PROFECIAS BÍBLICAS COMPATÍVEIS COM AS PROFECIAS PARTICULARES
O grande castigo descrito em profecias particulares desde o século XII com Sta. Hildegarda e mais numerosamente exibidas a partir do século XVIII, parece ser o que a Bíblia chama de Dia do Senhor. Entretanto, o Dia do Senhor também significa o acontecimento cataclísmico da destruição de toda a Terra e da humanidade na parusia. É o que nos diz São Pedro no Novo Testamento, assim:
"Mas os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma palavra divina e reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios..." "Entretanto virá o Dia do Senhor como ladrão. Naquele dia, os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra e todas as obras que ela contém" (1).
Este fogo aqui referido não parece ser o resultado do impacto de algum NEO (Astro) com diâmetro da ordem de 10 km, como aconteceu há 65 milhões de anos atrás. Tenho impressão de algo a ver com o seguinte fenômeno astrofísico: o Sol, nossa estrela, se transformando numa gigante vermelha. Sabe-se da astrofísica estelar, que uma estrela após consumir 20% de seu hidrogênio, sua atmosfera se expande consideravelmente transformando-se em estrela gigante. Então, o Sol passaria a ocupar todo o espaço em que se encontram os planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Estes planetas seriam derretidos e vaporizados. Creio que isto está consignado nas palavras do Apóstolo: "... os elementos abrasados se dissolverão e será consumida a terra e todas as obras que ela contém". Isto é o fim da História da Terra e da humanidade. Vejamos agora o Dia do Senhor significando um castigo em determinado momento da história humana, não o fim do mundo e da História.( Esse trecho em vermelho é uma opinião pessoal do autor desse texto, o que não se refere a opinião do site www.fimdostempos.net, alias acho eu webmaster-www.fimdostempos.net, uma opinião equivocada, pois as profecias atuais e antigas não dizem nada a respeito disso, mas sim a queda de astros que consumirão a Terra, mas de qualquer jeito, deixaremos esse parágrafo aqui nesse texto).
O profeta Isaías nos fala do Dia da Vingança do Senhor, dia de fogo para liquidar Seus inimigos e poupar Seus amigos. Suas palavras:
"Sou
Eu que luto pela justiça e poderoso para salvar".
"Era Eu que desejava um Dia de Vingança e o Ano da Redenção dos Meus
havia chegado".
"Também na Minha cólera Eu arrasei os povos, na Minha fúria triturei-os,
fazendo correr seu sangue sobre a terra".
"Com esta visão vossos corações pulsarão de alegria e vossos membros se
fortalecerão como plantas. O Senhor manifestará a Seus servos Seu poderio, e
aos Seus inimigos Sua cólera. Pois o Senhor virá no meio do fogo, com Seus
carros semelhantes ao furacão, para satisfazer Sua cólera num braseiro, e
cumprir Suas ameaças em chamas ardentes; porque o Senhor fará a justiça de
toda a terra pelo fogo e de todo ser vivente pela espada e muitos cairão sob os
golpes do Senhor" (2).
Parece óbvio que se não trata do fim da História, mas de um castigo universal pelo fogo.
Vejamos agora o profeta Joel, que diz isto sobre o Dia do Senhor:
"Estremeçam
todos os habitantes da terra, eis que se aproxima o dia do Senhor, dia de trevas
e de escuridão, dia nublado e coberto de nuvens".
"Diante dele um fogo devorador, e atrás, uma chama abrasadora".
"Diante deles treme a terra, os céus vacilam, o sol e a lua se obscurecem,
as estrelas perdem o brilho". "Sim, o dia do Senhor é grandioso e temível!
Quem o poderá suportar?"
"Farei aparecer prodígios no céu e na terra, sangue, fogo e turbilhões
de fumo. O sol converter-se-á em trevas e a lua em sangue, ao se aproximar o
grandioso e temível dia do Senhor. Mas todo o que invocar o nome do Senhor será
poupado, porque, sobre o monte Sião e em Jerusalém, haverá um resto, como o
Senhor disse; e entre os sobreviventes estarão os que o Senhor tiver
chamado" (3).
Como se vê, uma punição universal com fogo, trevas e turbilhões de fumo e sobreviventes escolhidos por Deus. Parece evidente aí que Israel será amorosamente poupado nesse flagelo universal. O contexto sugere os oráculos das profecias particulares apresentadas no Capítulo III.
Também o profeta Amós fala sobre o Dia do Senhor nestes termos:
"Ai daqueles que desejam ver o Dia do Senhor! Que será para vós o Dia do Senhor? Trevas e não luz". "Sim o Dia do Senhor será trevas e não claridade, escuridão e não luz" (4).
No oráculo de Amós, são as trevas que parecem ser a grande nota importante. Parece haver aí algo a se pensar, isto: o fogo mata, mas a escuridão completa leva a alma facilmente ao desespero, que é a morte espiritual.
Exibiremos agora a profecia de Sofonias, que é a seguinte:
"Destruirei
tudo sobre a face da terra... farei perecer homens e animais, aves do céu e
peixes do mar; exterminarei os ímpios com seus escândalos, farei desaparecer
os homens da superfície do mundo, oráculo do Senhor".
"Ei-lo que se aproxima o grande Dia do Senhor! Terrível é o ruído que
faz o Dia do Senhor, o mais forte soltará gritos amargos nesse dia..."
"Dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de névoas espessas... Toda a
terra será devorada pelo fogo de Seu zelo, porque Ele aniquilará de repente
toda a população da terra".
"Buscai o Senhor, vós todos os humildes da terra que observais Sua lei,
buscai a justiça e a humildade, talvez assim estarei ao abrigo no Dia da cólera
do Senhor" (5).
Trevas, nuvens, névoas espessas no Dia da cólera do Senhor, que, parece pelos versículos apresentados, o próprio fim do mundo. Entretanto o último versículo apresenta a possibilidade da preservação dos justos. Isto sugere que o "desaparecimento dos homens da superfície do mundo" é hipérbole para significar grande número, não propriamente a totalidade.
O último dos profetas menores, Malaquias, também teve visões do Dia do Senhor. Diz ele:
"Porque
eis que vem um dia ardente como a fornalha. Todos os soberbos, todos os que
cometem o mal serão como a palha; este dia que vai vir os queimarão, diz o
Senhor dos exércitos e nada ficará: nem raiz nem ramos. Mas sobre vós que
temeis o Meu Nome levantar-se-á o Sol de Justiça que traz a salvação em seus
raios".
"Vou mandar-vos o profeta Elias antes que venha o grande e temível Dia do
Senhor e ele converterá o coração dos pais para os seus filhos, e o coração
dos filhos para os seus pais, de sorte que não ferirei mais de interdito o país"
(6).
Parece claro que o Dia do Senhor não é o fim do mundo, mas um castigo que eliminará os ímpios, e, parte dos justos serão preservados.
Passemos agora para o Novo Testamento, onde no Apocalipse é descrito um castigo semelhante ao do Dia do Senhor no Antigo Testamento. Aqui é chamado de Dia da ira do Cordeiro. O flagelo da ira do Cordeiro aparece na abertura do sexto selo. O livro dos sete selos no Apocalipse simboliza a história da Cristandade que evolui em sete fases. O Dia da ira do Cordeiro, inaugura a sexta e penúltima época da história Cristã, o que significa que a punição da abertura do sexto selo não é o fim da História. Eis os versículos:
"Depois vi o Cordeiro abrir o sexto selo e sobreveio um grande terremoto. O sol se escureceu como um tecido de crina, a lua tornou-se toda vermelha como sangue, os astros do céu caíram na terra como figos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania. O céu desapareceu como um pedaço de papiro que se enrola e todos os montes e ilhas foram tiradas de seus lugares. Então os reis da terra, os grandes, os chefes, os ricos, os poderosos, todos tanto escravos como livres esconderam-se nas cavernas e grutas das montanhas. E diziam às montanhas e aos rochedos: 'caí sobre nós e escondei-nos da face Daquele que está sentado sobre o trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da sua ira e quem poderá subsistir?" (7)
Aqui como em Joel aparece o Sol se escurecendo e a Lua se tornando vermelha. Não deveriam ambos se tornarem obscuros devido às trevas na Terra? Bem acontece nas descrições bíblicas especialmente voltadas para as profecias, haver multiplicidade de sentidos como aponta Sto. Agostinho em seu Manual de Exegese Bíblica. Suas palavras:
"Quando das mesmas palavras da Escritura são tirados não somente um, mas dois ou vários sentidos - ainda que não se descubra qual foi o sentido que o autor tenha em vista - não há perigo de se adotar qualquer um deles. Sob a condição, porém, de se poder mostrar, através de outras passagens das Santas Escrituras, que tal sentido combina com a verdade" (8).
Sto. Tomás baseia-se nesta passagem de Sto. Agostinho a fim de fazer a exegese dos seis "dias" da criação do Gênesis (9).
A mim parece claro que a passagem aqui consignada do Apocalipse envolve essa regra exegética. Vejamos. Ao longo do Apocalipse encontramos inconfundivelmente a presença de descrições simbólicas. Há exegetas estultos que insistem em ver nas descrições desse Livro Bíblico de profecias somente descrições de sentido literal. O Pe. Castellani por exemplo, cita certa exegese realizada por um engenheiro católico austríaco que vê em certas passagens do Apocalipse altamente simbólicas, explosões nucleares (10).
O excerto apocalíptico aqui exibido é um exemplo em que se aplica a regra agostiniana. Parece aí estar presente um sentido literal aliado a um sentido simbólico. Explico-me.
No Apocalipse tais palavras com "céus", "sol", "lua" carregam um forte significado simbólico. Os "céus" de modo geral significam a Igreja e as "estrelas do céu" a hierarquia eclesiástica. O "sol" é a fonte da luz da verdade do magistério da Igreja e a "lua", iluminada pelo "sol" é o poder temporal. A "lua vermelha" simboliza as violências, terrorismo, revoluções nos governos. O Brasil, Oriente Médio, mundo muçulmano, são exemplos do sangue derramado que tornam a lua vermelha. Já o "sol se escureceu" é a ausência da sã doutrina na autoridade eclesiástica mergulhada na apostasia. Os "astros do céu caíram na terra como figos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania" simboliza a queda da hierarquia eclesiástica no mundo, compartilhando de todas as impurezas deste, como por exemplo, a pocilga sonora das músicas rock, caipira, forró, músicas pseudo populares fabricadas pelo rendoso show business. Já outros sentidos literais podem aí ser aceitos, como as trevas físicas, grande terremoto do impacto de um NEO (astro)e o terror dos ímpios diante de acontecimentos cataclísmicos.
Fonte: http://www.ihp.org.br/ixfmg.htm