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Ainda sobre revelações privadas - Entenda porquê alguns autores divergem em suas afirmações |
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O
texto seguinte é retirado do lirvo 'The Life of Mary as seen
by the Mystics'; livro este que traz uma compilação das
visões e revelações feitas à Beata Anna C. Emmerich, Beata Maria
de Agreda, Santa Brígida da Suécia e à Santa Isabel de Schoenau: O
breve esboço que se segue do assunto é derivado de uma magistral análise
do trabalho do Rev. Augustin Poutain, S.J., As Graças da Oração
Interior (St. Louis: B. Herder, 1912), Parte IV, “Revelações e
Visões.” Primeiro
e mais importante de tudo, nós sempre temos que fazer uma distinção
exata entre: (1) a Revelação pública e universal, divinamente
garantida, que está encerrada na Bíblia e na Tradição Apostólica da
Igreja, e (2) as numerosas revelações privadas ou especiais de cristãos
santos, homens e mulheres. A primeira veio ao seu fim com a pregação dos
Apóstolos e é uma questão de fé para todos os católicos; enquanto que
a segunda tem-se ocorrido por toda a história da Igreja e não se exige
uma crença, mesmo quando aprovadas. “Pouco importa se alguém acredita
ou não nas revelações de Santa Brígida ou outras de outros santos;
estas coisas não têm nada a ver com a Fé.” “Mesmo quando a Igreja
as aprova... elas não são para serem usadas como debates determinantes
de história... filosofia, ou teologia...”(9) Em
seguida, temos que entender porquê é possível que, os escritos ou
revelações de alguns místicos santos, têm, ocasionalmente, contido
pequenas erros ou detalhes que não concordam com similares considerações
de outros místicos igualmente santos. Isto é observado especialmente
quando suas visões representam cenas históricas, como a vida e morte de
Jesus Cristo e de Sua Mãe. Por exemplo, Santa Brígida e Maria de Agreda
diferem em relação a vários detalhes da Natividade... E todas as três
[as duas citadas acima e a Beata Anna C. Emmerich] divergem com respeito
ao número de anos que a Bendita Virgem viveu após a Crucificação. Isto
não significa que em cada caso somente uma mística viu corretamente e as
outras se equivocaram. Pois, como o Padre Poulain muito sabiamente explica
– e a importância do enunciado para o nosso trabalho não pode ser mais
enfatizada: “Quando as visões representam cenas históricas...
frequentemente elas têm uma semelhança próxima e provável apenas... É
um erro atribuir-lhes uma absoluta exatidão... De fato, muitos santos
acreditaram que o evento ocorreu exatamente como eles o viram. Mas Deus não
nos engana quando Ele modifica certos detalhes. Se Ele ligasse a Si mesmo
à absoluta exatidão nestes assuntos, em breve teríamos que procurar
satisfazer-nos com as visões um ocioso desejo pela erudição em história
ou arqueologia. Ele tem um nobre objetivo, que é a santificação das
almas, e estimular nelas um amor ao sofrimento de Jesus. Ele é como um
pintor que, para excitar a nossa piedade, está contente a pintar cenas em
sua própria maneira, mas sem afastar demais da verdade. (Este argumento não
pode ser aplicado aos livros históricos da Bíblia.)... Deus tem outra
razão para modificar certos detalhes. Às vezes Ele adiciona a elas uma
cena histórica para salientar o significado secreto do mistério. Os
verdadeiros espectadores viram nada similar... Vemos então, que é
imprudente procurar refazer a história pela ajuda das revelações dos
santos.”(10) E
em seu artigo sobre o mesmo assunto na Enciclopédia Católica, o
Padre Poulain adiciona: “Uma visão não precisa garantir a sua exatidão
em cada detalhe. Deveria assim ser cauteloso de se concluir, sem análise,
que as revelações são para serem rejeitadas... Muito menos deveria
suspeitar-se que os santos foram sempre ou muitas vezes ludibriados em sua
visão. Ao contrário, tal decepção é rara, e normalmente em apenas
questões sem importância...”(11) Em
seu tratado da teologia mística, Padre Poulain também lista as seguintes
possíveis causas de erros nas revelações privadas: a mente humana pode
misturar a sua própria ação com a ação divina numa certa medida,
assoprando algumas de suas próprias ou preconcebidas idéias; uma
verdadeira revelação pode subseqüentemente ser alterada quando o seu
receptor recorda-a após um intervalo de tempo, ou o secretário do místico
pode não escrever ou editá-la com perfeita fidelidade; e finalmente um
texto impresso pode ser uma versão incompleta ou uma tradução inexata
do manuscrito original. (12) Podemos
então conceder, com o sábio Padre Herbert Thurston, S.J., que ‘parece
impossível lidar com as visões de Anna Catarina [Emmerich] – ou,
realmente, quaisquer outras visões similares – como fontes que podem
contribuir de forma confiante para o nosso conhecimento de história
passada.’”(13) Qual
então é o valor das melhores revelações privadas? O famoso Dom Prosper
Gréranger, O.S.S., abade de Solesnes e pioneiro da restauração litúrgica
moderna, resumiu a antiga compreensão de resposta da Santa Mãe Igreja
para esta questão quando ele escreveu: “Revelações privadas... são
poderosos meios de fortalecer e aumentar os sentimentos cristãos.”(14)
Pois, de acordo com seu biógrafo, “no ensinamento de Dom Guéranger; as
revelações privadas, mesmo que o elemento humano possa entrar em sua
composição com o elemento revelado, são um dos canais pelos quais, a
edificação e o sobrenatural penetra entre os fieis cristãos.”(15) Os
seguintes comentários sobre este assunto por Dom Guérenger são
significantes e relevantes: “Em
todos os períodos a Igreja... teve, em seu seio, almas às quais apraz
Deus comunicar luzes extraordinárias, das quais Ele deixa cair alguns
raios sobre a comunidade dos fiéis... O que conta para o cristão que
deseja conhecer as coisas de Deus na medida que é permitida a nós nessa
vida, é saber que além do ensinamento ordinariamente transmitido a todos
os filhos da Igreja, existe também certas luzes que Deus comunica para
almas que Ele escolheu, e que essas luzes penetra através das nuvens,
quando Ele assim determina, de tal modo que elas estendem-se em todo lugar
para a consolação de corações simples e também para ser uma certa
provação para os que são sábios em sua própria opinião... Aqueles a
quem o vidente comunica o que ele tem aprendido de uma fonte divina, sendo
reduzido a um humano e falível intermediário, precisam dar apenas aquele
assentimento que nós damos para prováveis matérias, um assentimento que
nós chamamos de ‘fé piedosa’. Sem dúvida isto [as revelações
privadas] é pouco, se considerarmos a invencível certeza de Fé; todavia
é muito, se pensarmos sobre as escuridões que nos cercam.” Apesar
de reconhecer a possibilidade de imperfeições humanas nas revelações
privadas, Dom Guérenger insiste no valor espiritual dos melhores exemplos
nesta psicológica análise de mestre: “Mas
sempre ficará aquele tom sobre-humano, suave e forte ao mesmo tempo, um
eco das palavras divinas que ressoou na alma, aquele entusiasmo que
penetra na mente do leitor e cedo o obriga a dizer: ‘a fonte disto não
é humana.’ Enquanto lemos, nosso coração lentamente começa a
queimar, nossa alma sente desejos pela virtude que até então ela não
experimentou, os mistérios de fé aparecem mais luminosos para nós,
pouco a pouco o mundo e suas esperanças desaparecem, e o desejo pelas
coisas do Céu, que parecia ter cochilado em nós, desperta-se com novo
fervor.”(16) Bruno Venturim Bento |
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