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26/04/2006
MARIO CESAR CARVALHO
da Folha de S.Paulo
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse ontem em uma nota que o Banco
do Brasil violou a Constituição ao decidir retirar o trabalho de Márcia
X da mostra "Erotica - Os Sentidos da Arte", em cartaz no CCBB
(Centro Cultural Banco do Brasil) do Rio.
A obra censurada pela direção do Banco do Brasil mostra dois pênis
feitos com terços religiosos.
Um trecho da nota diz o seguinte: "Segundo a Constituição
brasileira, é "livre a expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".
Por isso, não pode haver mais em nosso país nenhum tipo de interdição
a obras de arte e a outras formas de expressão".
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A.C. Fernandes/Folha Imagem
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Obra
é coberta em protesto contra censura em exposição
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O ministro emitiu a nota após um questionamento da Folha --o
jornal queria saber o que Gil achara da decisão do BB de retirar a obra
da exposição.
"Toda censura é inaceitável. Os critérios para seleção de
obras exibidas numa exposição devem ser de natureza estética, sob a
responsabilidade de curadores ou de quem for designado para a
tarefa", afirma o texto.
"Acreditamos na capacidade de discernimento crítico dos
espectadores e do público
em geral. Assim
como acreditamos que toda tutela na relação entre obra de arte e
espectador é inaceitável."
O ministro diz esperar que o Banco do Brasil reveja sua decisão
"em nome da liberdade garantida por lei". Antes de Gil, o
presidente da Funarte, Antonio Grassi, havia criticado a decisão do BB
de censurar o trabalho de Márcia X.
"Decisão corporativa"
Procurada pela Folha, a assessoria do BB afirmou que a direção
do banco estatal respeitava a posição do ministro, mas que não
comentaria a nota por enquanto.
Ontem à noite, diretores do banco se reuniram com a produtora de "Erotica",
Maria Ignez Mantovani Franco, para decidir o que fazer com a próxima
etapa da mostra, em Brasília, que será inaugurada no próximo dia 15,
se o cronograma não for alterado. Os integrantes da Opus Christi querem
que a obra "Desenhando com Terços", de Márcia X (1959-2005),
também seja excluída da exposição em Brasília.
A direção do Banco do Brasil decidiu retirar o trabalho da exposição
"Erotica" no último dia 20 depois de receber cerca de 800
e-mails de uma corrente dirigida pelo grupo católico Opus Christi,
segundo a assessoria do banco.
O BB diz que a retirada da obra não foi ato de censura. Foi uma
"decisão corporativa", segundo a expressão da assessoria do
órgão. Os católicos ligados ao grupo ameaçavam cancelar suas contas
no banco se a obra não fosse retirada da mostra. O BB dobrou-se diante
da ameaça.
A exposição foi vista por 56 mil pessoas
em São Paulo
, sem qualquer tipo de incidente.
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