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Igreja Universal do Reino de
Deus
Prof. João Flávio Martinez
O Bispo: A história revelada de Edir Macedo
Um comentário sem censuras
O livro, como obra de literatura, é muito bem escrito e elaborado. Com
certeza, os jornalistas Douglas Tavolaro e a Christina Lemos foram
excelentes biógrafos, mas do ponto de vista da história engendrada pelos
poderosos. Agora, como uma obra fidedigna e imparcial, a leitura que faço
é outra. O livro não reporta aos fatos elucidativos e nem faz uma crítica
mais abrangente focando desmascarar os imbróglios envolvendo a figura de
Edir Macedo. A propósito, na minha cosmovisão, o livro mostra a
derrocada jornalística e a decadência da imprensa brasileira que publica
sempre o que interessa e o que lucra mais (ou paga mais). Usando as
próprias palavras de Macedo – “A mídia manipula a verdade...”
O Livro em si
Diz um dos autores do livro: “O que me incomodava era a possibilidade
de não traduzirmos com justiça a dimensão real do biografado... Essas
questões ganharam ainda maior dimensão porque nós, os autores, Douglas
Tavolaro, diretor de Jornalismo, e Christina Lemos, repórter especial em
Brasília, somos funcionários
da Record. Em português claro: Edir Macedo é o nosso patrão. Como ter
isenção para contar a vida de quem paga nosso salário?” (pgs, 14,
15).
Essa questão é fácil de responder, não houve isenção. Nas 276 páginas
do livro não foram respondidas nem uma questão de relevância sobre a
vida do biografado, como: Qual a fonte dos 45 milhões de dólares
usados na compra da Rede Record? Por que a Rede Record está no nome do
bispo Macedo e não no nome da IURD? Como é o sistema de arrecadação
dos bispos e a sua premiação por desempenho? Quais os verdadeiros números
declarados a Receita Federal? Na questão teológica faltou responder: O
que IURD? Como os teólogos reformados vêem a teologia pregada pelo
bispo? Quais as implicações e o impacto sociológico nas denominações
devido ao estilo do evangelho impetrado pela IURD? A verdade é que há
muitas lacunas não preenchidas no livro. A Obra serviu mais pra endeusar
a figura de Edir Macedo do que para retratar os fatos da vida dele!
Questões polêmicas
As denúncias e a absolvição do bispo
O bispo é muito contraditório mesmo. Primeiro ele elogia a justiça que
o inocentou e depois denuncia que a justiça brasileira só vale pra
alguns (Cf. pgs. 181-187 e 226). O bispo deveria se lembrar que em nosso
país, lamentavelmente, crimes de colarinho branco ainda não dá cadeia.
Paulo Maluf, Collor de Melo, Zé Dirceu, José Genuíno, Delúbio Soares,
Paiva Netto e muitos outros continuam em liberdade, e apesar de tantas denúncias
foram inocentados pela justiça. Poucas pessoas acreditarem que eles sejam
realmente inocentes, mas a nossa
cega justiça deu-lhes sua liberdade!
O jornalista Luís Nassif, em 21 de junho de 1991, fala como um profeta: “O
bispo Edir Macedo que não perca a esperança, esta grande virtude cristã.
Se tiver fé terminará sua fase de provação e poderá finalmente obter
o reconhecimento humano e gozar sem problemas legais os bilhões que
confiscou de seus crentes” (Jornal Folha de São Paulo –
21/06/91)
O Dinheiro usado na compra da Rede Record
Claro, o bispo se orgulha de ter sido amplamente investigado e nada terem
contra ele hoje, mas quando indagado de onde veio o dinheiro para a compra
da Rede Record que está em seu nome, ele desconversa:
“Até hoje não sei como fizemos" (cf. pg. 154).
Apesar do bispo não saber como foi feito, o pastor Carlos Magno nos
revela os bastidores:
“Carlos Magno de Miranda (que administrou a IURD em São Paulo), que
rompeu com Edir Macedo, deu a sua versão acerca do crescimento da igreja
e de onde vinha o dinheiro... Oito passageiros, líderes da
IURD, embarcaram para Colômbia em um jato fretado... Eu estava entre
eles... Durante todo o primeiro dia na Colômbia, esperamos no hotel o
mensageiro que traria os dólares. O mensageiro só fez contato no
dia seguinte, quando entregou uma pasta com US$ 450 mil dólares. As
mulheres trouxeram o dinheiro nas calcinhas...” (Adaptado do Jornal da
Tarde de 05/04/1991)
“... Parte do dinheiro US$ 45 milhões de dólares foi trazida da Colômbia;
que outra parte foi levantada numa campanha entre os fiéis denominada
‘sacrifício de Isaque’, na qual todos os pastores, obreiros e fiéis
doaram carros, jóias e outros bens – só o bispo não doou nada,
denunciou Carlos Magno, embora ele na época tivesse
vários patrimônios..."(Adaptado do Jornal da Tarde de 08/04/1991).
Não quero entrar no mérito das mágoas do pastor Carlos Magno, mas o que
percebemos é que a IURD pagou pela Rede Record (pelo menos a maior
parte), mas não recebeu e a emissora passou as mãos de Edir
Macedo. Ainda que Edir tenha conseguido fazer isso de maneira legal,
achando alguma brecha na furada Lei brasileira, o fato é que a emissora
foi comprada com o sacrifício do povo da IURD. Hoje o bispo se orgulha de
dizer que a igreja é apenas um cliente da emissora e nada mais– “A
IURD nada mais é que um dos clientes da Record...” (Cf. 215).
Outra história que me chama a atenção é o dinheiro que veio da Colômbia.
Se foi dinheiro de ofertas, pra que as mulheres da Igreja tiveram que trazê-lo
em suas calcinhas? Por que a transação não foi feita pelos meios bancários?
Essas questões deveriam ter sido elucidadas na Biografia do bispo, mas os
jornalistas da Rede Record preferiram omitir questões desse nível da
biografia, que segundo eles é imparcial!
Quanto a usar roupas íntimas pra carregar dinheiro, deve ser por isso que
hoje o Lula e o Edir são tão amigos – é o dinheiro da calcinha aliado
com o dinheiro da cueca – isso é uma piada!
Quando consultado das entradas e do dinheiro que movimenta a IURD, ele
desconversa novamente – “Não sei de cabeça. Ainda assim não
seria bom dizer. São informações de circulação interna” (cf.
pg. 212). Como informações internas? Dinheiro público tem ou teria de
ter suas contas prestadas a todos. As igrejas evangélicas, de maneira
geral, expõem seus balanços publicamente e seus membros sabem a onde o
dinheiro é gasto. Espero que pelo menos a Receita Federal saiba!
O bispo podia fazer um “sacrifício” de amor e passar a Rede Record
para o nome da IURD – afinal, foi ele mesmo quem disse: “A Rede
Record é de todo o povo da IURD...” (Jornal Diário da Região de
Rio Preto, 10/12/90).
O ódio pela Rede Globo
Macedo não esconde o ódio que sente das organizações Globo – “Mas
a instituição Globo faz um mal tremendo para o Brasil” (cf. pg.
233). Mas se a Globo faz mal para o Brasil, por que a Rede Record (a
emissora do bispo) procura imitar a qualquer custo a Rede Globo? O bispo
tenta responder essa questão: “Essa é a estratégia. Utilizar o que
consideramos incompatível à nossa fé para mostrar um outro caminho à
sociedade”
O bispo oferece através da Record o mesmo que a Globo: prostituição,
promiscuidade, nudez, sexo explicito, violência, mortes... Enfim, a Rede
Record também faz muito mal para o Brasil.
A Rede Globo se equivocou nos ataques destilados a IURD na década de 90.
Ela colocou no mesmo patamar todas as denominações protestantes e
nivelou por baixo – esse foi um erro fatal! Óbvio, a maioria dos
protestantes ficou do lado da IURD e se viram vingados de décadas de
humilhação impetrada pela família Marinho. Se a Globo tivesse a
sensibilidade de criticar a IURD e o bispo, mas preservar a religiosidade
do protestantismo, provavelmente, teria mais sucesso. A mini-série
“Decadência” foi a gota d’água – jogar uma peça íntima
feminina sobre a Bíblia foi de uma infelicidade pior do que chutar a
santa! O que a IURD precisava para crescer e aparecer a Globo deu de
sobra!
O Bispo armado
“... Temeroso de violência e das ameaças sofridas por religiosos
inimigos, o bispo decidiu usar arma. Passou a andar com um revólver
calibre 38, que muitas vezes, permanecia escondido no púlpito enquanto
pregava no altar” (Cf. pg. 121).
Eu queria saber quem deveriam ser os “líderes religiosos inimigos do
bispo” que queriam tirar-lhe a vida. No livro, o inimigo de Macedo
mais visível era o seu cunhado RR Soares – Será que o missionário
queria tirar a vida do bispo? (Cf. pg. 115) Eu creio que não. Ou será
que eram os macumbeiros que não estavam suportando a
concorrência desleal? são essas nuances que o livro não responde. Por
que o bispo, ao invés de andar armado, não denunciou para a polícia que
estava sofrendo ameaças? Outra coisa, como pode um homem que prega o
Salmo 91 e acredita na proteção Divina, andar e pregar armado? Isso por
si só já desqualifica o bispo Macedo como um pastor evangélico (I Tm
3), além de ser um absurdo e um mau exemplo - Hoje o bispo não anda mais
armado, ele tem escolta armada 24 horas. (Cf. pg. 20).
O aborto
“Sou a favor do direito de escolha da mulher. Sou a favor do aborto,
sim. A Bíblia também é.”(cf. 223)
A Bíblia não fala nada da possibilidade de uma mulher optar pelo aborto.
Somente na mente fértil do bispo Macedo é que existe essa interpretação!
Cabe a ele explicar, do alto da sua sapiência teológica, qual parte da Bíblia
pode ser utilizada para justificar o aborto.
Em uma contextualização bíblica, podemos concluir que o ato de defender
o aborto coloca a IURD como uma denominação religiosa apóstata, com
requinte lesivo que se equipara até mesmo a eugenia defendida por Hitler!
Conclusão
Poderia fazer muitas outras críticas envolvendo essa obra biográfica,
mas o espaço aqui não se faz propício.
Escrever esta crítica não foi fácil. Muitos no meio evangélico acham o
bispo Macedo um homem que serve a Deus, esses usam como evidência o
crescimento da IURD e o exorcismo de demônios praticado pelo bispo. É
bom lembrarmos a essas pessoas que várias facções não cristãs têm
crescido e isso não faz delas obras cristocêntricas. Quanto ao exorcismo
de demônio, Jesus Cristo mesmo quem disse: “Muitos me dirão naquele
dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não
expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então
lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que
praticais a iniqüidade” (Mt 7.21-23).
A trajetória desconhecida de Edir Macedo continuará com muitos fatos
encobertos, pois a biografia que foi escrita não teve a intenção de
mostrar realmente quem é esse líder religioso – Talvez um dia saibamos
toda a verdade, mas o que já está explicitado é mais que suficiente pra
nos afastarmos desse tipo de movimento religioso!
Que possamos viver uma vida atenta aos fatos pra não sermos enganados.
Fonte: Livro "O Bispo"; D. Tavolaro e C. Lemos; Editora
Larousse.
Fonte: CACP
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