Líbano continua no olho do furacão, desta vez com ameaça Síria

 

24 de agosto de 2006 

AFP
A ameaça síria de fechar sua fronteira com o Líbano, caso a Força Interina das Nações Unidas (Finul) fique estacionada nesse local, pode ser o golpe de misericórdia no país, que se veria sem o acesso por terra ao mundo árabe, em meio ao embargo naval e aéreo já imposto por Israel.

Antiga potência ocupante do Líbano até abril de 2005, a Síria é suspeita de ter entregue, ilegalmente, armas ao Hezbollah xiita, através de sua fronteira.

Longe de se sentir na defensiva, em razão do isolamento internacional crescente, incluindo no mundo árabe, Damasco multiplicou os alertas contra qualquer tentativa de estacionar uma força internacional para vigiar a fronteira entre ambos os países.

Nesta quinta-feira, Damasco deu um aperitivo do que os libaneses podem esperar, ao decidir interromper o fornecimento de energia elétrica ao Líbano. E o pior ainda pode estar por vir.

"Os sírios fecharão totalmente a fronteira se tropas da ONU forem estacionadas", garantiu na quarta-feira o ministro finlandês das Relações Exteriores, Erkki Tuomioja, após um encontro em Helsinque com seu colega sírio, Walid Muallem.

Na véspera, o presidente da Síria, Bachar al-Assad, já tinha se pronunciado contra o envio de uma Finul reforçada, considerando o gesto um ato "hostil".

No passado, Damasco usou freqüentemente o fechamento de sua fronteira para resolver seus contenciosos com o vizinho, que teve uma experiência amarga nesse sentido no último verão, após a retirada das forças sírias do Líbano.

Na época, Damasco proibiu a passagem por seu território dos caminhões procedentes do Líbano, privando o país durante um mês de comercializar com o mundo árabe.

Na realidade, a presença da Finul na fronteira síria não consta da resolução 1701 do Conselho de Segurança e que permitiu uma trégua após mais de um mês de combates entre Israel e o Hezbollah.

Consciente dos riscos de uma nova crise com a Síria, o primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, tentou acalmar os ânimos nesta quinta-feira, garantindo que deseja manter relações "amigáveis" com o vizinho.

Siniora afirmou ainda que o envio da Finul para a fronteira depende de uma decisão do governo, ou pode não ser aprovada por um Conselho de Ministros, no qual o Hezbollah tem direito de veto.

Para complicar as coisas, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, condicionou a suspensão do bloqueio imposto ao Líbano ao envio da Finul justamente à fronteira com a Síria.

"Paris e Damasco se preparam para uma batalha diplomática, na qual está em jogo o envio de uma força internacional" para esta fronteira, analisou nesta quinta-feira o jornal libanês "Al-Akhbar".

"A França faz campanha para que as condições israelenses para suspender o bloqueio sejam aceitas, em troca de um posicionamento da força internacional na fronteira com a Síria", acrescentou.