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No domingo (4 nov 07) à noite, a Rede Record de televisão colocou no ar
uma matéria sobre os padres processados pela prática de pedofilia (sexo
com crianças), no Brasil e no exterior. Alguns leitores me pediram que
comentasse o assunto; por isso escrevo essa página.
Alertado por uma ouvinte, assisti o Programa da Record; numa primeira análise
me pareceu autêntico, isto é, parece que nada foi forjado, e as
entrevistas e testemunhos parecem ser verdadeiros, onde foram mostrados
padres envolvidos com este tipo de crime.
Foi colocado que o Vaticano não toma providências e que o então Cardeal
Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, antigo auxiliar de João Paulo II,
Prefeito da Sagrada Congregação da Fé, encobria os erros dos padres pedófilos.
Sabemos que isto não é verdade e que o Papa João Paulo II tomou medidas
enérgicas contra esses sacerdotes culpados. Falando aos Bispos dos EUA em
2002, o Papa não se esquivou do problema; entre outras coisas disse aos
Bispos em uma reunião no Vaticano:
“Como vocês, também eu me entristeço profundamente pelo fato de que
padres e religiosos, cuja vocação é ajudar as pessoas a viver vidas
santas aos olhos de Deus, tenham, eles próprios, causado tanto sofrimento
a jovens e tanto escândalo. Devido ao grande mal causado por alguns
padres e religiosos, a própria Igreja está sendo vista com desconfiança,
e muitos se ofendem com a maneira como se percebe que seus líderes agiram
nesta questão. O abuso que provocou esta crise é errado, por qualquer
critério usado, e é visto como crime pela sociedade, com razão; além
disso, é um pecado hediondo aos olhos de Deus. Às vítimas e às famílias,
estejam elas onde estiverem, expresso minha solidariedade e preocupação
profundas.”
“É preciso que fique absolutamente claro aos fiéis católicos e à
comunidade mais ampla que os bispos e superiores se preocupam, sobretudo,
com o bem espiritual das almas. As pessoas devem saber que não existe, no
sacerdócio e na vida religiosa, lugar para aqueles que querem prejudicar
os jovens.” Ao mesmo tempo o Vaticano tomou medidas para afastar os
padres que cometem este pecado. Cabe agora ao Bispo de cada diocese tomar
as medidas definidas pela Santa Sé. O papa Bento XVI adotou uma postura
ainda mais rígida sobre os casos de abuso sexual do que João Paulo II.
Numa entrevista no Vaticano, em seguida, o presidente da Conferência dos
Bispos Católicos dos Estados Unidos, Wilton Gregory, divulgou um
documento com as conclusões da reunião. Em resumo, a cúpula da Igreja
americana vai ser muito mais severa na questão. Serão instalados
processos especiais para a expulsão de padres cuja culpa em casos de violência
sexual contra menores seja “notória”.
O Cardeal-arcebispo de Washington, defendeu a política de tolerância
zero e a expulsão sumária dos padres pedófilos. Também é a favor da
denúncia dos casos de abuso sexual à polícia e à Justiça. Philip
Jenkins, professor de Estudos da Religião da Universidade Estadual da
Pensilvânia, afirmou que “Os casos de pedofilia propriamente dita são
poucos, mas isso poderia ser uma abertura para falar de outros assuntos
complicados para a Igreja, como o homossexualismo, por exemplo” (Veja
02.05.2002 – Pedofilia ).
É claro que esta falta desses sacerdotes é muito grave e não tem
justificativa, especialmente em se tratando de homens de Deus que devem
levar a salvação às pessoas, e a Igreja precisa coibir cada vez mais, e
rapidamente esses erros. E eu entendo que nós leigos devemos atuar com
sabedoria, ao lado dos senhores bispos, para resolver esta questão.
O Pregador da Casa Pontifícia, o frei Raniero Cantalamessa, em
15/12/2006, pediu ao Papa Bento XVI que fosse celebrado um dia de penitências
pelas vítimas de pedofilia, particularmente pelas crianças que tenham
sido abusadas por sacerdotes. Ele disse:”A Igreja tem chorado e
lamentado recentemente os abomináveis atos cometidos em seu seio por
alguns de seus ministros e pastores. Pagou e instituiu regras rígidas
para que os abusos não se repitam”.
O Pregador Pontifício acrescentou que “chegou a hora de chorar diante
de Deus” pelas ofensas cometidas “aos menores de seus irmãos”,
ainda mais pelo dano e desonra causados às vítimas pelos escândalos de
pedofilia. O frei Cantalamessa, pediu a penitência “para que, de todo
este mal, possa surgir o bem e se realize uma obra de reconciliação do
povo de Deus com seus próprios sacerdotes”.
O frei Cantalamessa também lembrou que o Papa condenou duramente a
pedofilia durante a audiência aos bispos irlandeses. (Fonte: gazetaonline.blogo.com)
Por outro lado é preciso lembrar que a pedofilia está longe de ser um
problema só de alguns padres da Igreja Católica. Jael Savelli, em artigo
no site www.midiasemmascara.org.br , “Pedofilia já! Enquanto ainda
‘estou com tudo em cima’”, em 14 de julho de 2007, revela em
detalhes o pensamento do líder do movimento gay no Brasil, Luiz Mott, e
suas simpatias pela pedofilia. Mott é decano do Movimento Homossexual no
Brasil; fundador do Grupo Gay da Bahia. Este é um exemplo de muitos casos
de apoio à liberação da pedofilia, o que jamais a Igreja aceita.
(Fonte: gaybrasil.com.br)
A Igreja tem arcado com as conseqüências dos atos pecaminosos de muitos
padres. O padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, disse que o
acordo entre a arquidiocese de Los Angeles e vítimas de abusos sexuais,
envolvendo o valor recorde de 600 milhões de dólares, é uma tentativa
de “fechar um capítulo doloroso e olhar para frente.” “A Igreja está
acima de tudo claramente machucada pelo sofrimento das vítimas e de suas
famílias, pelas profundas feridas causadas pelo grave e indesculpável
comportamento de alguns de seus membros”. Padre Lombardi revelou que o
acordo em Los Angeles envolveu 508 supostas vítimas, em casos que
remontam à década de 1940. Em 2003, a arquidiocese de Boston havia feito
um acordo para indenizar 550 pessoas com 85 milhões de dólares.
Em sua entrevista à Rádio do Vaticano, Lombardi falou dos “sacrifícios”
que o acordo imporá à arquidiocese de Los Angeles, que terá de vender
seu patrimônio imobiliário, inclusive a sede do arcebispado, e recorrer
a seguradoras e a várias ordens católicas. Embora todos os casos de
pedofilia sejam graves, não se pode generalizar o problema e dar a
entender ao povo que é uma epidemia no clero da Igreja. Segundo o jornal
”La Stampa”, dos 150 mil sacerdotes e religiosos que serviram à
Igreja Católica americana durante os anos 70 e 80, cerca de 500 foram
acusados por pedofilia, o que representa 0,3% do clero do país. (Reuters,
Por Philip Pullella, 17 Jul 2007) Um estudo do Departamento de Saúde
estima que em média 93.000 crianças sofram abuso sexual a cada ano nos
Estados Unidos. Destas, metade é atacada pelos próprios pais. Os
parentes próximos são responsáveis por outros 18% dos casos. Menos de
30% das pessoas que abusam de crianças travam contato com suas vítimas
fora de casa. (idem)
O jornal “Folha de São Paulo”, em 08 fev 07, no artigo “Polícia da
Áustria descobre rede global de pedofilia”, afirma que “Autoridades
da Áustria anunciaram a descoberta de uma rede global de pornografia
infantil envolvendo ao menos 2.361 suspeitos de 77 países, em uma operação
precedentes na história criminal austríaca”. De acordo com o ministro
do Interior da Áustria, Günther Platter, estão sendo investigados, em
seus respectivos países, 600 americanos, 400 alemães, mais de cem
franceses.
Enfim, não tem cabimento e justificativa a prática de pedofilia pelo
clero da Igreja, e esses homens devem deixar de imediato o exercício do
sacerdócio; no entanto, não se pode generalizar o erro de 0,3% do clero,
como se fosse algo epidêmico na Igreja. Em contraste a tudo isto, vimos,
por exemplo, no dia 28 de outubro 07, a beatificação de 498 mártires
espanhóis no Vaticano, sendo que ao todo foram martirizados cerca de 7000
sacerdotes. Sobre isto a imprensa se cala e Rede Record não diz uma só
palavra.
Já se tornou rotina alguns órgãos da imprensa colocarem uma enorme
lente de aumento sobre os erros dos filhos da Igreja e não dizerem uma só
palavra sobre as suas grandes obras em favor da humanidade. Não fosse a
Igreja Católica não teríamos a cultura e a civilização ocidental.
Que esses tristes casos de pedofilia sirvam para que a Igreja melhore a
formação dos sacerdotes, aprimore os Seminários e aumente a
espiritualidade do clero.
O bom católico, de fé madura, não pode ficar desanimado, desconsolado,
ou escandalizado com esses erros graves dos filhos da Igreja, mesmo sendo
padres. Infelizmente sempre houve muitos erros e pecados por parte dos
filhos da Igreja, mas o número de seus santos sempre foi muito maior.
Para cada padre acusado de pedofilia, podemos certamente mostrar mil
outros que vivem com dignidade o seu ministério sacerdotal e que prestam
relevantes serviços à Igreja e à humanidade.
Não podemos ficar olhando para algumas manchas negras na vida da Igreja e
esquecer a grande Luz com a qual ela sempre iluminou o mundo. Como disse
D. Estevão Bettencourt, “o ouro da Igreja muitas vezes passou por mãos
impuras, mas sempre continuou sendo ouro”.
Esses episódios de padres e leigos pedófilos, homossexuais,
fornicadores, etc., não podem nos desanimar, ao contrário, deve ser um
motivo a mais para trabalharmos para que o Reino de Cristo se instale
neste mundo.
Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br
Data Publicação: 08/11/2007
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