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16/04/2006
BEATRIZ
JUEZ
da Efe,
em Berlim
A
rede de televisão MTV exibirá, a partir de 3 de maio, a polêmica série
de desenho animado "Popetown" (que significa cidade do papa),
cujos protagonistas são um papa "louco e excêntrico" e um
cardeal "corrupto e criminoso", apesar da polêmica que já
levantou antes mesmo de sua estréia na Alemanha.
Muitos católicos alemães consideram que a série é "um
repugnante escárnio da Igreja Católica", "um ataque direto
à crença cristã", "uma provocação", "uma
ofensa", "uma infâmia" e "uma blasfêmia". Por
isso, exigem que a MTV que não a transmita.
O Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK) deu o sinal de alarme em
10 de abril. Desde então, várias organizações católicas protestaram
contra a exibição da série e convocaram um boicote à MTV.
O Arcebispado de Munique e Freising anunciou medidas legais contra a MTV
para frisar que "uma calúnia das crenças cristãs não é admissível".
A revista cristã "Vers 1" (Versículo 1) lançou pela
internet uma campanha contra a série, e considera que a MTV
"ultrapassou os limites".
"Após os incidentes relacionados às caricaturas de Maomé
--publicadas em um jornal dinamarquês em setembro--, parecia claro que
os veículos de comunicação deveriam respeitar os sentimentos
religiosos dos fiéis, sejam muçulmanos, judeus, budistas ou cristãos.
Mas, pelo visto, estávamos enganados", diz a página eletrônica.
Marie-Blanche Stoessinger, porta-voz da MTV na Alemanha, afirmou que,
apesar da onda de protestos, o canal manterá os planos de estrear
"Popetown"
em maio.
A MTV
sabe que a série "polariza o público" e que "não será
do gosto de todos", mas considera que "não é uma calúnia,
nem um insulto às orientações religiosas" dos telespectadores,
ressalta um comunicado distribuído em Berlim.
A rede sustenta que o seriado "não reflete, de modo algum, uma
posição da MTV Networks sobre o catolicismo ou a Igreja Católica".
Eles defendem que a série deve ser entendida como "uma forma de
entretenimento satírico e, portanto, uma forma de arte".
"Como os jovens vão aprender a respeitar outras culturas, outras
ideologias e outras religiões, se na televisão se divulga que a falta
de respeito é normal?", pergunta Joachim Hermann, chefe do grupo
parlamentar da União Social-Cristã (CSU) no Parlamento da Baviera.
Trama
A série de dez capítulos conta, segundo a sinopse divulgada pela MTV,
a história de "um papa louco e um cardeal criminoso que provocam
mortes, escravidão de crianças e outros casos".
Padre Nicholas, responsável pela organização interna no Vaticano,
deve lidar com um papa excêntrico e senil de 77 anos e um cardeal
"corrupto, que vende os órfãos como escravos". Apesar de
tudo, é "otimista e se levanta a cada amanhã com o objetivo de
fazer uma boa ação".
A série, produzida pela rede pública britânica BBC, tem licença para
ser exibida na Itália, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia. Mas, por
enquanto, só foi vista pelo público na Nova Zelândia.
No Reino Unido, a BBC desistiu de estrear a série por causa dos
protestos de católicos. Na Itália, uma TV por assinatura também
desistiu da exibição devido às críticas.
A porta-voz da MTV confirmou, no entanto, que a campanha de publicidade
sobre a série foi tirada do ar. A divulgação foi definida pela Conferência
Episcopal Alemã como "uma provocação aos cristãos alemães".
Os anúncios para promover a série, publicados em vários meios de
comunicação alemães, mostrava a cruz vazia e Jesus Cristo sentado em
uma poltrona, assistindo televisão e rindo com a coroa de espinhos.
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