepo, volvendo a cabeça um pouco para o lado e assim foi degolada, com um
ferro das rodas destruídas. Correu tanta quantidade de sangue, que todos
se admiraram; esguichava com força e tomou-se finalmente claro como água.
A cabeça caiu por terra. Atiraram o corpo sobre uma fogueira, mas Catarina
tinha dezesseis anos, quando morreu mártir, no ano 299. Das numerosas
virgens que a acompanharam chorando, ao lugar do suplício, apostataram
algumas mais tarde; a mulher do tirano, porém, e o oficial sofreram com
firmeza a morte e o martírio". |
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