Refutação a revista super-interessante - Darwin: o homem que matou Deus?

O homem que matou Deus?
Sérgio Meneses

Chegou em minhas mãos o último número da revistinha pseudocientífica tupiniquim Superinteressante, conhecida por seu ódio à religião. Esse ódio é de uma tal monta que praticamente não há edição na qual não fale mal da religião em algum artigo. A capa deste mês traz o título: "Darwin, o homem que matou Deus". A foto de um primata furioso, com a boca aberta num berro de raiva, ilustra o pretensioso e ultrajante título. O leitor já deve imaginar do que se trata a matéria de capa. Ela trata justamente da macacada evolucionista. O atrevido subtítulo da capa da revista diz: "Há 150 anos, Darwin descobriu como a vida pode existir sem a intervenção divina (...)".

Num primeiro momento relutei em ler o artigo. Há sempre coisas importantes para ler e não seria lá muito produtivo perder tempo num artigo que, pela experiência, já sabia tolo. A revista passou muitos dias jogada em minha mesa até que por impulso resolvi ler a matéria de capa. Partilho então com os leitores do site Montfort algumas pérolas da ciência moderna, ensinadas no mais clássico e botequinesco estilo brasileiro...

O artigo, do começo ao fim, é uma coleção de absurdos e espanta que alguém que use um pouco da inteligência possa dar crédito a tamanhas tolices. Mas o número dos idiotas é infinito, como nos advertiu há muitos séculos a sabedoria de Salomão.

Já de início, o articulista começa desafiando a paciência do leitor:

"E Charles Darwin criou o homem. Ou, pelo menos, inventou o que hoje nós conhecemos como homem. Antes dele, éramos o centro do universo, obra sublime da criação. Agora, somos apenas mais uma entre milhões e milhões de espécies, um bicho de origem nada especial". (cit)

É impossível não lamentar a rasteirice de espírito do autor dessas linhas. Mesmo por absurdo tomando certo o evolucionismo, como não considerar o homem o mais importantes dos animais, sendo que ele seria o único capaz de, pela inteligência, descobrir e explicar a própria origem? Ora, se os antigos alguma vez consideraram o homem como "centro do universo", foi justamente pelo seu caráter racional, capaz de compreender e dominar o mundo em que vivia. Essa qualidade, ausente em todos os outros animais, torna o homem extremamente distinto na natureza que, dominada por sua inteligência, o serve.

Segue, então, o artigo contando a história da vida na Terra:

"Planeta Terra, 4 bilhões de anos atrás. Um mundo adolescente, infestado por vulcões, meteoritos e tempestades violentas. No mar desse inferno, moléculas de carbono encontraram um porto seguro. E começaram a se juntar, formando cadeias cada vez mais longas e complexas. Uma hora, como quem não quer nada, apareceu um estranho nesse ninho. Um acidente da natureza. Era uma molécula capaz de se replicar, de sugar matéria orgânica do ambiente e usar como matéria-prima para produzir cópias dela mesma" (cit)

 A estorinha até que não ficaria mal, se fosse um mero conto infantil. A coisa começa a ficar mesmo esquisita quando quer se passar por ciência. Exige muita fé acreditar que, por mero capricho da natureza – por "acidente" – a matéria morta de repente sofreu uma gigantesca mudança qualitativa e adquiriu a capacidade de se alimentar e de se replicar. Repare o leitor que o autor do artigo pouco enfatiza quão enorme e substancial é a mudança necessária envolvida na passagem do mineral para a vida (na medida que eles consideram moléculas replicadoras coisas vivas). Uma mudança dessas é simplesmente impossível de ocorrer por acidente levando em consideração a lei da entropia e o princípio básico, conhecido pelo bom senso de todos, de que a ordem não pode nascer do caos. Mas o sábio autor do nosso artigo encontra uma genial explicação para esse "acidente" da natureza:

"Motivo [do surgimento de moléculas replicadoras]? Nenhum: ela fazia réplicas por fazer e pronto. Vai entender..."

Genial não? De repente um monte de carbono começa a se juntar aleatoriamente, caminhando para níveis de organização cada vez mais elevados, adquirem sozinhos a capacidade de se alimentar e de se replicar, e a única explicação para isto é que: foi assim "e pronto. Vai entender...".

Pois eu bem que queria entender por que foi assim. O fato de não poderem explicar por que foi assim, faz desconfiar seriamente de que não foi assim...

E depois ainda nos querem fazer engolir essa lorota pela mais alta e incontestável ciência...

Mais ainda tem mais. Muito mais. Segue o autor:

"Essa aparição foi algo tão improvável quanto se esta revista (...) comesse seus dedos agora e, a partir dos átomos de sua carne, pele e ossos, construísse uma cópia dela mesma. Improvável, mais foi exatamente o que aconteceu naquele dia" (cit).

Aqui o autor ao menos foi honesto em confessar que tal loucura é completamente improvável. É mesmo. "Improvável e impossível", diria ele se fosse, além de honesto, sensato. Talvez uma teoria equivalente a revistas sugadoras de dedos fizesse sucesso num hospício. O que espanta e assusta é saber que ela faz sucesso e que é a mais incontestável tese no meio científico...

"Vai entender..."

E segue o besteirol:

"Às vezes acontecia um erro de cópia aqui, outro ali. Surgiam aberrações. (...) Esses erros aconteciam bem de vez em quando: um a cada milhão de réplicas. Mas tempo é o que não falta nesse mundo. Então eles foram  se acumulando mais e mais. Só que alguns [erros] não davam em aberrações. Muito pelo contrário. Algumas réplicas nasciam com uma mutação que as fazia se multiplicar mais em menos tempo. E não demorou para que essas mutantes mais férteis dominassem o mar" (cit)

Aqui a contradição e o absurdo se cruzam. Qualquer pessoa sensata arriscaria que um grande acúmulo de "erros" levaria qualquer ser à falência. Mas para o evolucionista – que é tudo menos uma pessoa sensata – não: é acumulando erros que a vida progride. E esses "erros" se juntaram numa proporção tal até que surgiu um ser humano inteligente...

E tudo por "acidente"...

Isso mesmo: a vida sempre evolui, por mais "improvável" que possa parecer, por acaso aleatório e arbitrário, pois para o culto e iluminado meio científico moderno é verdade absoluta e incontestável, sob pena de superstição e obscurantismo, que "Darwin descobriu como a vida pode existir sem a intervenção divina", como diz o subtítulo da capa dessa revista que se propõe ser super interessante.

Depois de "explicar" como as moléculas replicadoras se auto-dotaram de uma carapaça de proteína, evoluindo em células, segue o artigo:

"Não demorou para virem células mutantes ainda mais terríveis contras as rivais. Elas tinham o poder de juntar forças com outras células e atacar unidas. E de fazer cópias de si mesmas numa tacada só, como se todas fossem uma única molécula. Surgiram os primeiros seres multicelulares. Eles ficaram cada vez mais complexos: suas células passaram a assumir funções distintas para operar sua máquina de sobrevivência. Faziam como soldados num tanque de guerra: uns ficavam a cargo da locomoção, na forma de nadadeiras; outras dos 'satélites' para encontrar comida (visão, olfato). E o progresso nunca parou. Tanto que hoje boa parte dos replicadores vive em 'robôs' imensos, feitos de milhares de trilhões de células" (cit)

A comicidade dessa teoria só se compara ao absurdo de que ela é aceita e totalmente endossada pela autoridade de um ente abstrato chamado "comunidade científica". 

Sejamos honestos em admitir que existem muitos cientistas sérios, que não acreditam nesse conto de fadas. Mas ai daquele que ousar falar publicamente contra o evolucionismo! Logo será taxado de retrógrado, de alienado, de supersticioso e de tantos adjetivos que possa conceber a imaginação dos pretensos donos da ciência. Científico mesmo é acreditar que o acaso produz a ordem, que um monte de átomos juntaram-se por acaso e por acaso evoluíram até estruturas complexíssimas como é, por exemplo, a visão e audição. E ainda mais delirante: científico é acreditar que por mera casualidade as células se organizaram até deixar um animal capaz, por meio de umas reações químicas, raciocinar e compreender as coisas que o cercam.

E até em vir acreditar numa revista que conta tais absurdos...

Para finalizar, lembramos que o evolucionismo não se restringe à origem da vida terrestre. O evolucionismo é uma cosmovisão que pretende explicar todas as coisas. Prova disto é o final do artigo em questão, no qual o autor expõe as teses do físico Lee Smolin, das quais se infere que também o Universo estaria submetido  e seria fruto da lei da evolução:

"(...) nosso Universo é só mais um entre bilhões e bilhões. Todos juntos num Cosmos imensurável que podemos chamar de Multiuniverso. Nesse cenário, os universos são os indivíduos, os replicadores. Cada um lutando para fazer mais e mais cópias de si mesmo" (cit)

Não se enganem, caros leitores: ao contrário do que nos querem fazer acreditar, nós não estamos diante de uma teoria puramente científica coisa nenhuma. É bem provável inclusive que o coitado do autor do artigo não saiba disso muito claramente, mas o evolucionismo é uma tese filosófica e religiosa, conforme já foi tratado em um longo estudo disponível em nosso site. O evolucionismo nada mais é do que a aplicação na ciência experimental dos princípios da velha Gnose, que acredita existir imanente na matéria um princípio vital e divino que guia a evolução. A evolução, dentro do sistema gnóstico, é uma regra que guia e condiciona tudo. E é muitíssimo interessante que o artigo da Superinteressante seja finalizado com uma confissão surpreendente:

"Baruch Spinoza, um filósofo holandês do século 17, defendia que Deus e o Universo são apenas dois nomes para uma coisa só; que o Criador não é exatamente um criador, mas a grande regra que move o Cosmos. Se você gosta desse ponto de vista (Albert Einstein gostava) pode dizer tranqüilamente: Charles Darwin não matou Deus. Só descobriu onde ele estava". (cit grifo meu).

Que o Deus três vezes Santo, isto é, infinitamente transcendente ao mundo e que o criou do nada, nos faça sempre crer n'Ele, nosso primeiro princípio e último fim.

 

Fonte: Associação Cultural Montfort