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La Salette |
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A primeira manifestação solene da Virgem, advertindo para a iminência desta tragédia e convocando a todos a ajudarem a conjurá-la se deu em La Salette, um lugarejo dos Alpes franceses, pertencente à diocese de Grenoble. Ali, pelas 15 hs. de 19 de setembro de 1846, ela se mostrava a duas crianças analfabetas, enquanto cuidavam de quatro vacas do patrão: Melânia Calvat (15 anos) e Maximino Giraud (11 anos). A bela Senhora, que aparecia dentro de uma luz, assentou-se sobre a casinha de pedras, que tinham construído de manhã e à qual deram o nome de "Paraíso". "Cheguem perto - convidou - não tenham medo". "Estas doces palavras - conta Maximino - me fizeram voar até ela. Enquanto falava, as lágrimas começaram a rolar de seus belos olhos. Disse: 'Se o meu povo não quiser se converter, serei obrigada a deixar cair a mão do meu Filho. Ela é tão pesada que já não consigo sustentá-la' ''. Queixa-se do trabalho manual aos domingos e da blasfêmia: "São estas duas coisas que tomam tão pesado o braço do meu Filho". Em contrapartida, "se os pecadores se converterem, as pedras e as rochas se transformarão em montões de trigo". Depois revelou a Maximino um curto segredo, que nunca deveria revelar, e a Melânia, outro, bem mais longo, que só poderia tomar público a partir de 1858. No lugar onde seus pés pousaram brotou uma nascente, que nunca mais secou. No quinto aniversário da aparição (1851), o bispo de Grenoble, Dom
Bruillard, autorizou o culto a N. Senhora da Salette, e ele mesmo subiu ao monte a cavalo, para lançar a pedra fundamental do futuro Santuário. No ano seguinte, o papa Pio IX, depois de aprovar essa aparição, quis conhecer os dois segredos, que prontamente foram escritos pelos videntes, agora alfabetizados, na presença de testemunhas eclesiásticas, e remetidos ao Papa. Quando esse os leu, seus lábios se contraíram e o rosto se alterou. Mais tarde disse: "O que há nos segredos de La Salette? Bem, são as palavras do Evangelho: se não fizerdes penitência, todos perecereis". Apesar do apoio dos papas Pio IX e Leão XIII a Melânia, o segredo por ela escrito só pode ser publicado em 1879, com o nihil obstat-imprimatur (Palavras latinas, que significam: nada há que impeça - imprima-se.) de Dom Zola, bispo de Lecce. Uma publicação que haveria de render a Melânia inesperados dividendos de incompreensões, perseguições e até o exílio, por obra e graça dos bispos franceses, que pretendiam colocar no Index(Relação dos livros, cuja leitura era proibida pela Igreja.) o pequeno folheto de Melânia, alegando que o clero não era tão abominável como se pintava em suas páginas. Mas "todos os esforços para obter a proibição formal do segredo foram em vão", escreve Dom Zola, em 1896. Assim, em pouco tempo, e com edições sucessivas em várias dioceses, o segredo se espalha, com a bênção e encorajamento do Papa, de vários bispos e teólogos. "Ouso dizer-lhe - escrevia Melânia, em 1904, ao padre Rigaux - que o segredo, além dos papas Pio IX e Leão XIII, foi aprovado pelo cardeal Sforza, arcebispo de Nápoles, por Dom Ricciard, arcebispo de Sorrento, pelo cardeal Guidi, por Dom Casolini e, depois, por Dom Patagna, bispo de Castellamare, que foi a minha providência durante 17 anos. Entre os príncipes da Igreja que aprovaram o segredo estava esquecendo o cardeal Ferrieri. Com ele são três cardeais, todos muito sábios e sobretudo muito santos". A aceitação geral do segredo transparece também nestas linhas do bispo Zola: "Tive ocasião de me relacionar com muitos respeitáveis príncipes e prelados da Igreja. Estavam bem informados sobre Melânia e o seu segredo; quase todos tinham recebido esse documento. Pois bem, todos, sem exceção, proferiram
um juízo de Dentre os que aceitam a origem sobrenatural do "segredo", não podemos esquecer o papa João Paulo II, que o considera "o coração das profecias de Maria". Cloaca
da impureza Por
problemas de espaço, vamos ater-nos a alguns trechos do Depois
de falar a Melânia: "o que vou lhe dizer agora não será segredo
para sempre... poderá publicá-lo em 1858", Maria começa
extravasando sua mágoa diante da calamitosa situação dos guias
espirituais de seu povo: "Os
sacerdotes, ministros de meu Filho, por causa de sua vida má, de suas
irreverências e de sua impiedade ao celebrar os santos mistérios, por
causa do apego ao dinheiro, às honrarias e aos prazeres, transformaram-se
em cloacas de impureza... Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a
Deus que, pelas suas infidelidades e má vida, crucificam de novo o meu
Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao Céu e pedem
vingança, e eis que a vingança está às portas, porque não se encontra
mais ninguém para implorar misericórdia e perdão pelo povo; não há
mais almas generosas; não há mais ninguém digno de oferecer a Vítima
sem mancha ao Eterno, em
(Por
isso) Deus vai castigar de maneira sem precedentes. Ai dos habitantes
da terra! Deus vai derramar sua cólera e ninguém conseguirá escapar
de tantos males juntos. Os chefes, os guias do povo de Deus,
negligenciaram a oração e a penitência, e o demônio ofuscou suas
inteligências; tomaram-se assim aquelas estrelas errantes, que a velha
serpente arrastará com sua cauda para fazêlos perecer... Sofrerão
penas físicas e morais... A sociedade está às vésperas das mais terríveis
calamidades e dos maiores acontecimentos. Que se prepare para ser
governada com vara de ferro e beber o cálice da cólera de Deus".
Pede
ao papa Pio IX que não saia de Roma, depois de alerta contra as manobras da
maçonaria e "desconfie de Napoleão (Refere-se
a Napoleão III, que foi imperador da França de 1852 a 1873.)", embora
em 1846, ele ainda não tivesse surgido na política interna da França.
A investida de Lúcifer
A seguir, anuncia que a Itália: "será
castigada pela sua ambição de querer sacudir o jugo do Senhor. Também
ela será entregue à guerra. O sangue correrá por todo lado; as igrejas
serão fechadas ou profanadas; sacerdotes e religiosos serão perseguidos
e os farão morrer de morte cruel. Muitos abandonarão a fé, e o número
de sacerdotes e religiosos que apostatarão da religião verdadeira será
grande; entre eles se encontrarão também bispos".
Igualmente
"a
França, a Espanha e a Inglaterra estarão em guerra; o
Também
se prediz o desencadeamento da fúria de Lúcifer, procurando
conscientizar-nos do perigo que representa para o homem esse espírito
astuto, inteligente e atrevido, que levou sua audácia ao ponto de tentar
ao próprio Jesus, oferecendo-lhe poder, autoridade e a riqueza que
acompanha o culto a ele. No entanto, qual a atitude do mundo moderno
diante do diabo? Uma atitude trivial, que vê nele uma. criatura
inofensiva e até decorativa, com seus chifres e seu forcado, em vez da
perigosa força destruidora que é. Sua maior fonte de poder e sua maior
vantagem decorrem justamente de muitos nem acreditarem na sua existência,
ou então considerá-lo um ser etéreo, esotérico, impessoal..
"No
ano de 1864 - explica Nossa Senhora - Lúcifer e um grande número
de demônios serão soltos do inferno e acabarão, pouco a pouco, com a
fé, mesmo das pessoas dedicadas a Deus. Muitas instituições religiosas
perderão a fé, levando assim muitas almas à perdição... O mundo
abundará de livros maus, e os espíritos das trevas difundirão por toda
parte o relaxamento em tudo o que se refere ao serviço de Deus, e terão
um grande poder sobre a natureza". . "No
ano de 1865, se verá a abominação nos lugares santos. Nos
conventos, as flores da Igreja estarão putrefatas, e o de
Sobre
as calamidades preditas para os anos de 1864/65, eis a
Se
saltarmos para um século depois - ainda segundo Cámpora - veremos que
foi justamente nos anos de 1964/65 que se deu a maior ofensiva neomodernista dentro do Concílio Vaticano II, liderada pelos bispos do
Reno, no sentido de apresentar uma Igreja afinada com o progresso do mundo
moderno, e assim abrir as portas a todas as aberrações progressistas.
O tempo das trevas "O Vigário de
meu Filho terá que sofrer muito, porque por um tempo a Igreja será
entregue a grandes perseguições: será o tempo das trevas". Também
prediz a chegada de "um precursor do Anticristo, com um exército
composto de muitas nações ". Ele "combaterá o
verdadeiro Cristo, o único Salvador do mundo; derramará muito sangue e
pretenderá aniquilar o culto de Deus, para ser considerado ele mesmo como
Deus. A terra será castigada com todo tipo de calamidades (além da peste
e da Será então que "nascerá o
Anticristo de uma religiosa hebréia, de uma falsa virgem, que terá
comunicação com a velha serpente, o mestre da impureza... ele será o
demônio encarnado" (Palavras que fecham com o que escreveu S. João
Crisóstomo (+407): "O Anticristo será Com a ajuda do
Anticristo, "os demônios do
ar farão grandes prodígios na terra e nos ares, e os homens se perverterão
cada vez mais". Por isso, "o Papa deve acautelar-se
contra os fazedores de milagres, porque chegou o tempo em que se hão de
operar os mais estupendos prodígios na terra e no ar". "Haverá
em todos os lugares prodígios extraordinários, porque a fé verdadeira
se apagou e porque a falsa luz ilumina o mundo... As estações serão
alteradas, a terra só produzirá maus frutos, os astros sairão de suas
órbitas, a lua só refletirá uma débil luz avermelhada. A água e o
fogo produzirão convulsões no globo terrestre, causando horríveis
terremotos, que devorarão montanhas e cidades". Chegou o momento Mas a revelação mais
estarrecedora é que Rome perdra la foi et deviendra le siège de l'Anticrist,
isto é, "Roma perderá a fé e se tornará a sede do
Anticristo". "Ai dos
habitantes da terra! Produzir-se-ão guerras sangrentas e fome, pragas e
doenças infecciosas. Cairá uma granizada espantosa de animais. A
tempestade sacudirá cidades, os terremotos engolirão países. Ouvir-se-ão
vozes no ar. Os homens baterão com a cabeça contra as paredes, pedindo a
morte, porém a morte será o seu tormento. Correrá sangue por toda
parte. Quem poderá vencer, se Deus não encurtar o tempo da prova? O
sangue, as lágrimas e as orações dos justos aplacarão a Deus... A Roma
pagã desaparecerá. Cairá fogo do céu e consumirá três cidades. O
universo inteiro será presa do terror, e muitos se deixarão enganar, por
não terem adorado o verdadeiro Cristo, que vivia entre eles. Chegou o
momento, o sol escureceu, só a fé viverá. Eis o tempo, o abismo começa a abrir-se. Eis o rei dos reis das trevas; eis a Besta com seus súditos, dizendo-se salvador do mundo. Elevar-se-á soberbo pelos ares, para dirigir-se ao céu. Mas será asfixiado com o sopro de fogo de São Miguel Arcanjo. Cairá, e a terra, que há três dias estava em contínuas evoluções, abrirá suas entranhas ardentes; e ele será precipitado por toda a eternidade, junto com seus seguidores, nos abismos eternos do inferno. Então a água e o fogo purificarão a terra e farão desaparecer as obras da soberba humana. Far-se-á então a paz, a reconciliação de Deus com os homens. Cristo será servido, adorado e glorificado; a caridade florescerá em toda parte. Os novos reis serão o braço direito da Igreja, que será forte, humilde, piedosa e imitadora das virtudes de Cristo. O Evangelho será pregado por toda a parte e os homens farão grandes progressos na fé, porque haverá unidade entre os obreiros de Jesus Cristo e porque todos viverão no temor de Deus".
Maria convoca com urgência "os verdadeiros discípulos do Deus Vivo", "os verdadeiros imitadores de Cristo" e sobretudo os "apóstolos dos últimos tempos", para que "saiam e venham iluminar a terra", que sé mostrem ao mundo "como meus filhos queridos. Estou com vocês e em vocês, desde que a fé seja a luz que os ilumine nestes dias de infortúnio. Que o zelo de vocês os torne como que famintos da glória e da honra de Jesus Cristo. Combatam, filhos da luz..., porque chegou o tempo dos tempos, o fim dos fins". Ao falar a Melânia nos "apóstolos dos últimos tempos", Maria lhe ditava a Regra que deveria nortear a nova Ordem religiosa. Para estudar a fundo a mensagem, o bispo de Grenoble, Dom Bruillard, nomeou, já em 1846, duas comissões de cônegos e professores. As conclusões de ambas foram positivas, recebendo, portanto, a aprovação do bispo. Aprovação que foi lida em todas as igrejas da diocese e, a seguir, enviada a Roma, que também à aprovou. Tudo fazia prever um futuro tranqüilo para essa aparição. Mas
não foi o que aconteceu. Apesar de reconhecida pelo bispo competente e pelo Papa. logo viu desencadear-se contra si uma implacável
perseguição por parte do episcopado francês. "Movidos
por desvios religiosos de galicanismo ou de liberalismo católico e por
ambições e interesses políticos... os bispos pressionaram primeiro os
videntes para que lhes revelassem a mensagem ainda secreta; perseguiram e
desterraram Melânia e logo se puseram a intrigar em Roma, para impedir
que se publicasse o segredo e se redigisse a Regra da Ordem dos Apóstolos
dos últimos tempos" (Cámpora). Que
lições! A guerra começou com
Dom Ginouilhac, sucessor de Dom Bruillard na diocese de Grenoble. Para
livrar-se da Irmã Melânia, a desterrou para o carmelo de Darlington, na
Inglaterra, com ameaça de excomunhão se retomasse à diocese. Em 1860,
Melânia voltou, mas teve de exilar-se novamente. Pouco depois, o bispo
enlouqueceu e morreu num manicômio. Sucedeu-lhe
Dom Fava que, também inimigo da mensagem, mandou a vidente para Altamura,
sul da Itália, onde recebeu a graça dos estigmas e viveu sob a orientação
do bispo de Lecce. Morreu em 1904. Passados poucos anos - segundo Cámpora,
que estamos resumindo a seguir -, esse bispo foi encontrado morto em seu
quarto, no chão, nu, olhos virados e punhos crispados. Dom
Gilbert, bispo de Amiens, disse: "O segredo de La Salette não passa
de um tecido de irreligiosidade, mentiras e exageros". Em 16 de
agosto de 1889, foi encontrado morto no chão de sua casa e, durante o
funeral, o ataúde caiu do catafalco. Outro
famigerado inimigo de La Salette foi o arcebispo de Paris, Dom Darboy, que
interrogou pessoalmente Maximino, pressionando-o a revelar a mensagem
ainda secreta. Não o tendo conseguido, gritou-lhe: "As palavras da
tua bela senhora estão cheias de estupidez, como estúpido deve ser o teu
segredo". Ao que o vidente lhe replicou: "É tão certo que vi
a. bela Senhora, quanto, em menos de três anos, vossa excelência será
fuzilado". Já
em 1865, esse bispo fora admoestado por Pio IX, por causa de desvios
galicanos. Em seguida, no Concílio Vaticano I, se alinhou contra o Papa,
junto com o tristemente célebre Dom Dupanloup, abandonando o concílio,
num protesto silencioso contra a iminente definição da infalibilidade
pontifícia. De
volta à França, cai vítima da fúria maçônica da Comuna. A Concluímos
com as palavras da Irmã Melânia, de 1903: "Os
bispos que consideraram que o segredo estava dirigido a eles, foram
grandes inimigos desta mensagem de misericórdia, da mesma forma que os
sumos sacerdotes que condenaram o Salvador... De fato, eles tinham razão
para reagir, pois o segredo apenas refletia suas vidas desviadas".
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Fonte: A Profetisa dos Tempos Finais - Olivo Cesca |
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