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OS TEMPOS FINAIS NA
ÓTICA DE |
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Ao
assumir o pontificado, em outubro de 1978, João Paulo II apressou-se em
tomar pública uma idéia sobre a qual vinha refletindo há tempo: a
proximidade do ano 2.000 do nascimento de Cristo era uma oportunidade ímpar
para lançar uma nova evangelização e levar a humanidade para mais perto
de Deus. Com o passar dos anos, a idéia foi amadurecendo e adquirindo
novos desdobramentos.
Primeiro
começou a falar no "grande jubileu", uma festa cíclica
judaica, adotada pela Igreja. Celebrava-se ao final de cada período de
sete semanas de anos, ao começar o qüinquagésimo ano. Nesse ano não se
plantava nem se colhia, e todas as casas e terras vendidas ou de qualquer
maneira alienadas voltavam aos seus antigos proprietários, e os escravos
hebreus, com suas mulheres e filhos, adquiriam a liberdade. Era uma festa
de libertação e perdão. Dentro
do "grande jubileu" de redenção, anunciado pelo Papa devia ter
lugar uma "nova plenitude dos tempos", uma expressão que
significa o cumprimento das profecias relativas à vinda do Salvador, e
uma "nova efusão do Espírito", que daria início à
"civilização do amor e da paz", coroada por uma segunda vinda
de Cristo ao mundo. Todas
estas idéias já tinham aflorado nos pontificados de Pio IX, Pio X, Leão
XIII e Pio XII. "Vem, Senhor Jesus! Há tantos indícios de que a tua
volta não está longe" - proclamava este último, na páscoa de
1957. Contribuíra para aguçar esta consciência a proliferação de fenômenos
místicos, de aparições, revelações e mensagens, que se tomaram
conhecidas na Europa e no mundo. A
Igreja sabe Os
temas do "grande jubileu" e do' "novo advento" são
desenvolvidos a partir da primeira encíclica Redemptor hominis, escrita
no ano seguinte ao da tomada de posse. "Para a Igreja, este será o
ano de Mas o que mais surpreende, ao referir-se à "nova plenitude dos tempos", é que ela já tem data marcada. Não acontecerá nos séculos futuros, mas por ocasião do grande jubileu. "Esta oração 'Vem, Senhor Jesus" - escreve ele - se orienta para um preciso momento da história, em que é posta em relevo a 'nova plenitude dos tempos', momento que soará no ano 2.000" (Dominum et vivificantem. 66). "A Igreja sabe que chegou a última fase dos tempos, e a renovação do mundo está irrevogavelmente fixada", afirmou num discurso (Osser. Rom., 23/11/1986). Não disse que a Igreja crê, mas a Igreja sabe que chegou a última fase da renovação do mundo. E como sabe? Respondemos que pelo terceiro segredo de Fátima e pelas inúmeras aparições e profecias modernas, que chegam continuamente ao conhecimento do Papa e que, de resto, só fazem confirmar o que já se encontra profetizado na Bíblia. Especialmente numerosas são as referências ao "novo advento": "Estamos no tempo de um novo advento, que é tempo de espera"(Redemptor hominis, 2). Logo adiante explica que "a Igreja do novo advento, a Igreja que nos prepara para a nova vinda do Senhor... deve ser a Igreja da Eucaristia e da Penitência" (95). Em abril de 1988, falando a um grupo de bispos dos Estados Unidos, explica: "Desde o início do meu pontificado, procurei dirigir a atenção da Igreja para a época de um novo advento... que esperamos para o ano 2.000. Numa conjuntura tão importante de sua vida, a Igreja deve estar preparada para continuar à espera do Senhor... E os sacerdotes do novo advento, juntamente com seus bispos, precisam estar capacitados a reunir suas comunidades em torna da pessoa do Redentor" (Osser. Rom. 07/08/1988). No encerramento do Ano Mariano, diz: "Começamos a nossa peregrinação de fé contigo, a geração que leva em si um certo ar de semelhança com aquele primeiro advento, quando, no horizonte das expectativas humanas pela vinda do Messias, se acendeu uma luz misteriosa" (Os ser. Rom. 21/08/1988). A segunda vinda Como se deduz desses textos, o Papa não está pensando num simples aniversário do nascimento de Jesus, nem no seu nascimento místico nas almas, mas na sua volta histórica, a partir da qual "estará sensivelmente presente na Igreja, segundo as suas necessidades, aparecendo ora num lugar, ora noutro, ora a uma pessoa em particular, ora a esta ou àquela comunidade, para corrigir ou encorajar no caminho da santidade iniciado" - conforme Aldo Gregori, que vê nas aparições atuais de Nossa Senhora em diversas partes do mundo, uma preparação da humanidade para essa presença. É importante frisar esta verdade, diante da resistência que ela ainda encontra por parte de bispos e padres. Lembre-se apenas a celeuma provocada, a partir de 1965, pela obra Parusia. A segunda vinda de Jesus, do P. Léo Persch, que ainda continua proibida em algumas dioceses. Por quê? Porque, segundo a teologia em voga nos últimos anos, o regresso visível de Jesus só aconteceria no fim do mundo, enquanto o autor prova que a segunda vinda de Jesus nada tem a ver com o fim do mundo. Ela pode acontecer a qualquer momento, como ensina o Catecismo da Igreja Católica: "Este acontecimento escatológico - a vinda de Cristo na glória - pode ocorrer a qualquer momento. Depende do reconhecimento dele por todo Israel"(nºs 673-674). É também o que nos propõe a liturgia, onde lemos coisas assim: "Anunciamos a sua morte e proclamamos a sua ressurreição, enquanto esperamos a sua nova vinda"; "cada vez que se come deste pão e se bebe deste vinho, se recorda a paixão de Jesus Cristo e se fica esperando a sua volta". Por isso, baseado nesta certeza da Igreja, João Paulo II não se cansa de anunciar esta estonteante verdade: dentro em breve, Cristo estará entre nós de forma visível. Num discurso de 01/12/1996, dando abertura ao triênio preparatório ao grande jubileu, ele fala em "terceira vinda", justificando que até há pouco se considerava a primeira vinda na noite de Belém e a segunda no juízo final. Porém, "com o tempo, a reflexão eclesial se ampliou, reconhecendo a primeira na criação e a segunda na encarnação. A primeira e a segunda já se realizaram; vivemos agora à espera da terceira vinda de Cristo, na qual a criação e a redenção encontrarão sua realização definitiva". Por isso, "vigiem, porque o Senhor virá". (Osser. Rom. 07/12/1996). Que essa vinda seja considerada a segunda ou a terceira, pouco importa. O que importa é o fato mesmo da vinda visível de Jesus ao meio de nós. Preparação Esta volta de Cristo, no entanto, deve ser preparada. Por quem? Pelos mesmos que preparam a primeira: o Espírito Santo e a Virgem Maria, que o Papa denomina justamente de "Mãe do segundo advento". Por isto, "suplico a Maria que, nesta oração do novo advento da humanidade, se digne perseverar conosco, que formamos a Igreja"(Redemptor hominis, 112). "Aquilo que, na plenitude dos tempos, se realizou por obra do Espírito Santo (nascimento de Jesus), só por sua obra pode emergir agora da memória da Igreja. É por sua obra que isto pode tornar-se presente na nova fase da história do homem na terra" (Dominum et vivificantem, 51). "O Espírito Santo é também o agente principal da nova evangelização, ...aquele que constrói o Reino de Deus no curso da história, ...fazendo germinar dentro da existência humana os germes da salvação definitiva, que acontecerá no fim dos tempos". É "nesta perspectiva escatológica que... os cristãos são chamados a renovar sua esperança no advento definiitivo do Reino de Deus" (Tertio Millennio Adveniente, 45-46). No final da encíclica, escreve: "A Igreja tenciona preparar-se para este jubileu no Espírito Santo, tal como, pelo Espírito Santo, foi preparada a Virgem de Nazaré, na qual o Verbo se fez carne". Sendo fiéis ao Espírito Santo, "os cristãos contribuem também para a multiforme 'renovação da face da terra' , colaborando com seus irmãos em ordem à realização e valorização de tudo o que é bom, nobre e belo no progresso atual da civilização, da cultura, da ciência, da técnica e dos outros setores do pensamento e da atividade humana (Dominum et vivificantem, 60). Com estas palavras, o Papa insinua que o progresso no terceiro milênio será maior que o atual, mais humano, mais condizente com a natureza humano-divina do homem, diferente do progresso que conhecemos, o qual veio em grande parte contra o homem, devastando a natureza, sobretudo as florestas e o solo que lhe serve de suporte, envenenando o ar e a água e assim propiciando o aparecimento de doenças e antecipando a morte. Mas, no "novo céu e na terra nova", isto é, na sociedade renovada do terceiro milênio, "não haverá mais morte, nem pranto, nem gemidos, nem dor, porque as coisas antigas terão passado" (Ap. 21,4).
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Fonte: A Profetisa dos Tempos Finais - Olivo Cesca |
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