Caio
Blinder
De Nova York
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| Bombardeios
israelenses já mataram mais de cem pessoas |
De Teerã ao Mediterrâneo, as
crises do Oriente Médio avançam em alta e cada vez mais perigosa
velocidade.
Na distante
quinta-feira passada, a secretária de Estado Condoleezza Rice disse
que não queria "especular sobre cenários apocalípticos",
em referência à escalada de violência que recolocou o Líbano
velho de guerra no epicentro dos conflitos no Oriente Médio.
A escalada de
violência permite especular sobre cenários apocalípticos, como
uma guerra regional em larga escala, mas por ora a estratégia
americana é reafirmar constantemente seu apoio quase incondicional
a Israel nesta crise (sintetizado no argumento de que os israelenses
têm o direito à autodefesa), enquanto o presidente George W. Bush
subscreve apelos multinacionais, como o comunicado do G-8 divulgado
no domingo em São Peterburgo, pelo fim das hostilidades, mas não
um cessar-fogo imediato.
Existem os recados específicos do governo Bush para os israelenses
tomarem cuidado com "os danos colaterais" na ofensiva
libanesa e não provocarem o colapso do governo local.
Mas Washington
concorda com o que parece ser a estratégia israelense: punir,
conter e, na medida do possível, estrangular o grupo militante
xiita Hezbollah. Essa estratégia provavelmente deverá incluir por
semanas os bombardeios no Líbano, embora uma invasão por terra
seja improvável.
A crise no Líbano,
com seus descobramentos regionais, anda de mãos dadas com o
conflito mais localizado em Gaza (envolvendo Israel e o grupo islâmico
Hamas).
Para Washington,
ainda não é o momento de frear as ofensivas israelenses, pois elas
atendem ao objetivo mais amplo de enfraquecer uma espécie de novo
"eixo do mal" integrado pelo Hezbollah, Hamas e os dois países
que os apóiam, Irã e Sïria.
No domingo,
Condoleezza RIce sugeriu em entrevista à televisão americana que
Israel talvez precise prolongar a ofensiva no Líbano para reduzir a
ameaça do Hezbollah.
Países árabes
Robin Wright, a
correspondente diplomática do jornal Washington Post revela
que, apesar do coro de indignação contra Israel "nas ruas árabes",
o governo Bush estima que existe um apoio tácito dos regimes
conservadores árabes (em particular Egito e Árabia Saudita) à
"feroz ofensiva" israelense (termo da agência de notícias
Associated Press) para conter o populismo islâmico, em particular
na sua versão xiita.
Já o conselheiro
politico da Casa Branca, Dan Bartlett, ressalta que a indignação
européia com Israel tem sido mais contida do que no passado.
Obviamente não há
garantias que a estratégia israelense seja bem-sucedida,
especialmente se perdurar por muito tempo, com "danos
colaterais" intoleráveis. O Hezbollah poderá sair
fortalecido, o regime sírio ganhar uma sobrevida e o Irã se
consagrar como o campeão dos interesses islâmicos (e não apenas
xiitas).
Tais
desdobramentos seriam reveses significativos para o governo Bush,
que já viu murcharem seus argumentos no sentido de que a invasão
do Iraque tornaria mais segura a vida de Israel e dos aliados árabes
dos EUA. Uma relativa vulnerabilidade americana no Oriente Médio
talvez tenha estimulado as provocações do Hezbollah com o impulso
de Damasco e Teerã.
Ademais, a
espiral de violência pode simplesmente fugir ao controle (como se
agora já pudesse ser coreografada). Uma preocupação essencial do
governo Bush é evitar um confronto direto com os iranianos no
momento em que investe em lances diplomáticos multilaterais para
coibir as ambições nucleares de Teerã.
A ofensiva
israelense contra o Hezbollah pode complicar ainda mais os esforços
americanos para pacificar o Iraque e criar um governo estável sob
batuta xiita naquele país. Existe, portanto, o interesse dos EUA em
radicalizar os conflitos no Oriente Mëdio através das ações de
Israel, mas também impedir a construção dos cenários apocalípticos.
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