Quimeras -  Animal-Humano híbridos gera controvérsia

 

Antes leiam o artigo A Nova Ordem Mundial - não terá êxito

National Geographic News

 25 janeiro , 2005

 Tradução > http://news.nationalgeographic.com/news/2005/01/0125_050125_chimeras.html

Os cientistas começaram a ultrapassar a linha entre o ser humano e o animal produzindo a criatura híbrida que é parte humana e parte animal: As QUIMERAS.

Cientistas chineses na Universidade de Medicina de Xangai, em 2003 fundiram, com sucesso, células humanas com óvulos de coelho. Os embriões foram denominados como as primeiras quimeras humano-animal criadas com sucesso.

Foram permitidas desenvolver-se por vários dias, em laboratório, até que os cientistas destruíram os embriões para colher suas células.

No ano passado, em Minnesota, os investigadores na clínica de Mayo criaram porcos com sangue humano correndo em suas veias.  

E na universidade de Stanford, Califórnia, no mesmo ano, uma experiência foi feita para criar ratos com  cérebros humanos.

Os cientistas entendem que, quanto mais humanizado for o animal, melhor será aproveitado para fins de pesquisa ou para criar "peças de reposição que crescem por si mesmas”, como os fígados, para transplantar em seres humanos.

 Prestar atenção em como as células humanas amadurecem e  interagem em uma criatura viva pode também conduzir às descobertas de tratamentos médicos novos.

Mas criando o humano-animal – quimera (quimera: monstro da mitologia grega que tinha cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente), começaram a aparecer incômodas perguntas: Que combinação subumana nova deve ser produzida e para que finalidade? Em que ponto considerar-se-ia humano? E que direitos, se chegar a existir, deve ter?

 Não há atualmente nenhuma lei federal nos ESTADOS UNIDOS, para responder a estas questões.

Normas Éticas

A Academia Nacional de Ciências, solicitada pelo governo dos ESTADOS UNIDOS, tem estudado a questão da quimera. Em março, planeja apresentar normas éticas para investigadores.

 Uma quimera é uma mistura de duas ou mais espécies em um corpo. Nem todas são consideradas aberrações.

 Por exemplo, as válvulas humanas defeituosas do coração são substituídas rotineiramente por válvulas de vacas e porcos. Cirurgias que transformam o receptor humano em um ser humano-animal – uma quimera - são amplamente aceitas. E por anos os cientistas adicionaram genes humanos às bactérias e aos animais de fazenda.

O que causa alvoroço em misturar células tronco humanas com embriões animais para se criar novas espécies.

O biotecnólogo e ativista Jeremy Rifkin, é contrário ao cruzamento, porque acredita que os animais tem o direito de existir sem serem alterados ou cruzados com uma outra espécie.

Ele concorda com o fato de que estes estudos conduziriam a algumas descobertas médicas. Porém, não devem ser feitos.

"Há outras maneiras de fazer avançar a medicina e a saúde humana, sem ter que entrar no estranho, admirável mundo novo das quimeras", disse Rifkin, acrescentando ainda que os modelos sofisticados do computador podem substituir a experimentação em animais vivos.

 "Não deve colocar em um patamar religioso ou ir nos direitos dos animais por causa deste assunto, isso não faz sentido," ele continuou. "São os cientistas que querem fazer isto. Os cientistas tem  ido agora sobre a borda no domínio patológico.

" David Magnus, diretor do centro de Stanford para o Éticas Biomédicas na Universidade de Stanford, acredita que a preocupação real  são se os chimeras estarão postos aos patamares de risco, perigo ou problemáticos.

 

 Seres humanos nascidos de parentes ratos ?

 Por exemplo, uma experiência que levará  interesse, disse ele, é a engenharia genética de ratos para produzir espermas e ovos humanos, então fazendo fertilização em vidro para produzir uma criança cujos os pais sejam um par de ratos.

 "A maioria das pessoas encontrariam esta problemática. " Disse Magnus , "mas quem fará uso é bizarro ou não, com relação ao melhor de meu conhecimento, qualquer coisa que qualquer um está contemplando remotamente. A maioria de usos dos chimeras são realmente muito mais relevantes aos interesses práticos."

Canadá no ano passado passou o Ato Humano Assistido da Reprodução, que proíbe chimeras. Especificamente, proíbe transferir uma célula de embrião-não-humano em um embrião humano e pôr células humanas em um embrião-não-humano.

Cynthia Cohen é um membro do Comitê de Análise de Células de Tronco de Canadá, que supervisa protocolos de pesquisa para assegurar que eles estão de acordo com as novas pautas.

Ela acredita que uma proibição deve também ser posta em prática nos Eua.

Criando chimeras, ela disse, misturando gametas humanos com animais (espermas e ovos) ou transferindo células reprodutivas, diminui a dignidade humana.

"Isso negaria que há algo distintivo e valioso de valor sobre os seres humanos que é algo a ser honrado e protegido," disse Cohen, que é também o membro sênior de pesquisa no Instituto  Kennedy da Universidade de Georgetown de Ética em Washington, D.C. 

Mas, anotou, que a redação em tal proibição necessita ser tornada com cuidado. Não deve condenar éticos e legítimos experimentos -- como transferir um número limitado de células tronco humanas de adultos nos embriões animais a fim de aprender como elas proliferam e crescem durante o período pré-natal.

 Irv Weissman, diretor do Instituto da Universidade de Stanford de Biologia  de Células-Tronco/Câncer e Medicina na Califórnia, está de encontro a uma proibição nos Eua.

"Qualquer um que põe sua própria orientação moral na direção desta ciência biomédica, onde querem impor que não serão  apenas parte do argumento , se este conduzir a uma proibição ou  moratória... eles estão parando pesquisas que poderão salvar vidas humanas”, ele disse.

 

 Ratos Com Cérebros Humanos

 Weissman já criou ratos cujos cérebros são 1% humanos.

Ao longo deste ano ele pode conduzir uma outra experiência onde os ratos tenham 100% de cérebros humanos. Isto poderia ser feito ,disse ele, injetando os neurônios humanos nos cérebros embrionários dos ratos.

Antes de nascerem, os ratos seriam matados e dissecados para ver se a arquitetura de um cérebro humano foi formada. Se isto acontecer , ele  procuraria traços do comportamento cognitivo humano.

Weissman disse que não é um cientista louco que tenta criar um ser humano em um corpo animal. Ele espera que a experiência conduza a uma melhor compreensão do funcionamento do cérebro, que seriam úteis em tratamento de doenças como o Mal de Alzheimer ou de Parkinson.

O teste não começou ainda. Weissman está esperando para ler o Relatório dA Academia Nacional, esperado para Março.

William Cheshire, professor associado de neurologia no Jacksonville  Clínica de Mayo, Florida, filial, sente que  combinar os neurônios humanos e animais é problemático.

"Este é um território biológico inexplorado" , ele disse. "Qualquer ponto inicial moral do desenvolvimento neural humano nós pudemos escolher para ajustar como o limite para tal experiência, haveria um risco considerável de exceder esse limite antes que se pudesse reconhecer."

Cheshire aprova  pesquisas que combinam células humanas e animais para estudar a função celular.

Quando ele ainda não era graduado, ele participou na pesquisa que fundiu células humanas e dos ratos.

“ Nós devemos ser cautelosos para não violar a integridade do ser humano e dos animais , em cima disso nós temos uma administração responsável por isso.” disse Cheshire, membro do Médico Cristão e Associarão Dentária. “ Projetos de pesquisas que visam criar quimeras humanos-animais podem causar distúrbios nos frágeis ecossistemas, pôr em perigo a saúde , e afrontar a integridade das espécies.

Fonte: http://news.nationalgeographic.com/news/2005/01/0125_050125_chimeras.html

 


 

Caso
Quimera Camundongo-Humana

José Roberto Goldim


O jornal CORREIO DO POVO, na edição de  sábado, 21 de agosto de  2004, publicou a notícia de que um pesquisador brasileiro, radicado nos Estados Unidos, havia gerado camundongos com neurônios humanos. Estas células, conforme a notícia, eram funcionais. O pesquisador ao ressaltar a importância da autorização do uso de células-tronco embrionárias humanas em estudos, afirmou que:

'Criamos uma quimera, cujo cérebro é, em parte, de camundongo e, em parte, de humano. O animal não apresentou nenhuma alteração de comportamento'.

Comentário

Em 1995, na França,  já havia sido transplantado tecido nervoso humano para cérebros de ratos, com a finalidade de verificar o desenvolvimento de tecido glial.

Desde 1997, quando foi solicitada a patente para um "humouse", ou seja, uma quimera camundongo-humana, este debate vem sendo realizado. 

A utilização de células-tronco embrionárias humanas em pesquisas científicas já é, em sí, um procedimento com inúmeras questões éticas que merecem reflexão. A utilização de células-tronco embrionárias humanas para a produção de quimeras é ainda mais discutível.

A utilização de células-tronco embrionárias para produzirem neurônios humanos em um camundongo se reveste de um conteúdo todo especial.

Qual é o significado moral de introduzir neurônios humanos em um cérebro de camundongo? Este camundongo passa a ter um estatuto diferente dos demais? Ou é apenas um experimento a mais, sem novas considerações éticas relevantes, além das já realizadas para outras pesquisas semelhantes?

A questão central desta reflexão é a da utilização de partes do ser humano como material de pesquisa. A tradicional diferença entre pessoa e coisa, fica comprometida quando células ou tecidos humanos passam a ser patenteados ou transferidos para outras espécies de seres vivos.

A perda de uma parte do corpo, em geral, não acarreta a morte do indivíduo. Exemplo disto são as amputações. O indivíduo perde uma perna, um braço, uma mão, mas continua a existir, a ser reconhecido como sendo uma pessoa. Da mesma forma, pode receber órgãos de outras pessoas, com rim, fígado, pâncreas, pulmão, córnea, sem contudo se transformar, por este motivo, em outra pessoa. Até mesmo órgãos de animais de outras espécies poderiam ser transferidos, sem que a característica humana do paciente receptor fosse sequer contestada A única exceção é o sistema nervoso central.

A partir de 1968 a caracterização do final da vida de um ser humano se deslocou do critério cardiorrespiratório para o critério encefálico. O funcionamento dos neurônios do sistema nervoso central passou a balizar a passagem da vida para a morte do indivíduo.  Caso fosse tecnicamente possível, não existiria um transplante de cérebro ou encéfalo, mas sim, este cérebro ou encéfalo é que receberiam um transplante de corpo. A identidade do indivíduo estaria preservada nas suas lembranças, no seu modo de ser, predominantemente nas suas características neuronais centrais.

Transferir células-tronco embrionárias humanas para um ambiente neuronal de outra espécie animal é ultrapassar uma barreira de investigação que merece ser adequadamente discutida e refletida antes que suas conseqüências possam ser irreversíveis. As questões que envolvem a dignidade ou a condição humana como ficam a partir deste momento? Esta pesquisa é o típico exemplo de "conhecimento perigoso", que merece ser refletido e avaliado em todas as suas conseqüências e não apenas desde o ponto de vista de sua possível e eventual aplicação terapêutica. A elucidação destas questões demandam mais pesquisas, realizadas de forma eticamente adequada para que possam permitir avançar os conhecimentos imprescindíveis ao desenvolvimento da humanidade.


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