25.08.2008 - Revista Eclésia: Catástrofes causadas pelo aquecimento global apavoram a humanidade e tornam vivas as profecias bíblicas sobre o futuro do mundo.
Aquilo que antes estava restrito a filmes de ficção científica ou às profecias bíblicas de Daniel e do Apocalipse, agora está em todos os noticiários – o mundo parece em convulsão. Nem os cientistas mais céticos se arriscam a colocar em dúvida a realidade do aquecimento global, processo provocado pela ação humana e que pode levar à extinção da vida no planeta.
Os gigantescos blocos de gelo que se desprendem na Antártica
e no Ártico impressionam qualquer um. Eles são apenas
o efeito mais visível de um fenômeno que também
tem provocado tornados e furações devastadores na América
do Norte, ondas de forte calor na Europa, secas rigorosas na África,
inundações na Ásia e invernos rigorosíssimos
no Hemisfério Norte. Sem falar nas epidemias, catástrofes
naturais e extinção de espécies animais e vegetais
que têm ocorrido como nunca nas últimas décadas.
Aquilo que antes estava restrito a filmes de ficção científica
ou às profecias bíblicas de Daniel e do Apocalipse, agora
está em todos os noticiários – o mundo parece em
convulsão. Nem os cientistas mais céticos se arriscam
a colocar em dúvida a realidade do aquecimento global, processo
provocado pela ação humana e que pode levar à extinção
da vida no planeta que, um dia, foi chamado de azul pelo cosmonauta
soviético Yuri Gagarin. Apesar das divergências sobre o
tamanho e extensão do impacto da tragédia, cada vez mais
gente acredita que se tratam dos “sinais dos tempos”, os
acontecimentos preditos por Jesus Cristo nos evangelhos e que antecederiam
sua volta. Tanto da parte da ciência moderna quanto da teologia,
que tantas vezes são como água e óleo, a certeza
é uma só: as coisas ainda vão piorar muito.
Quem tiver dúvidas a respeito das mudanças
no clima do planeta e suas terríveis conseqüências
deve olhar para os pólos da Terra. Longe de serem o produto de
modelos engendrados em computador, lá os efeitos da destruição
dos ecossistemas são visíveis. Coberta por uma grossa
calota de gelo há pelo menos dez mil anos, desde a última
glaciação, já se registra na Antártica a
enorme formação de áreas verdes na antiga imensidão
branca, mostrando o tempo cada vez mais quente e o conseqüente
derretimento. Já no Ártico, o ritmo da elevação
da temperatura na atmosfera é o dobro da média global.
Previsões mais conservadoras dão conta de que a calota
gelada no extremo norte da Terra, fundamental para a manutenção
da temperatura no planeta, deve desaparecer totalmente durante o verão
a partir de 2060. Isso pode significar muito mais do que extinção
de espécies como os ursos polares, que não terão
mais a área de mar congelado para caçar, ou a necessidade
de esquimós usarem freezer para armazenar carne, como já
começa a ser visto. O que vem ocorrendo nas regiões polares
tem repercussão direta no equilíbrio climático
em todo o mundo. Devido às baixas temperaturas, os pólos
ajudam a manter o clima global ameno, alimentando as correntes marítimas,
resfriando as massas de ar e devolvendo ao espaço a maior parte
da energia solar que recebem, graças às vastas superfícies
brancas. Se as previsões se concretizarem, somente no Oceano
Ártico, as temperaturas ficarão 12 graus centígrados
mais quentes em poucos anos. Isso será sentido em toda parte
do mundo, gerando cataclismos inimagináveis, inclusive a inundação
de regiões costeiras com o aumento do nível dos oceanos.
Num cenário pavoroso, cidades como Nova Iorque e Rio de Janeiro
deixariam de existir, e países inteiros, como a Holanda, seriam
literalmente riscados do mapa.
Mais de 60 nações, entre elas o Brasil,
estão mobilizando 10 mil cientistas e investindo 1,5 bilhão
de dólares em 228 projetos de pesquisa no Ártico e na
Antártica. O pano de fundo é mesmo o aquecimento global,
mas, entre outras coisas, pretendem calcular a quantidade de gelo que
será derramada no mar nas próximas décadas devido
ao degelo de regiões como a Groenlândia. “Os pólos
estão dando seu alerta. Se todo esse gelo derreter, o nível
dos mares poderá subir sete metros. Muitas cidades litorâneas
serão inundadas e destruídas”. Mas isso não
é tudo. Com a salinidade do mar diluída pelas águas
doces, correntes se enfraqueceriam e haveria um rompimento brutal do
clima do planeta. Seria possível encontrar icebergs no litoral
inglês e o inverno na Europa seria um pesadelo.
Esse, aliás, é um dos paradoxos do fenômeno:
apesar do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas
(IPCC, na sigla em inglês) da ONU falar em aumento da temperatura
média no mundo em 5 graus, o que se verão serão
invernos mais frios e verões mais quentes. “As temperaturas
variarão nos extremos. Em alguns lugares onde o frio é
intenso se verá um clima africano. Noutros, já quentes,
será insuportável viver por causa do calor. Multidões
fugirão ou morrerão sem água”, adverte Mesquita.
Se tudo isso se confirmar, o Brasil será duramente atingido.
Em menos de 50 anos, a Amazônia seria transformada em um tipo
de savana ou cerrado, e os habitantes do sertão nordestino, região
já quente e seca, seriam forçados a migrar em massa, desencadeando
tragédias sociais de conseqüências imprevisíveis.
Sufocante
Catastrófico ou não, o fato é que
esse cenário já começa a se desenhar no horizonte.
Causado pelo aumento dos gases do efeito estufa na atmosfera, principalmente
do dióxido de carbono, o processo de aumento da temperatura mundial
é comprovado por medições precisas feitas pelos
mais modernos satélites e sondas. Esses gases formam uma espécie
de cobertor em torno do planeta, impedindo que a radiação
solar, refletida pela superfície na forma de calor, volte para
o espaço. O efeito estufa, muita gente não sabe, é
um fenômeno natural normal, que acontece desde que o mundo é
mundo. Sem ele, as condições de temperatura e clima na
Terra não permitiriam a existência de vida. Porém,
o que se vê agora é outra coisa: graças à
ação humana, a situação se tornou –
com trocadilho – sufocante.
O acúmulo de gases foi intensificado a partir da
Revolução Industrial, no século 18. Por causa da
intensa atividade fabril, a temperatura já subiu, em média,
quase 1 grau nos últimos 100 anos. Não tem jeito: para
haver desenvolvimento e crescimento econômico, é preciso
gerar mais energia. E esse ciclo vicioso só tende a piorar com
a explosão populacional. A cada segundo, quatro crianças
nascem no mundo, o que dá um total de 250 por minuto e 130 milhões
por ano. Enquanto isso, outras 100 pessoas morrem a cada minuto, o que
dá 50 milhões por ano. A conta resulta num aumento estimado
de 80 milhões de novos seres humano anualmente. Pela fria lógica
dos números, a humanidade será composta, daqui a vinte
anos, por 8 bilhões de indivíduos. Se países como
China e Índia, os dois mais populosos, continuarem elevando seus
padrões de consumo a grandes áreas que antes serviam à
agricultura se tornarem desérticas, será impossível
produzir alimentos para todos. Isso sem falar na escassez de água
potável, um drama anunciado desse século 21.
Uma das passagens bíblicas mais citadas quando
se trata de escatologia é o capítulo 21 do Evangelho de
Lucas. Ali, Jesus fala em grandes terremotos, pestilências, fome
e outros eventos terríveis ocorrendo ao mesmo tempo em diversas
partes do mundo. Pode ser mera coincidência, mas nunca houve a
soma de tantos deles como nesses últimos tempos. De acordo com
uma pesquisa feita pela BBC em 27 países, no ano de 2005 os eventos
considerados mais significativos foram catástrofes. Naquele período,
ocorreram 360 desastres naturais – e 259 deles podem ser considerados
diretamente ligados ao aquecimento global. Segundo historiadores, não
há comparação com o que acontecia no passado. No
século 19, só para ter uma idéia, não havia
mais de meia dúzia de episódios do gênero a cada
ano. Enquanto isso, num único ano recente, o mundo experimentou
168 inundações, setenta tornados e furacões e duas
dezenas de secas. A vida de 154 milhões de pessoas foi diretamente
afetada.
Entre tantas catástrofes nos últimos tempos,
algumas ficaram mais fortemente marcadas. Quem não se lembra
do tsunami na Ásia, no fim de 2004, que deixou um saldo de cerca
de 300 mil mortos? Ou do furacão Katrina, que devastou a cidade
de Nova Orleans, na mais próspera nação do mundo,
os Estados Unidos da América? Isso, para não falar em
recentes terremotos na China e no Paquistão – países
duramente castigados também por enchentes, ciclones e tempestades
–, maremotos na Nova Guiné, incêndios florestais
na América do Norte e ondas de calor no Leste Europeu, região
normalmente temperada. Em cada ocorrência, mais mortes, mais destruição
e mais prejuízos. Por outro lado, há o surgimento de novas
doenças, algumas agravadas pelas mudanças no clima, como
a dengue, uma das muitas epidemias tropicais que avançam sem
controle.
Fonte: Revista Eclésia - Edição 124