|
14/05/07
SÃO PAULO (Reuters) - Depois da insistente condenação do aborto que o
papa Bento 16 fez durante sua viagem ao Brasil, a rede Record manterá
aquecido o debate sobre a legazalição do aborto, com vinhetas e um
programa sobre o tema.
A TV Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo evangélico
Edir Macedo, começou na quarta-feira, dia em que o papa chegou ao Brasil,
a levar ao ar vinhetas de poucos segundos em que uma mulher defende sua
escolha de fazer ou não o aborto.
A vinheta, que não tem previsão para sair do ar, é assinada pelo
Instituto Ressoar, associação de projetos sociais da Rede Record.
Ricardo Frota, gerente nacional de comunicação da Record, insiste que as
vinhetas "não defendem a legalização do aborto" e que
promovem "o respeito ao direito de liberdade de escolha da
mulher".
Na noite de segunda-feira, o programa "Repórter Record"
exibirá uma reportagem sobre o aborto, na qual promete "dar voz
aos que são contra o aborto e também aos defensores da legalização".
"Quando um feto se torna um ser humano? É na concepção, como
defende o papa e a Igreja Católica? Ou não?", pergunta a sinopse do
programa semanal, no site da emissora. "Demonstraremos como se dá o
processo de desenvolvimento de um feto até as 12 semanas, quando ele começa
a ter o cérebro formado."
"A
Record, em parceria com o Ressoar, vem promovendo a exibição de vinhetas
relacionadas à defesa da natureza, à promoção da educação, ao
reencontro de desaparecidos e outras de cunho social", explicou
Frota, por email.
Bento 16 voltou a Roma no domingo, após defender o direito à vida
"desde a sua concepção até o seu natural declínio", numa
condenação ao aborto e à eutanásia. A caminho do Brasil, o papa chegou
a manifestar apoio a líderes eclesiásticos mexicanos que ameaçaram
excomungar parlamentares católicos favoráveis à legalização do aborto
na Cidade do México, medida aprovada em abril.
"O
egoísmo e o medo estão na raiz da legislação (pró-aborto)",
disse Bento 16. "Nós, da Igreja, temos uma grande luta para defender
a vida. A vida é um presente, não uma ameaça."
O debate também teve eco no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva chegou a afirmar antes e depois da visita do papa que o aborto é um
tema de saúde pública, embora ele pessoalmente seja contrário a esse
tipo de intervenção.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, alimentou a polêmica.
Ele afirmou que as mulheres devem ser ouvidas sobre o assunto e que
"se os homens engravidassem, pensariam diferente".
|