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Agência EFE
25/08/06
A Polícia japonesa deteve hoje o
presidente e outros membros da diretoria da empresa Mitutoyo, fabricante
de instrumentos de precisão, por suposta exportação para a Malásia
de dispositivos que poderiam ser usados para fabricar armas atômicas.
As suspeitas apontam que a empresa, cuja
sede em Tóquio foi revistada hoje, também pode ter vendido ao Irã
aparelhos usados para determinar a precisão das centrífugas de
enriquecimento de urânio de uso militar.
O presidente da companhia, Kazusaku Tezuka, o vice-presidente, Norio
Takatsuji, e outros três executivos foram acusados de violar a lei de comércio.
Segundo a agência "Kyodo", eles teriam exportado sem licença
dois instrumentos de medição que poderiam ser usados para a fabricação
de bombas nucleares.
Um desses dispositivos foi enviado à Líbia, através de Dubai, num navio
registrado no Irã.
Segundo as fontes citadas pela "Kyodo", os dois aparelhos foram
encomendados pela Scomi Precision Engineering da Malásia. Há suspeitas
de que a firma esteja relacionada com o mercado negro nuclear montado pelo
cientista paquistanês Abdul Qadeer Khan.
O equipamento japonês foi descoberto numa das inspeções da Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA) na Líbia entre dezembro de 2003
e março de 2004, depois de o país renunciar à fabricação de armas de
destruição em massa.
A Mitutoyo já tinha sido acusada anteriormente de exportar aparelhos
semelhantes sem licença.
Eles são usados para medir formas cilíndricas em três dimensões com
grande exatidão. Adotados na fabricação de autopeças, também podem
ser empregados para verificar a precisão das centrífugas cilíndricas de
enriquecimento de urânio, o elemento básico das armas atômicas.
Segundo a Promotoria japonesa, Takatsuji e outros diretores da Mitutoyo
falsificaram declarações de alfândegas para exportar as duas unidades,
entre outubro e novembro de 2001. A exportação precisava de permissão
do ministro da Economia e Comércio.
Os dispositivos foram exportados a uma subsidiária da Mitutoyo em
Cingapura, e de lá levados por terra à Malásia.
Na Líbia também foi encontrado um vídeo no qual funcionários da
empresa japonesa explicavam a forma de usar os instrumentos.
A Polícia suspeita que a Mitutoyo tenha exportado equipamentos similares
ao Irã através de um escritório comercial de Shibuya, perto de Tóquio,
que hoje foi revistado.
Em fevereiro, agentes policiais já tinham feito buscas nas fábricas e
escritórios da Mitutoyo, suspeita de exportar aparelhos semelhantes à
China e à Tailândia, nos anos de 2001 e 2002, respectivamente.
A Mitutoyo foi fundada em 1934 e é um dos principais fabricantes de máquinas
de medição de alta precisão do mundo, com fábricas e institutos de
pesquisa em mais de 20 países. No ano fiscal 2005, suas vendas
consolidadas foram de 107 bilhões de ienes (US$ 922 milhões).
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