Guila
Flint
De Tel Aviv
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| Israelenses
foram às ruas de Haifa após ataques de domingo |
Seis dias após o início do
confronto entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, a mídia
israelense começou a mudar a linguagem. As hostilidades, até
agora qualificadas como a "Operação Militar no Norte",
passaram a ser chamadas abertamente de "guerra".
A nova guerra no
Líbano, que está cobrando um preço cada vez mais alto dos dois
lados da fronteira, tem o apoio da maioria da população
israelense, que aceita a posição do governo de que se trata de
"um ato de legítima defesa depois que o Hezbollah atacou o
territorio soberano de Israel".
"Pela
primeira vez em muitos anos, Israel luta por sua própria fronteira
e não por territórios ocupados", afirmou a jornalista Sima
Kadmon, em artigo no Yediot Ahronot, o maior jornal de Israel.
"Desta vez a guerra é pela soberania de Israel, por sua
fronteira legítima e internacionalmente reconhecida, pela qual
todos os cidadãos estarão dispostos a lutar e todas as mães estarão
prontas a enviar seus filhos", acrescenta Kadmon.
Porém, apesar de
minoria no país, vários israelenses, entre eles analistas e
ativistas políticos, questionam os objetivos dessa guerra.
No portal Ynet,
o jornalista Amnon Levy dirige uma série de perguntas à "troica"
que lidera o país – o primeiro-ministro Ehud Olmert, o ministro
da Defesa Amir Peretz e a ministra do Exterior Tzipi Livni.
"Para onde
vocês estão nos conduzindo? Por que vocês se negaram a considerar
a proposta de cessar-fogo do primeiro-ministro libanês? Quais são
os objetivos?", pergunta Levy.
"Os
bombardeios de áreas civis em Beirute, a morte de civis, vão levar
muitas pessoas no Libano, as mais moderadas, a aderir ao círculo de
ódio contra Israel... peço a vocês que contem até dez antes de
apertar o gatilho e que procurem uma maneira de alcançar um acordo
diplomático com o governo libanês", acrescenta Levy.
Manifestação
Ativistas políticos
também começam a questionar a guerra. No domingo, mil pessoas
participaram da primeira manifestação contra a guerra, que ocorreu
no centro de Tel Aviv.
Os manifestantes
portavam cartazes com os dizeres: "Basta de loucura
militar", "Não existe solução militar",
"Parem os canhões e salvem os civis", "É melhor
libertar prisioneiros do que escavar sepulturas".
Um dos
participantes da manifestação era Uri Avnery, de 82 anos, líder
do grupo pacifista Gush Shalom.
Em entrevista à
BBC Brasil, Avnery afirmou que os objetivos que o governo israelense
afirma querer alcançar com esta guerra são impossíveis e apoiou
um cessar-fogo imediato.
"Esta guerra
é ruim para Israel, para o Líbano e para as chances de paz na região",
disse Avnery. "Os ataques ao Hezbollah vão fortalecê-lo ainda
mais."
"O Hezbollah
tem raízes profundas no Líbano, representa os xiitas, que são 40%
da população. É impossível quebrar este movimento por meios
militares, quanto mais violentos forem os ataques, mais popular o
Hisbollah vai ser", afirmou o pacifista.
"Com os
ataques no Líbano, Israel está agindo contra seus próprios
interesses e fortalecendo o eixo Hezbollah-Irã- Siria. Vale lembrar
que este eixo também pode vir a incluir o Iraque, onde a maioria da
população é xiita."
Na opinião de
Avnery, Israel deve aceitar a proposta de cessar-fogo do
primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, e iniciar negociações
sobre o posicionamento de uma força internacional na fronteira
entre Israel e o Libano.
Em artigo no
jornal Haaretz, o analista Gideon Levy, também questionou a
guerra no Libano.
"A guerra
que declaramos contra o Líbano ja está cobrando de nós, e
obviamente do Libano, um preço alto. Será que alguém pensou se
este preço vale a pena? Todos sabem como esta guerra começou, mas
alguém sabe como vai terminar? Com duras perdas? Uma guerra com a Síria?
Uma guerra geral na região? Será que tudo isso vale a pena?",
questionou o analista.
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